26.2.08

A SEDE DO SEM-ABRIGO


Foto retirada da net


Na noite escura
perdido e confuso.

O vento forte
açoita o mendigo.

perdido da vida
sòzinho na noite
da natureza em fúria.

Treme de frio e sede.

De joelhos apalpa
o chão lamacento.

E a chuva
não lhe mitiga
a imensa sede
de carinho
que lhe corrói
as entranhas.

35 comentários:

Maria disse...

Este teu poema arrepiou-me, Elvira.
Descreves de uma forma intensa mas carinhosa um dos flagelos sociais que vimos por aí nas cidades...
... e tantas vezes fechamos os olhos porque nos incomoda...
Embora saiba que há pessoas sem-abrigo que assim querem continuar, porque "fogem" das casas/quartos que lhes são arranjados, é uma situação que alastra cada vez mais e à qual nunca ficamos indiferentes.

Obrigada por nos fazeres pensar nos nossos "sem abrigo"...

Um abraço forte

Uma vencedora disse...

Amiga,

A realidade é tão trsite!!!

Aqui no Rio de Janeiro os mendigos e as crianças ficam a mercê desse toda imundicie...

Bjs

Janaína

Georgia disse...

Bom dia Elvira!!!

É uma triste realidade.

Abracos

Azul disse...

Ah, quem me dera ter algum dinheiro que pudesse servir para tirar o sofrimento a tanta gente...

Filoxera disse...

Boa ideia, esta de lembrar quem é constantemente esquecido.
Beijos.

São disse...

Ler este seu poema tão duramente bem escrito ao som da voz inesquecível de José Afonso cantando às crianças cada vez mais numerosas que subvivem nos bairros infinitamente negros deste Portugal trinta anos após Abril...é de nos deixar destroçados!
E não consigo dizer mais...

Dualidades disse...

Infelizmente, cenas destas vêm-se todos os dias nas ruas de Lisboa (e não só).

Dualidades JP

Caixinha de Surpresas disse...

Olá Elvira,
deixa-nos mesmo muito tristes ver pessoas tão necessitadas e que com tão pouco poderiam ser ajudadas...
Beijinhos,
Orlanda

Mocho-Real disse...

Poema de uma alma sensível à dor alheia.

Um abraço meu.

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Meus ajudantes de cozinha são uteis, pois me avisam quando as coisas estão prontas!
São fiéis colaboradores, pois quando se tem 6 panelas no fogo, ao mesmo tempo, precisamos de quem nos alerte da hora!

Quanto ao seu post sobre prêmios, acho isso também uma bobagem, tanto quanto acho outra bobagem os desafios de falar de si em 6, 8 10 ou 12 itens!
Falar quem somos já o fazemos quando postamos nossas mensagens!
As pessoas ficam sabendo o quanto somos sinceros, corajosos, objetivos, justos, e outras qualidades!
Esses desafios que tenho visto fazerem, e nossos companheiros acabam por obedecer, mais me parece uma curiosidade infatil de se querer saber quem é melhor, "eu ou meu amigo!".
Considero uma falta de imaginação ficar induzindo alguém a fazer ou escrever o que achamos ser interessante!
O blog é a manifestação mais pessoal e mais caracteristica de seu próprio autor, pois sendo uma comunicação pessoal, é a cara do seu dono!
Para quê saber mais?
Para testar a criatividade do autor, sua erudição?
Besteira de quem não tem idéias próprias, nem imaginação!
Para suas concordâncias ou discordâncias há a janela de comentários, que com raras e honrosas exceções, quase nunca é usada para isso!

Santilli

ester disse...

Triste realidade que revela as injustiças desse mundo.
Excelente registo!!!
Bjo!

mjf disse...

Olá!

Um texto muito actual infelizmente...
Realidade...nua e crua.

Beijocas

Odele Souza disse...

Querida Elvira,

A realidade contido no teu texto é feia, mas teu poema é belo.

Gostei muito e concordo totalmente com o que você escreveu sobre prêmios que já estão se tornando cansativos e acabam por tomar das pessoas um tempo precioso que poderia estar sendo usado de forma mais útil.

Um beijo.

Carminda Pinho disse...

Bom post, para reflectir...

Abraço

Brancamar disse...

