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7.9.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XLIX



Quando na manhã seguinte acordou, Mariana já encontrou em casa a empregada e a sua filha.
- Bons dias.
- Bom dia, dorminhoca.- Respondeu Maria
- Vieste cedo! Tínhamos combinado alguma coisa?
- Não. Mas estava ansiosa por falar contigo.
- Já tomaste o pequeno-almoço?
- Já. Mas acompanho-te com um café.
- Pode ir para a mesa, menina. Levo-lhe já o pequeno-almoço, - disse Luísa.
- Obrigado Luísa. Viu o Miguel?
-Não, menina. Quando chegámos já não estava.
Foi para a sala e Maria foi atrás.
- Parece que não dormiu em casa, - disse baixinho
- Porque dizes isso?
-Porque a mãe estranhou o quarto arrumado.
Engoliu em seco. Onde teria ficado? E com quem?
Tinham-se sentado. Mariana, numa das cabeceiras da mesa, a amiga, a seu lado, numa das laterais.
Maria inclinou-se para a frente e perguntou baixinho:
-Como foi?
-O quê?
- A noite de Natal, tu e Miguel.
- Não foi, -respondeu triste
-Ó que pena!
Depois, vendo a tristeza da amiga, acrescentou:
-Deixa lá. Vão aparecer outras oportunidades.
Calou-se enquanto a mãe colocava na mesa, uma travessa com torradas, um sumo de laranja e uma taça com frutos secos.
Quando Luísa se retirou, Mariana disse:
- Fazem-me falta as sessões de análise. Preciso desabafar.
- Estou aqui, - retorquiu Maria com seriedade, colocando a sua mão sobre a da amiga. - Se te serve de algo…
Serviu. Ante o espanto da amiga, Mariana contou tudo, desde os seus tempos de estudante, jovem, tranquila e cheia de sonhos, até à conversa com Miguel no dia anterior. As torradas arrefeceram, o sumo e os frutos ficaram intactos. Quando Luísa veio retirar a bandeja, ralhou com a filha, que estava a impedir a menina de comer, e com ela, porque assim ficava doente, as pessoas não vivem sem comer, e retirou-se zangada
Mariana retomou a conversa interrompida, e quando terminou, a amiga apertou-lhe a mão num gesto de carinho. 
- Como deves ter sofrido! E agora? Que vais fazer?
- Recuperar as minhas coisas, e voltar para a minha casa. Tentar seguir com a minha vida. Sei que não vou esquecer o Miguel. Mas não consigo viver neste jogo de gato e rato, esperando por ele, e ele fugindo de mim.
- Eu no teu lugar não desistia. Não dizem que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”? Então, amiga, se ele é o rochedo, sê tu a água.
- Não tenho forças, para isso. Estou farta de sofrer!
- Acredito. Deves ter sofrido horrores. Que história, meu Deus! Parece uma novela.
Mariana esboçou um sorriso e disse com tristeza:
- A vida, é bem mais complicada que uma novela, Maria.