PARA RELAXAR DA AZÁFAMA DA SEMANA. ESPERO QUE GOSTEM. A TODOS UM OBRIGADA PELA VISITA, E UM ÓPTIMO FIM DE SEMANA. E JÁ SABEM PARA VER O VÍDEO POR FAVOR DESLIGUEM A MÚSICA NA SIDEBAR
21.11.09
A Dança das Águas
PARA RELAXAR DA AZÁFAMA DA SEMANA. ESPERO QUE GOSTEM. A TODOS UM OBRIGADA PELA VISITA, E UM ÓPTIMO FIM DE SEMANA. E JÁ SABEM PARA VER O VÍDEO POR FAVOR DESLIGUEM A MÚSICA NA SIDEBAR
18.11.09
MARIA - PARTE V
foto da netO casamento de Maria
Foi neste ambiente de dor e raiva que Maria veio ao mundo.
Quando lhe pegou ao colo pela primeira vez, Elisa jurou que a sua filha não ia ser um joguete do destino como ela fora. A sua menina ia estudar, ter uma carreira, ser independente. Foi o seu primeiro erro. Elisa não se dava conta que a estava a traçar para a filha, a vida que ela quisera ter.
Ao fim e ao cabo com uma meta diferente, mas ela estava a cometer o mesmo erro que cometeram com ela.
Com o dinheiro que o marido lhe deixara, alugou uma casa, montou um atelier e começou a costurar para várias lojas. O trabalho cresceu, as suas criações fizeram sucesso e em breve tinha duas ajudantes no atelier, e contratava uma ama para a filha já que lhe faltava o tempo e a disposição para ela. Foi o segundo erro. A filha ia sentir esse afastamento como uma rejeição.
Maria era a criança mais bem vestida do bairro. A mãe sempre estava fazendo belos vestidos para a filha que mais parecia uma boneca, que menina rica se entretivesse a mudar de roupa a todas as horas. Pouco depois de completar 4 anos ficou doente.
Vários médicos e muitos exames depois foi detectado uma doença óssea. Elisa foi aconselhada a levar a filha para Londres onde havia um médico especializado nessa doença. Ela contactou um dos irmãos que emigrara para lá cinco anos antes e contou o que acontecia com a filha. Recebeu como resposta, as passagens de avião e algumas libras, bem como a afirmação de que as esperava no aeroporto.
Partiram as duas e uns meses depois Elisa regressou sozinha. Não podia estar tanto tempo longe do atelier, e o irmão ficava com Maria até que ela estivesse curada.
Mais uma vez Maria sentiu que não era muito importante para a mãe.
Um ano depois Elisa voltou a Londres para buscar a filha. Segundo os médicos uma cirurgia resolveu o problema da malformação óssea das mães, e com a medicação esperavam que não surgissem novos problemas com o crescimento. Porém Maria nunca poderia vir a ser mãe, porque a sua bacia não aguentaria as transformações de uma gestação.
Custa a crer à luz da medicina actual, que um medico dissesse “nunca”. Porém Elisa sempre repetiu isto ao longo dos anos, tantas e tantas vezes, que Maria foi crescendo revoltada consigo mesmo por se achar inferior. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que comentamos esta história. Maria disse-me. “Eu hei-de ser mãe. Ela vai ver que eu sou capaz” Raras vezes Maria se referia à mãe como tal. Sempre dizia “ela”.
Elisa era muito exigente com a filha. Ela sonhava a filha como um modelo de perfeição, e definitivamente ela era uma criança normal, uma adolescente igual a tantas outras.
E assim Maria foi crescendo com uma relação muito difícil com a mãe. Sentia-se incapaz de ser como a mãe desejava e isso amargurava-a. Para se “vingar”estava sempre a contrariar a mãe. Se esta lhe dizia para vestir umas calças, ela vestia saia, se lhe dizia para vir directa da escola para casa, ela ia para casa de uma amiga.
Maria era meiga com a sua ama. Também comigo. Não com a sua mãe. Era uma relação estranha, como se estivessem sempre medindo forças entre si.
Porém quando a mãe chorava, Maria refugiava-se no seu quarto e chorava também. Era uma estranha relação de amor-ódio que durou muito para além da infância e adolescência. Eu diria até que durou toda a vida.
Quando Maria fez 17 anos começou a namorar, e aí "caiu o Carmo e a Trindade" como soe dizer-se. A mãe não consentia o namoro. E ameaçou manda-la estudar para Londres, telefonou ao irmão para sondar a hipótese de ele receber lá a sobrinha. Resultado? Maria ficou grávida e decidiu que ia casar. A mãe repetiu o que sempre disse sobre uma possível gravidez. E disse mais. Que não ia haver casamento nenhum, que ela ia fazer um aborto, que era uma menina que tinha que estudar, ir para a universidade etc.…etc. …
Maria não se convenceu. Disse que se a mãe não autorizasse o casamento fugia de casa e nunca mais ia saber dela. E mais, ameaçou a mãe de ir à polícia denuncia-la por querer obriga-la a fazer um aborto.
Casou-se num Sábado à tarde. Era o mês de Maio de 1979.
15.11.09
MARIA - Parte IV

Naquela noite custei a adormecer. O reencontro com a Maria trouxe à tona sentimentos que na azáfama diária a gente até esquece. Em tempos houve entre nós uma grande amizade e uma certa cumplicidade. Eu via em Maria a filha que o destino não me quisera dar. Ela via em mim… bom eu sei lá o que na verdade ela via
Elisa, a mãe de Maria era a única rapariga dos sete filhos que seus pais tiveram. A última quando a sua mãe já desesperava com tanto rapaz. Nascera por um “descuido” do pai, porque a verdade é que na aldeia se dizia que sete filhos rapazes, um deles seria lobisomem, e a pobre da avó de Maria, levou os nove meses até ao parto a pedir a Deus que fosse uma menina. Fez até uma promessa de ir a Fátima a pé se obtivesse essa graça. Por isso quando Elisa nasceu foi uma alegria e um alívio sem tamanho.