Belo poema Elvira sobre um tema que me é muito caro!Estando eu diáriamente numa grande cidade deparo frequentemente com essa realidade e tenho amigos que trabalham no volutariado nessa área.
Há Instituições que vão ajudando mas a solidão que aqui foca é difícil que alguém a mitigue.
Um beijinho

Sophiamar disse...

A injustiça continua! É a
desigual distribuição da riqueza que tanto me revolta. Pão para todos será difícil? Quando deixará isto de ser um sonho?
Um bonito e sentido poema.

Beijinhosssss

Paula Calixto disse...

A se ver... Abandono refletido. O que se faz a ele se faz a si, de bom e de ruim; pode acreditar!

Beijos, querida.

htsousa disse...

Quando alguém consegue viver uma situação simplesmente por a ler, considera-se que está perante arte.

Um dos temas que me deixa um nó na garganta. O anonimato dos dias de hoje, e a indiferença pelos outros, permite que isto continue a acontecer.

Um abraço e bom fim de semana.

Mocho-Real disse...

O meu abraço do dia.

Jorge G.

José disse...

Bonito poema! Esta é a realidade cruel, na velhice de milhares de seres humanos em todo o planeta terra,deixam de ser lucrativos e os seus familiares os abandonam, por vezes com doenças muito graves...Muitos de nós reparamos nestes casos e ajuda-mos, quando podemos; mas também devemos comunicar ás autoridades, quando reparamos que existe um novo caso que nos pareça de abandono, ou de orientação, por motivos de doença. Neste leque aparecem muitos idosos que são procurados pelas familias.
É um acto de solidariedade, prestar atenção á velhice abandonada ou não...?

Um abraço

O Guardião disse...

A realidade constata-se um pouco por todo o lado, e as palavras não a consegue retratar emtoda a sua crueza, mesmo quando tão singelas como estas.
Cumps

Luadosul disse...

Siempre existen estas realidades, que a mi entender, solamente cambiarían, si la esencia de los seres humanos fuera diferente. Me refiero a una gran mayoría, o de lo contrario viviríamos en un mundo mejor!
Un tema que da para hablar y pensar mucho!
Gostei muito de ler-te!
Beijinhos desde longe.

Jose Gonçalves disse...

Ali todas as noites e todos os dias são iguais. A solidão, a fome, a sede , o abandono.... são a companhia de todos os dias.
Tive uma loja em Lisboa, ali bem perto do Marim Moniz que é palco privilegiado de tantos e tantos sem abrigo. Em cima de caixas de cartão, sob um fino cobertor e debaixo de uma arcada, procuram esquecer a companhia que com eles convive minuto a minuto.
Cheguei a oferecer a alguns uns cobertores bem melhores e mais quentes que aceitavam de olhos esbugalhados como não acreditando no que viam. Poucos dias depois esses cobertores desapareciam.
Triste sina. Triste país.
Saio um pouco de onde estou a escrever este comentário porque preciso de apanhar ar...
Um abraço
José Gonçalves

fj disse...

100ABRIGO = "ARTE" DE VIVER

o teu poema é mais direccionado ao mendigo, para mim (hoje em dia)com ALGUMAS diferenças do 100abrigo.
Sabes ja passei mais de uma noite como 100abrigo, mas não como mendigo.(q interessa isso)
um abraço.

Lisa's mau feitio disse...

Querida Tia Elvira,

de uma sensibilidade estas palavras...

Obrigada pela partilha e pela chamada de atenção para a "causa"...

Mil beijinhos, tia mailinda!!

Lisa

Entre linhas... disse...

Minha querida e estimada amiga estou de volta,embora com algumas sequelas,mas sinto-me bastante optimista....
O teu post revela a verdade nua e crua dos sem abrigo,uns por opção outros levados por outros factores que a nossa sociedade impõe.
Bom fim de semana amiga
Bjs Zita

Pena disse...

