Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta abstinência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta abstinência. Mostrar todas as mensagens

2.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XIV





Ele aproximou-se e colocou as mãos sobre os seus ombros. Um violento tremor, apoderou-se do corpo dela, como se tivesse sido vítima de um choque elétrico. Ele sentiu-o, como sentiu a reação do seu próprio corpo. Levantou-lhe o queixo, e os olhos quase negros mergulharam nos dela. Daniela sentiu que ele a ia beijar, e mentalmente amaldiçoou-se, por não sentir forças para o repelir. Teve vontade de cerrar os olhos, para esperar o inevitável, mas aguentou firme o olhar intenso, dele.
Durante um longo minuto, que lhe pareceram horas, mantiveram-se assim. Depois subitamente largou-a, meteu as mãos nos bolsos, das calças e saiu.
Ela deixou-se cair na cadeira mais próxima, consciente de que não tinha forças nas pernas para se manter de pé.
Passou a mão tremente pela testa. Tinha consciência de que desejara que ele a beijasse. Mais, desejara até muito mais que um beijo. E era apenas a segunda vez que se viam. A culpa era da abstinência, a que se sujeitara desde que se divorciara três anos atrás. Raios, porque havia o irmão de tê-la metido em tal situação?
Não podia ter arranjado um sócio medíocre e insignificante? Tinha que ser logo a reincarnação do próprio Apolo? Como é que podiam continuar uma relação profissional dali para a frente?
O som do telemóvel afastou-a dos seus pensamentos. Era Sandra a sua melhor amiga. Tentando recompor-se atendeu.
- Dani? Não esqueceste o nosso jantar  hoje, pois não?
- Não, claro que não. Vou já sair. Encontramo-nos no restaurante às oito?
-Foi o que combinamos. A Teresa telefonou a avisar que não pode vir. A filha está com febre. De resto, excetuando o Luís, que está em Londres, estão todos.
-Até logo então. Preciso de ir.
-Até logo.
Saiu quase a correr. Tinha esquecido o jantar de convívio que os antigos  colegas da faculdade tinham organizado para aquela noite. E faltavam menos de duas horas. Conduziu tão rápido quanto o trânsito lhe permitiu até casa. Tomou um duche, escolheu um vestido preto, subido à frente, com uma espécie de gola em pedraria, que dispensava o uso de qualquer joia, mas que lhe deixava as costas completamente nuas, acentuou o verde dos seus olhos com uma ligeira maquilhagem e deixou livres e soltos os belos cabelos castanho escuros.
Olhou-se ao espelho e sorriu para a imagem que ele lhe devolvia.
Não se parecia nem um pouco com a empresária de horas atrás.
Era uma mulher muito bonita, na plenitude da vida, e embora tivesse decidido que nunca mais confiaria em homem algum, isso não era motivo para não gostar de se arranjar.
Dez minutos antes das oito, estacionava no parque do restaurante e encontrava-se com alguns dos colegas que já aí esperavam pelos restantes.
Foram abraços e beijos distribuídos com alegria entre os que estavam, e os que iam chegando, num ambiente de sã camaradagem.