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25.2.19

CAMINHOS... POR TERRA E MAR


Duas palavras para dar notícias.
Ontem foi um dia muito macaco, em que por duas vezes tive que recorrer aos comprimidos para as dores, Felizmente a noite compensou, dormi razoavelmente e estou relativamente bem.
Tenho saudades de ler, escrever, de conviver com colegas e amigos, da vida que tive até Dezembro.
Vamos a ver o que o professor vai dizer amanhã depois dos exames, sendo certo que ele me avisou a semana passada que esta recuperação vai ser lenta.
E é tudo por hoje. Espero que estejam todos bem de saúde e que tenham uma boa semana.

Não se preocupem, durante o bocadinho que venho aqui, tenho o cuidado de vendar o olho operado agora e usar óculos escuros porque a luminosidade incomoda o que foi operado em Dezembro.

25.2.18

CARLOTA - PARTE II



foto minha, de um dos armazéns da Seca da Azinheira.

No final do primeiro ano de safra, Carlota juntou os seus trapinhos, e o pouco dinheiro amealhado, e foi à aldeia. Há quatro anos que não via os pais, nem os irmãos, alguns tinham casado entretanto, tinha família, que ainda não conhecia.
Tinha quinze anos mas não aparentava nem treze, pois continuava miúda e franzina, embora cheia de genica. Depois de abraçar os pais e irmãos, conhecer os cunhados e até um sobrinhito, nascido entretanto, começou a procurar trabalho nas quintas da aldeia. Afinal iria permanecer lá até ao final de Agosto, altura em que pensava voltar ao sul, para a safra do bacalhau. E nessa vida o tempo foi passando, os anos foram fazendo o seu trabalho e aos dezoito anos, Carlota, era uma bela jovem, apesar do seu escasso metro e cinquenta. Tinha uma farta cabeleira que usava sempre entrançada, uns grandes e expressivos olhos castanhos, que iluminavam um rosto bonito, de nariz fino e boca pequena. Bem proporcionada de corpo, não lhe faltavam pretendentes, mas a jovem achava que era muito nova para se prender, queria algo diferente da vida, algo mais do que encher-se de filhos como a sua mãe e irmãs, e então pensava que quanto mais tarde isso acontecesse melhor.
Mas a vida, ou o destino, ou lá o que fosse, fez com que nesse ano, o patrão se enrabichasse por ela. Na verdade já no ano anterior ela notara que ele a olhava de maneira estranha. Mas como a jovem sempre ia e vinha acompanhada de outras trabalhadoras, a coisa não passou disso mesmo.
Porém naquela noite de Julho, quando ela regressava a casa, foi surpreendida pelo homem que a tomou à força. Consumado o ato vil, ainda a ameaçou, dizendo que se ela contasse a alguém, o seu pai ia aparecer morto num qualquer valado, daqueles caminhos, sem ninguém saber como.
Ferida no corpo e na alma, a jovem engoliu o choro, disfarçou o melhor que pode, a dor e a raiva que sentia, e no dia seguinte, despediu-se dos pais dizendo que estava farta do trabalho no campo, e que ia para casa da irmã na Seca. De resto estava-se nos finais de Julho, faltava um mês para a safra começar, podia ser que a aceitassem para a limpeza dos armazéns, que faziam sempre antes dos navios chegarem.
Cedo, a irmã e o cunhado notaram que Carlota estava diferente. Antes parecia um rouxinol, sempre cantando, agora estava triste calada. O sorriso fácil e bonito de antes, parecia agora um esgar. Até a paciência para as brincadeiras com os sobrinhos perdera.