Linda Amiga Elvira:
Os Sem-Abrigo necessitam de um fervoroso sentimento de amparo, carinho, dedicação e todo o calor humano, pessoal e social que as sociedades deveriam ter em conta.
Ficaria feliz se não os houvesse.
Infelizmente a ética exigida e os responsáveis pelo bem-estar e harmonia sociais ignoram-nos e fecham os olhos a esta problemática muito importante de resolução.
Famílias que os abandonam, como se pode conceber ou pensar nesta atitude? Inconcebíel ao meu olhar e sentir.
Os Direitos Humanos que deveriam contemplar estas PESSOAS são inexistentes em sua defesa, salvaguarda, que pressupõe medidas exemplares e assentes na dignidade humana de acompanhamento merecido, a todos os níveis sociais e de política dos povos.
Quanta amargura de viver? Quanta solidão? Quanto carinho merecem usufruir?
Entendo esta problemática, sempre a entendi assim, peca pela inoperância e falta de sensibilidade dos que se sentam nos "sofás" cómodos e "luxuosos" debitando leis seguidas de leis a seu belo prazer hipócrita sem se aperceberam que o bem-estar e a salvaguarda do sofrimento se exige prontamente.
OLhe, doce amiga, escreveu uma poesia linda. Bem explicíta do seu imenso poder comunicativo que comporta uma mensagem profunda, sentida e de solidariedade imensas.
Os meus sinceros parabéns.
Há tanto a fazer que se esquece.
É tão sensível de beleza, doce amiga? É tão humana e com sentimentos tão magníficos em relação a tudo o que a incomoda e lhe provoca revolta e indignação de uma forma tão terna e linda?
Gostei muito de ler o poema que efectuou com pertinência e actualidade.
Olhe, desejo-lhe toda a felicidade e harmonia do seu extraordinário sentir e ser!
Uma poetisa brilhante que brinca e joga ternamente com as palavras lindas e "nasce" o extraordinário.
Abraço de amizade.
Compreendi a mensagem.
Sempre a admirá-la
Bom fim-de-semana com tudo de maravilhoso e encantador que merece pela beleza e ternura dos seus elevados sentimentos e pensamentos.
SEMPRE presente aqui.


pena

Geo disse...

Olá querida Elvira!!! Saudades...desculpe pelos sumiços, mas o trabalho me tomou quase por completo esta semana, no entanto, quero desejar-lhe um ótimo fim de semana e dizer que minha casa fica mais florida quando por lá apareces.

Amei seu poema, pela simplicidade e nudez...é uma realiadade triste. Noutro dia estava dentro do ônibus indo para casa me sentindo triste, mas passei por um bosque na cidade e vi quatro pessoas, mendingos, cuidando de arrumar sua casa de papelão, chão de lama, mesa de pedaços de cama deixados na rua e pensei: Como sou egoísta? Estou aqui pensando no meu umbigo, mas tenho tudo, saúde, oportunidade, carinho, amigos, comida e cama quente...por vezes somos assim, caminhamos pela rua e lá está um mendigo no chão, as vezes muito velho para ter forças para trabalhar, as vezes jovem e problemático, doente, desempregado, carente...mas gente, como eu, como tu, como todos nós...não seria minha responsabilidade fazer o mínimo? Me sinto responsável sim...não consigo mais fechar os olhos e fazer de conta que não existem, que não estão ali...

Então me lembrei que muitos foram abandonados pelas famílias, desistiram deles, fizeram de conta que não existem, para que não incomodem suas vidas...portanto, o início de tudo é dar valor ao amor que temos, aos pais, aos irmãos, a saúde, cuidar dos nossos, valorizar a família e não abandonar simplesmente, além disso podemos estender a mão, dar um carinho, um apoio, uma ajuda, um aperto de mão, que seja, mas que não fechemos os olhos vingindo que não temos nada com isso...

Um beijo amiga!!! Bom fim de semana!!

Geo

mjf disse...

Olá !
Passei para deixar uma grande beijoca e um abracinho...

Bom fim de semana

Garfio disse...

Un bonito poema, con mucho corazón. Es usted sorprendente. Saludos.

««§εмф†ϊvф»» disse...

=O
É algo tão triste e inflizmente comum pode sim virar poesia. Não a poesia bonita por seus amores, suas histórias mirabolantes, mas sim bonita por mostrar a vontade das pesoas mudar este quadro atrávés de palavras que chocam, que gritam a cada verso.

Beijo

Ray

SILÊNCIO CULPADO disse...

Elvira
Lindo poema. Lindo pelas palavras, pelo calor e pela humanidade numa realidade fria.

Beijinhos

Vieira Calado disse...

E os senhores mandantes deste país... a ver...
Beijinhossss

tita coelho disse...

Triste realidade Elvira! Gostei da poesia muito bem escrita!
beijos

freefun0616 disse...

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