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8.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XX





No regresso a casa, os dois mantiveram-se em silêncio, como se cada um se tivesse isolado no seu próprio mundo. A distância entre as duas moradas era curta e àquela hora da noite, as ruas sem movimento foram percorridas em poucos minutos. Salvador estacionou o carro junto ao número setenta e sete, e saiu, para acompanhar a jovem até à porta.
- Não me convidas para uma bebida? – Perguntou, sem vontade de lhe largar o braço
- Não seria uma boa ideia. Serás capaz de entender, como me sinto? As emoções que vivi esta noite, e a hecatombe que vem por aí, se aquilo que pensamos for verdade? Se eu fui trocada na maternidade, quer dizer que durante toda a minha vida usurpei a vida da verdadeira filha de meus pais.  E onde foi parar a filha deles?
-Percebo que deva ser muito difícil. E como fui eu que despoletei esta "bomba", quero estar contigo, para te apoiar no que precisares. Por isso estive a pensar, que te vou levar a Coimbra amanhã. A que horas posso vir buscar-te?
-Eu pensava ir no comboio da manhã e regressar no meu carro à tarde. Deixei-o ficar lá, porque não sabia onde iria morar, mas agora que já me instalei, preciso dele aqui, para quando quiser ir visitá-los.
-Podes deixar o teu carro para outra ocasião. Não sabes como vão reagir teus pais, nem em que estado emocional, ficarás. Não vais conduzir assim. Eu levo-te e trago-te, está decidido. Venho-te buscar às nove horas. Está bem para ti?
- Se fazes mesmo questão, fico-te muito grata.
Levantou o rosto, para lhe dar um beijo rápido na face, e entrou no prédio, sem lhe dar tempo para reagir.
Salvador voltou ao carro, e dirigiu-se ao seu apartamento. Sentia-se culpado por ter despoletado uma situação que por certo ia trazer sofrimento para várias pessoas. Porque havia ele de ter ficado parado num engarrafamento, no local e no momento em que Anete passava com o irmão?  Depois do que viu, não tinha mais hipótese de escapar. Tinha a certeza de que o próprio Raul teria acreditado tratar-se da sua esposa.
A única que ganhava com a situação era Ana Clara. Adotada por um casal sem filhos, nunca soube o que era partilhar com um irmão, alegrias e tristezas, pensamentos e emoções. Ela sim ia ficar muito feliz.
Bom, a roda do destino, estava em marcha. Não havia com pará-la.
Ele apenas podia oferecer a sua ajuda. Para minimizar os estragos.
Entrou em casa, serviu-se de uma bebida. Olhou o relógio. Onze e meia. Era ainda cedo para se deitar. Gostaria que a jovem o tivesse convidado a entrar. Sem segundas intenções nem tentativas de sedução, apenas para conhecer o local onde vivia. Uma casa, diz muito da pessoa que nela habita. E ele gostaria de conhecê-la melhor. Enfim, haveriam decerto outras oportunidades.


Já tenho Internet, depois de me terem posto um modem novo. Estou a retomar as visitas. Entretanto neste capítulo encontra-se o nome que eu pensei para o titulo. São capazes de o encontrar. Se sim, qual é a vossa opinião?