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10.9.18

HISTÓRIAS DE ANTIGAMENTE - O BACALHAU


 Foto da net.  Nela se pode observar o Hortense, o Argus, o do meio que não dá para observar, mas tem 4 mastros e ao fundo o Gazela I.



Na verdade quando nos sentamos à mesa para saborear um bom prato de bacalhau, na esmagadora maioria das vezes não pensamos em como o bacalhau já foi importante na economia portuguesa.
Se a primeira referência à pesca do bacalhau pelos portugueses, data de 1353, a verdade é que noruegueses já vinham buscar sal a Portugal para salgar o bacalhau o que prova que já nessa altura o “fiel amigo” tinha muitos admiradores.
A cura do bacalhau, foi uma revolução na conservação de alimentos, já que passariam ainda alguns séculos até à invenção dos frigoríficos, e os alimentos estragavam-se rapidamente.
Salgar e secar os alimentos, veio garantir que estes não só, se conservavam em perfeitas condições, como mantinham todos os nutrientes e o paladar.
Empenhados nos descobrimentos, cedo os portugueses tiveram conhecimento da Terra dos Bacalhaus, a Terra Nova, e a Gronelândia. e logo pensaram que seria a melhor maneira de combaterem a fome que no séc. XV grassava na Europa. Portugal foi dos primeiros a começar a pesca do Bacalhau, logo seguido pelo resto da Europa.
No séc. XVI Portugal tinha uma frota de mais de 150 navios que partiam em finais de Abril, princípios de Maio e regressavam em Outubro com mais de três mil toneladas de bacalhau.
 Porém em 1580 a perda da Independência para Espanha, parou esta actividade e durante os 60 anos da ocupação espanhola, os franceses e holandeses apoderaram-se daquelas águas.
 Mas foi nos finais do século XIX que a industria da pesca de Bacalhau pelos portugueses teve a sua grande expansão, pela mão da família Bensaúde, que iniciara a sua atividade comercial nos Açores em 1820, como importadora e exportadora de têxteis originários do Reino Unido, e exportadora de cereais e laranjas, criando um grupo de empresas de origem familiar.
Em face do êxito obtido, o grupo foi-se expandindo para novos projetos, e outras zonas de atuação, fazendo investimentos na área financeira e industrial, até que o Açores se tornaram muito pequenos para os seus projetos, e os seus negócios.
Assim em 1870 a Bensaúde & Cª Lda transfere a sua sede para Lisboa, e cria a Parceria Geral de Pescarias, Lda. empresa especializada na pesca do Bacalhau, e a Empresa Insulana de Navegação, que passa a ligar o continente aos Açores e Madeira. A Parceria Geral de Pescarias, situava-se na Azinheira Velha, Barreiro.
O objetivo desta Parceria, era a industria da pesca em todas as águas. A 16 de Março de 1891, a Parceria comprou à Bensaúde todos os seus navios, bem como todos os apetrechos de pesca.
É da Seca da Azinheira, que já apareceu nalgumas das minhas histórias, nomeadamente no Rosa, único livro publicado até ao momento, que vos vou contar tudo sobre o"fiel amigo"
 A Parceria Geral de Pescarias, Ldª possuía quatro veleiros de pesca á linha, a saber, o "Gazela I" cuja foto se apresenta no início do poste, e que fez a última viagem de pesca em 1969. Dois anos depois foi vendido para a América, para Museu Marítimo de Filadélfia, e em 1985, o Gazela foi transferido para Philadelphia Preservation Guild, uma corporação sem fins lucrativos que agora mantém e opera o navio com a ajuda de doadores e voluntários, enviando-a como Tall Ship Filadélfia aos eventos acima e abaixo da costa leste dos EUA onde ainda navega.
 O Creoula, adquirido em 1980 pela Secretaria de Estado das Pescas, e que é hoje o navio escola que todos conhecem na Marinha Portuguesa.

O Creoula.  Foto da net.




 Foto do Argus em Ílhavo, à espera da recuperação. Foto daqui


O Argus, que fez a sua última campanha em 1970 e que foi depois adquirido por uma empresa canadiana. Mais tarde esta mesma empresa vendeu-o para uma empresa de navios turísticos de Miami que o rebaptizou de Polynesia II e o pôs a fazer passeios turísticos entre ilhas no mar das Caraíbas. Posteriormente regressou a Portugal, tendo sido comprado num leilão em Aruba, pela Empresa Pascoal & Filhos, S. A., com sede na Gafanha da Nazaré, que projecta a sua recuperação para o pôr a navegar ao serviço do Turismo. Esta mesma firma já recuperou o Santa Maria Manuela, um lugre gémeo do Argus e do Creoula.  O Hortense, um navio de três mastros parecido com o Gazela. O Hortense foi oferecido ao estado português para um museu marítimo. Semi abandonado no mar da Palha, acabou afundando-se depois de um incêndio que não se sabe como começou.
 E desde 1958 o Neptuno, um navio motor, que efectuou pescas durante 20 anos sendo depois transformado em navio congelador em serviço nos Açores, tendo sido desmantelado em Alhos Vedros em 1992.


 O  navio-motor Neptuno. Foto daqui

Nota:  Este post foi construído com conhecimento próprio e com ajuda dos arquivos do Oceanário de Lisboa




Continua