22.7.13

SEM TITULO - II PARTE




Acordou sobressaltado com o toque do telefone. Atendeu e do outro lado uma voz maviosa, falou o seu nome. Ficou surpreendido e irritado. Quem tinha o desplante de lhe ligar, numa hora tão imprópria.
-João, estás-me a ouvir? Fala a Cecília, não te lembras de mim?
- Bom... gaguejou João enquanto tentava descobrir, quem raio era aquela Cecília, que parecia conhecê-lo tão bem.
- Estou a ver. Não te lembras de mim é o que é. Devia ficar zangada sabes? Não te lembrares da tua primeira namorada...
- Cecília Pedrosa? - perguntou incrédulo
- Ah! Afinal lembras-te, - disse soltando uma sonora gargalhada.
João raciocinava a mil. Cecília Pedrosa. Mas então ela não estava no Brasil? E como é que se lembrara de lhe telefonar? E como obtivera o nº do seu telefone?
- Cheguei ontem do Brasil. E acabo de encontrar a Sandra que me deu o teu nº.
“Diabos, parece que escutou os meus pensamentos”, pensou.
- Olha, - continuou Cecília do outro lado. Estamos aqui em Alcântara, num barzinho que tu conheces bem, segundo diz a Sandra. Não queres vir ter conosco?
Sandra era a irmã do Zé. O bar só podia ser o que costumavam frequentar. Sandra era uma boa amiga. Não daria o seu número, a qualquer uma.
E depois Cecília tinha sido a sua primeira namorada, ainda antes da faculdade. Mas depois fora para o Brasil e nunca mais soubera dela... Estaria casada?
- Então João? - a voz do outro lado soava com impaciência
- Eu vou - numa fração de segundo João resolvera arriscar. Afinal era noite de Sexta-feira, no dia seguinte poderia dormir até tarde.
Desligou o telefone e dirigiu-se ao quarto para se vestir. Veio-lhe novamente à memória, uma pergunta? Estaria casada? Sacudiu a cabeça. Decerto que não. Uma mulher casada, não telefona a um ex-namorado convidando-o a sair. Continuaria bonita? Já lá iam uns bons anos. Mentalmente fez contas. Deve estar com 36 anos, murmurou para si enquanto fechava a porta.
E caminhando a passos largos dirigiu-se ao elevador.


Continuo à espera das vossas sugestões para o titulo do conto.


Desejo a todos que por aqui passem, uma boa semana

13.7.13

LOUCA PERIGOSA


Louca Perigosa


Deixem-me ir para a rua
quero gritar
chorar
cantar.
Quero levantar bem alto
a bandeira
do desespero.

Quero rir-me de ti
de mim
de todos nós.
Quero que os bandidos
chorem
a dor
e a vergonha
de o serem.

Quero dar pão
A quem tem fome
e dar água aos sedentos.
Quero dar amor
carinho
ternura
a quem vive só.

Quero sofrer com o presidiário
e sorrir feliz com os noivos.
Quero dar um lar aos órfãos
E trabalho a quem o procura.
Quero que todos os políticos
unam esforços
numa aliança firme
por um mundo melhor.

Quero acabar com o terrorismo
e as penas de morte.
Quero acabar com a fome
a poluição,
e a guerra.

Deixem-me ir para a rua
Deixem-me erguer bem alto
a minha bandeira.
E escrevam depois nos jornais
Que anda por aí à solta
Uma louca perigosa.

Elvira Carvalho 


Aos amigos que me honram com a sua amizade e a quem costumo visitar, devo um pedido de desculpa por esta ausência. Alguns de vós sabe que o maridão venceu o ano passado um cancro depois de várias sessões de radioterapia. O mês passado surgiu um problema que nos assustou e que levou o médico que o segue no hospital, a pedir vários exames, entre os quais uma rectosigmoidoscopia e uma colonoscopia. Foi um mês  de muita preocupação, e que me tiraram a vontade de por aqui andar. Graças a Deus não é nada de grave, tratou-se de uma infecção nas micro lesões provocadas pela radioterapia. Segundo os médicos, nada que um tratamento durante um mês, não resolva. Entretanto as altas temperaturas, também me deixaram de rastos e sem inspiração para nada. Retomo agora as visitas aos vossos cantinhos.



BOM FIM DE SEMANA