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16.11.22

CENTENÁRIO DE JOSÉ SARAMAGO 16/11/1922 - 16/11/2022



Cada Um De Nós É Por Enquanto A Vida | Poema de José Saramago 

Escolhi este poema para marcar o dia do centenário de José Saramago, até porque ele revela a preocupação do poeta pela terra que é a nossa casa enquanto por aqui passamos.
Os amigos sabem que gosto imenso dos poemas de Saramago. Dos romances que li, apenas quatro adorei o Levantado do Chão, A Jangada de Pedra, e A Maior Flor do Mundo. Curiosamente de O Memorial do Convento, não gostei. Nem mesmo depois da visita de estudo ao convento e das explicações da guia.

18.6.16

PORQUE HOJE É SÁBADO...

Porque hoje é sábado, e principalmente porque faz 6 anos que José Saramago nos deixou, aqui vos deixo a minha homenagem ao autor que é o nosso único Nobel em Literatura.
Um dos muitos poemas que escreveu, e que se encontram dispersos por três volumes.

"Os Poemas Possíveis"  "Provavelmente Alegria" e " O ano de 1993"

Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos. 

Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito. 

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há-de vir. 

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

18.6.10

MORREU JOSÉ SARAMAGO



Poema à boca fechada


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago ( do livro Os poemas possíveis)

Não vou falar de Saramago. Outros o farão melhor que eu. Deixo esta singela homenagem no dia em que nos deixou para essa inevitável viagem que todos faremos um dia.
E fico com a certeza de que o mundo, ficou hoje mais pobre.