- Faço qualquer coisa, para descobrir o que se passou.
- A minha ideia é a seguinte. O senhor vai apresentar-se na sua terra. Vai dizer que foi atropelado, esteve hospitalizado, apaixonou-se pela enfermeira que cuidava de si, e deseja casar o mais rápido possível. Esperamos que ao sentir que com o casamento, a herança lhe fugirá de vez, o Joaquim perca a cabeça e faça alguma coisa que o incrimine. E aí temos a prova que precisamos para o apanhar. É um risco, mas é um risco relativo.
A enfermeira que estará sempre consigo, é uma das nossas melhores agentes, e para além dela, temos já na Póvoa, dois agentes à paisana, atentos a todos os movimentos do suspeito. Claro que terá que obedecer rigorosamente ao que a sua “noiva” lhe disser. Tem que ter presente, que qualquer atitude irrefletida da sua parte, pode por em risco não só o nosso plano, como a sua vida.
- Cumprirei à risca o que me for indicado. E quando devo começar?
- Faltam dois dias para o Ano Novo. Que tal no próximo dia dois. Pode ser?
- Por mim até podia ser já. Não vejo a hora de ver isto resolvido. E a polícia americana, já foi avisada?
- Já os pusemos ao corrente do que se passa, e pedimos para não divulgarem a notícia do seu aparecimento até acabarmos a investigação. Sabemos que as televisões estão a seguir o caso, e não queremos que a notícia seja divulgada antes de tempo.
- Mamã, tenho fome! – reclamou o pequeno Diogo, irrompendo na sala.
- Vamos já lanchar, filho. Desculpem-me – disse levantando-se e dirigindo-se ao menino.
O Inspetor levantou-se.
- Também já acabei. Desejo-vos uma boa passagem de ano, - disse estendendo-lhe a mão.
- Obrigado. Desejo-lhe o mesmo, - disse ela retribuindo o cumprimento e seguindo com a criança para a cozinha.
Fernando acompanhou o inspetor à porta e aí se despediram:
-Feliz Ano Novo, inspetor
- Feliz Ano Novo, Fernando. E os meus parabéns. O senhor é um homem muito rico.




