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4.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XIX


foto  minha



As duas mulheres trocaram um olhar e depois Isabel perguntou dirigindo-se a Paulo:
- Mas para onde é que vocês vão? E porquê?
- Como sabem, a Maria vai este ano para a Universidade. O curso que ela escolheu só tem vagas em Braga. A Marta é de Braga e lá residem os meus sogros. A vida em Lisboa está cada dia mais stressante.
- Assim decidimos ir todos para Braga.
A voz feminina soara nas suas costas e os três voltaram-se. Na porta Marta olhava-os com um sorriso. Era mais alta que o marido, e mais esguia, mas igualmente simpática. Depois dos cumprimentos habituais disse:
- É claro que vamos ter saudades vossas. Mas quando estivermos instalados mando a morada, e depois Braga não é no fim do mundo. Fico muito feliz por terem vindo. O Paulo gostava de convidar o seu sucessor para jantar. Mas parece que não vive em Lisboa e ainda não chegou. Na verdade não nos lembramos dele. Os pais são nossos amigos, mas o filho parece que é um tanto aventureiro. Viajou muito. As visitas aos pais são esporádicas e rápidas. A mãe disse-me há dias que tinha esperança que ele agora assentasse. Coitada é mãe.
Fez uma pausa e acrescentou:
- Vamos para a mesa.
O jantar decorreu com a animação própria de amigos que se estimam e sentem prazer em estar juntos.
Isabel falou das recentes férias, da cidade que não conhecera até aí, e de tudo o que nela lhe agradou. Contou, que visitara as grutas da Ponta da Piedade, recentemente consideradas no estrangeiro como um local "Tão bonito que até dói", e que a tinham maravilhado.  E terminou.
- Incrível como viajamos tanto para o estrangeiro e temos localidades tão bonitas no nosso país que não conhecemos.
- Lá isso é verdade. Conheceste a história do mês que há-de vir? Perguntou Paulo.
- Mês que há-de vir? Não. Mas contaram-me porque é que lá chamam condelipas às conquilhas.
- Condelipas? - Estranhou Amélia. Tens que me contar essa.
- Depois. Fiquei curiosa com essa história do mês que há-de vir. Podes contar Paulo?
- A Maria conta. Foi ela que nos contou.
Conta, conta – pediram todos.