- Não digas isso meu filho. És jovem, e algum dia esquecerás, embora isso hoje, te pareça impossível. E eu? Será que não pensas em mim, filho da minha alma?
Havia lágrimas na voz e nos olhos da idosa. Estivera bastante doente, e ainda andava com dificuldade, razão porque chegara tarde.
- Eu também fiquei sem o meu homem, e Deus sabe como lhe queria. Mas que seria de ti, se eu me deixasse levar pelo desespero? Por ti tive de viver. Sofri muito meu filho. Santo Deus como sofri. E hoje, queres acabar comigo, acabando contigo?
Tinha-o apertado nos braços, e choravam. Mãe e filho abraçados comungavam da mesma dor. Clara ficou a olhá-los enternecida. Na verdade sempre tivera um fraquinho por Pedro, mas ele escolhera outra na hora de formar família.
- Mana, olha toda a gente já foi embora - disse a pequenita, puxando-lhe a saia.
Era verdade. Clara que só tinha olhos para o homem que amava, nem se apercebera.
- Mãe, mãe, perdoe-me. É que sofro tanto!
A frase saíu entrecortada, como se quisesse engolir o soluço que lhe apertava a garganta.
A frase saíu entrecortada, como se quisesse engolir o soluço que lhe apertava a garganta.
- Mas olhe minha mãe, não se preocupe. Eu julgava que tinha perdido tudo e não é verdade. A mãe precisa de mim e eu vou viver para si. Que Deus me perdoe a minha insensatez.
- Vamos Pedro. Já todos se foram embora. A tua mãe esteve doente, e ainda não pode abusar das suas forças. Vamos andando.
- Vamos sim, filha. E tu, meu filho, dá-me o teu braço e ampara este velho corpo cansado.
Deram-lhe o braço, e cada qual do seu lado, ajudaram-na. Na frente dos três a irmãzita de Clara, tentava apanhar uma borboleta, cantarolando com a inocente alegria das crianças.
Esta história termina amanhã.
Esta história termina amanhã.
