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7.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XIX




Se Raul ficou de boca aberta, ao abrir-lhes a porta, isso não foi nada comparado com a reação que se apoderou das duas mulheres, quando se viram frente a frente. Apesar de terem sido avisadas da grande semelhança entre elas, nada as preparou para a intensa emoção que sentiam. Tão grande que não resistiram a cair nos braços uma da outra, quando se cumprimentaram.
Apenas a roupa as diferenciava, já que até o cabelo, Ana Clara usava naquela noite, primorosamente entrançado.
Até os filhos do casal, dois miúdos traquinas, de três e cinco anos olhavam uma e outra sem saberem que pensar até que João, o mais velho perguntou:
- Pai, temos duas mães?
- Não filho. É só uma coincidência.
- E o que é uma coincidência? – Perguntou o garoto interessado.
- Mais tarde o pai explica-te. Agora são horas de jantar. Vão lavar as mãos e vamos para a mesa.
Após o jantar, que decorreu de forma agradável, Ana Clara pediu licença para ir deitar as crianças, e Anete ofereceu-se para a ajudar.
Enquanto isso, os homens levantaram a mesa, e meteram a loiça na máquina, enquanto conversavam entre si.
- Não achaste muito estranha a emoção das duas?- Perguntou Raul.
- Não. Estou tão convencido que são gémeas, que confesso esperava qualquer coisa do género.
- Será possível?
Acredito que sim. Embora seja muito estranho que no registo de nascimento da Anete, não haja nenhum averbamento de adoção.
- Como é que sabes?
- Porque a obtive no registo.
Raul ligou a máquina e dirigiram-se para a sala. Logo de seguida as duas jovens entraram.
- Custaram a adormecer. Estavam excitados com a novidade, - disse Ana Clara
- Querem beber alguma coisa? Estamos com uma ideia na cabeça, queríamos conversar convosco.
- Não, - disseram em coro.
- Bom,-  continuou Salvador,- não sei bem como dizer isto sem vos escandalizar, mas acredito que vocês são gémeas. Não sei como aconteceu, pode ter sido um erro no hospital, mas estou certo de que um exame de ADN, pode provar isso.  A questão é: Querem vocês saber a verdade, sabendo que ela pode demonstrar que tudo o que viveram nestes vinte e oito anos, não passou de uma mentira?
- Eu quero, - disse Ana Clara. - Meus pais sempre foram muito carinhosos comigo, mas sempre me senti muito sozinha e triste, por saber que não tinha irmãos. Senti uma emoção tão grande esta noite, que foi como se de repente me sentisse completa e em paz. E tu, Anete?
- Também senti uma grande emoção quando te vi. Nada me daria mais alegria do que saber que somos irmãs. Mas nunca teria coragem para fazer esse exame sem falar primeiro com os meus pais. Fui criada com muito amor, por eles e por meus dois irmãos. Se houve um engano no hospital, esse erro pode matá-los de desgosto. Vamos fazer assim. Gostaria de levar uma fotografia tua, se tiveres uma recente, ou se me deixares usar o telemóvel.
- Claro, podes tirá-la.
Anete tirou a foto, e depois pediu a Salvador que lhes tirasse uma outra com as duas juntas. Guardou o telemóvel e despediu-se:
- Tenho que ir. Amanhã mesmo vou falar com os meus pais. Eles vivem em Coimbra, tenho que ir no comboio da manhã, e voltar à tarde. Vou começar a trabalhar na segunda-feira. Adorei conhecer-vos, - disse pondo-se de pé para se despedir.