FLOR SUBENTENDIDA (481)
Há em
ti uma flor subentendida
e,
enquanto a razão apenas presume,
hesitante,
ela
caminha segura na pele do instinto
à
procura da seiva,
infiltra-se
nos poros e enlouquece a melodia
que até
aqui me soava mortiça nas fontes.
Cheiras
a terra e à frescura da resina,
tens a
forma de flecha
que me
perfura o peito em desejo,
fazendo
rebentar da minha carne
a
miragem que deseja tornar numa certeza
a tua
flor subentendida.
Mostra-me
o corpo
com o
peito a dançar nas minhas mãos,
para
que beba da tua boca a chama e a terra,
para
que inunde com a minha resina de verão
o
orvalho da tua primavera .
Jaime Portela , pode ser seguido no seu blogue RIO SEM MARGENS