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11.4.23

POESIA ÀS TERÇAS - JAIME PORTELA

                      

FLOR SUBENTENDIDA (481)


 

Há em ti uma flor subentendida

e, enquanto a razão apenas presume,

hesitante,

ela caminha segura na pele do instinto

à procura da seiva,

infiltra-se nos poros e enlouquece a melodia

que até aqui me soava mortiça nas fontes.

 

Cheiras a terra e à frescura da resina,

tens a forma de flecha

que me perfura o peito em desejo,

fazendo rebentar da minha carne

a miragem que deseja tornar numa certeza

a tua flor subentendida.

 

Mostra-me o corpo

com o peito a dançar nas minhas mãos,

para que beba da tua boca a chama e a terra,

para que inunde com a minha resina de verão

o orvalho da tua primavera .

 

Jaime Portela , pode ser seguido no seu blogue RIO SEM MARGENS