-Que se
passa Sofia? O que foi que eu disse, para ficares assim? Será que
te arrependeste?
Arrependida?
Ela? Não, de modo algum. Olhou-o por entre as lágrimas.
-Não é o
que disseste. É o que vais dizer…
- O que
eu vou dizer? - Franziu o sobrolho, enquanto pensava que as mulheres, eram bem mais
complicadas, do que aquilo que ele gostaria que fossem. Especialmente aquela, que era sua mulher. – Não
entendo.
-Disseste
que temos que falar do que aconteceu. Calculo que me vais dizer que não devia
ter acontecido, que estavas cansado, que não desejavas...
Ele
estendeu a mão e pegando-lhe no queixo, obrigou-a a olhar para ele.
-
Calculas mal, Sofia. Se eu sonhasse que não seria rejeitado, já teria acontecido à muito.
Tocaram
sinos no coração de Sofia? Ela seria capaz de jurar, que ouvia os carrilhões de Mafra, em dias de festa.
- Queres
dizer que …
- Que
aprendi a amar-te, querida! Foste como um delicioso vinho, cujo aroma se foi
infiltrando em mim, até me deixares completamente embriagado, - disse acariciando-lhe a face com ternura.
