O CONVITE
Dezembro avançava frio, alternando por entre dias de chuva e
nevoeiro. Estávamos a poucos dias do Natal e o sol que
tanto amamos, andava arredio há duas semanas. Terminei o dia de trabalho,
encerrei o computador, vesti o casaco e saí. Apesar do tempo frio, havia muita gente
nas ruas, cujas montras muito iluminadas, mostravam os mais diversos artigos
alusivos à época.
Morando perto do
escritório onde trabalhava, em menos de dez minutos estava em casa.
Despi e pendurei o casaco no bengaleiro,
descalcei os sapatos de salto, que me faziam as pernas, mais esbeltas e
bonitas, enquanto me atormentavam os pés com dores. Estendi-me no
sofá tentando relaxar, mas logo a campainha tocou.
Descalça, aproximei-me da
porta e espreitei pelo óculo. Espantei-me
ao ver o Pedro. Não era para menos, pois o julgava ainda em Londres. Abri
a porta e ele entrou carregando uma mala que pousou no chão a seu lado e então
abraçou-me com força e estalou dois ruidosos beijos no meu rosto.
Não estranhei, éramos amigos desde criança, ambos filhos únicos, encontrámos um no outro os
irmãos que nunca tivemos. Sentámo-nos no
sofá e então ele disse:
-Desculpa, ter aparecido assim de repente, mas a nossa amizade deu-me a confiança necessária para fazê-lo.
Segurou-me as mãos, os olhos brilhantes de felicidade e então
contou-me como conheceu a Isabel, a sua fantástica história de amor, terminando com o convite para sua
madrinha de casamento.