Os três homens puseram-se de pé, quando eles entraram, na sala, e por momentos ficaram em silêncio, a olhar para os recém-chegados. Melhor dizendo a olhar Ana Clara. Por muito que tivessem ouvido falar na semelhança entre as duas, ainda assim a surpresa foi grande. Anete encarregou-se de os apresentar, e depois o dono da casa aproximou-se de Ana Clara.
-Sê bem-vinda, filha. Quero que
saibas, que estamos muito felizes por te conhecermos, e que esta casa estará
sempre aberta para vos receber, - disse estendendo-lhe os braços, onde a jovem
se refugiou emocionada.
Talvez para quebrar um pouco a emoção, Luís
disse:
-Tenho que ir à pastelaria onde
tomei o pequeno-almoço. Não sei o que me puseram no café que estou a ver
dobrado.
Todos riram e as apresentações
prosseguiram em clima mais leve, até que chegou a vez da dona da casa, que
entretanto viera da cozinha para cumprimentar as visitas.
- Estás muito bonita. Se existe
um outro mundo, onde se pode ver o que se passa por cá, Antónia deve estar tão
feliz como eu, por vos ver juntas.
- Anete, disse-me que a senhora
conheceu a minha mãe biológica.
- E verdade. Viveu connosco
algum tempo. Tinhas três meses quando se foram embora. Andei remexendo as fotografias antigas, e encontrei duas da Antónia. Depois do almoço, mostro-vos.
Entretanto Teresa, fora ao
quintal buscar os filhos, para lhes apresentar as crianças recém-chegadas. Com
a naturalidade própria da infância, os dois meninos logo quiseram mostrar aos
outros o quintal, e os quatro foram brincar, alheios à emoção dos adultos.
Depois as quatro mulheres
voltaram para a cozinha, deixando os homens em animada conversa na sala.
Um quarto de hora mais tarde, a
campainha tocou e Anete apressou-se a ir abrir. Na sua frente, com um bonito
ramo de rosas, Salvador saudou-a sorrindo.
- Desculpa se me atrasei, mas
foi premeditado. Queria que a família vivesse a emoção deste encontro sem a
presença de estranhos – disse saudando-a com um breve beijo nas faces, saudação
social tão em voga nos dias de hoje.
- Tu não és um estranho. És o
cunhado da minha irmã.
- Sei, e tu és a cunhada do meu
irmão. Não me esqueci, - disse sorrindo.
- Entra, daqui a pouco a
família vem ver quem está à porta.
-Obrigado, - disse e
estendeu-lhe o bonito ramo.
- São para mim? – Perguntou espantada
- Não, são para a tua mãe.
É a dona da casa, e foi dela a ideia de me convidar, segundo me disseram.
Anete levou-o até à sala, para o
apresentar aos irmãos. Não pôde deixar de reparar no olhar inquisitivo com que
o brindaram, depois de olharem para o ramo de flores. Deu por si a pensar.
“ Não têm emenda. Pobre
Salvador, não sabe que acaba de mexer num vespeiro”
Sorriu dizendo.
- Vou entregar as flores à sua
legítima dona. Tenho a certeza que vai querer agradecer-te. E não deixes que os
meus irmãos te incomodem.
Saiu, em direção da cozinha, e
pouco depois, a dona da casa, vinha saudá-lo.
