-Lisboa
é maravilhosa!
Miguel
quase provocava um acidente ao olhar para ela, ao mesmo tempo que o seu pé
carregava no travão.
-Lembraste
alguma coisa?
-O
quê?
Como
o quê? Disseste que Lisboa é maravilhosa! – disse ele nervoso
-
Ah! Isso? Não sei. Veio-me à cabeça, essa ideia. Nada mais.
-
Pode ser um sinal, disse ele sem convicção. Fica atenta. Se reconheceres alguma
rua, algum monumento, por favor diz.
-
Fica descansado. Ninguém deseja mais isso do que eu.
Mas
não voltou a falar até entrarem em casa.
Miguel
vivia, no sexto andar de um edifício antigo, numa das zonas mais bonitas da
cidade. À chegada, tiveram que dar uma volta pelo quarteirão, até que Miguel
encontrou um lugar vago para estacionar, um pouco distante da casa.
O
elevador, era antigo, pequeno, mas os dois lá se acomodaram o melhor que
puderam pois as três malas de viagem quase o enchiam por completo.
A
casa ocupava todo o espaço do prédio que só tinha um inquilino por andar.
Miguel
foi abrindo as janelas e mostrando a casa à jovem.
Um
quarto, que fora dos pais, o seu quarto, mais um quarto, que era da avó
Ermelinda, quando vinha passar férias com o filho, e que seria o quarto para ela,
a cozinha, uma sala, na qual uma escada em caracol, despertou a curiosidade da
jovem.
-Dá
para a mansarda, onde tenho o atelier. Também tem entrada pelo exterior, que
uso para a entrada e saída dos materiais e telas.
E
finalmente a casa de banho. Destoa do resto da casa, pois foi reconstruída o
ano passado. Havia junto dela, um pequeno quarto sem utilidade, mandei derrubar
a parede e assim o espaço quase triplicou.
-
A casa está impecável. Tanto tempo, fechada, não devia ter pó?
-Na
semana passada, telefonei à porteira e pedi-lha que arranjasse alguém de
confiança, para vir limpar e arejar a casa.
-
Pensas em tudo!
-Estou
habituado a viver sozinho. Bom, agora que já conheces a casa, fica à vontade,
eu vou lá abaixo à porteira. Preciso da sua ajuda, para resolver algumas
coisas, e saber se já chegaram as telas e se elas as recebeu.
Saiu.
Mariana foi até à janela e ficou maravilhada. A paisagem era muito bonita. Via-se
uma grande parte de Lisboa, o Tejo, a ponte 25 de Abril, e o
Cristo-Rei.
“O ideal para um pintor” murmurou preparando-se para arrumar as roupas no
armário