Elisa cresceu sempre cercada dos cuidados dos irmãos que a tratavam como se ela fosse uma jóia e a protegiam de tudo e todos como se o simples aproximar de alguém lhe pudesse roubar o brilho. Nunca foi brincar com outras crianças a não ser no pátio da escola e sempre debaixo do olhar protector de um dos irmãos. Já adolescente, não saía de casa, onde a mãe a ensinava a costurar, e a fazer lindos panos de renda que haviam de ser para o seu enxoval. Aos poucos os irmãos foram deixando a aldeia rumo à capital em busca de uma vida diferente. Elisa também sonhava com esse dia, mas como deixar a aldeia? Os pais não deixavam, era o que faltava uma mulher solta no mundo. Só se fosse casada. Porém os rapazes escasseavam na aldeia. Não foram apenas os seus irmãos que foram em busca de nova vida. Quase todos os rapazes jovens o fizeram. Alguns foram até para o Brasil. De modo que Elisa foi ficando em casa dos pais e as esperanças de uma vida diferente iam-se desvanecendo com o passar dos anos.
Um dia, o pai de Elisa sofreu uma trombose e em poucas horas morreu. A mulher enlouqueceu. Os vizinhos diziam que fora do desgosto, os filhos também acreditavam nisso, mas a filha sabia bem que há largos meses vinha notando atitudes na mãe que denotavam a caminhada rumo à demência. A morte do marido fez com que a caminhada fosse mais rápida, e aquilo que até aí só a filha notara, passou a ser visto por toda a aldeia.
Elisa cuidou da mãe até ao último momento. Se antes da morte do pai ela não podia sair nem ter amizades porque lhe era proibido, depois ainda que o quisesse, também não o conseguiu. As pessoas olhavam-na com desconfiança e murmuravam entre dentes.
“Coitada, vai acabar louca também”
Depois do funeral da mãe, Elisa arrumou as suas poucas roupas numa maleta e veio com os irmãos para Lisboa. Tinha 29 anos de uma vida de repressão e clausura e nenhuma experiência de vida.
Quando dois meses depois o irmão lhe disse que um amigo queria casar com ela e que ela devia aproveitar, pois em breve envelheceria e já não teria oportunidade de arranjar marido, Elisa aceitou correndo, ansiosa por conhecer uma vida diferente por ter a sua casa, a sua vida.
Alberto, era um homem bom, trabalhador, que a amou e lhe deu uma vida como ela nunca teve.
Ensinou-lhe a tirar partido da sua beleza, ensinando-lhe como se vestir para realçar o seu corpo delgado mas bem proporcionado. Levou-a a um salão, onde lhe cortaram a trança, fazendo-lhe um corte que a rejuvenesceu e lhe tirou aquele ar provinciano que ostentava quando casou. Também lhe ensinaram como usar um batom e uma sombra para realçar a boca e os olhos que já de si eram muito bonitos.
Em pouco tempo nada restava da Elisa que a aldeia conhecia.
Alberto gostava de sair com a mulher que exibia aos amigos com orgulho, e a quem fazia todas as vontades, especialmente quando Elisa lhe disse que ia ser mãe.
Porém Alberto não chegou a ver esse bebé nascer. Morreu uma tarde de Julho quando à tarde regressava do trabalho, colhido por um comboio na passagem de nível sem guarda.
Elisa julgou enlouquecer de dor e raiva. Dor porque aprendera a amar o marido, e raiva contra o destino que parecia não querer que ela fosse feliz.
Continua
A TODOS UMA BOA SEMANA
13.11.09
9.11.09
MARIA - PARTE III

-Boa tarde – saudei ao reconhecê-la. Não me diga que veio ver o pôr-do-sol.
-Olá amiga – respondeu enquanto nos cumprimentávamos. Nem dei por isso. Estava aqui numa de recordar o passado.
- Às vezes recordar é viver. Veio sozinha? – Perguntei intrigada.
- Estou sozinha amiga. A minha vida deu uma volta que às vezes nem eu própria acredito. Vamos andando que lhe conto tudo. Na verdade tinha vontade de passar por sua casa. Mas receava incomodar, e por isso vim para aqui.
- Ora Maria, incomodar? Isso nem parece seu. Vamos embora. E janta connosco.
No silêncio que se seguiu dei-lhe o braço e encetámos a caminhada até minha casa. Eu aguardava que ela falasse. Há quanto tempo não a via? Oito, dez anos talvez. E admirava-me vê-la sozinha. E o marido? Porque não estava com ela?
- Estou divorciada.
Parei. Era surpreendente. Maria sempre tivera esse dom. Adivinhar os meus pensamentos. Quando criança, era uma espécie dum jogo, depois foi transformando-se num hábito. Quantas vezes pensei dizer-lhe alguma coisa, e ela me respondia antes que eu concretizasse a pergunta? Tantas que lhe perdi a conta. Era se para ela os meus pensamentos estivessem escritos na testa. O contrário Também acontecia por vezes. Mas era muito raro.
Naquele momento a minha surpresa era pelo teor da informação.
Conheci-a há quarenta anos atrás. Ela era uma menina e eu mulher feita e casada. Gostei dela assim que a vi, com aquele instinto maternal que nós mulheres temos e que nos faz olhar as crianças e pensar nelas como se fossem um pouco nossos filhos. Maria também se afeiçoou a mim e foi crescendo e alimentando a
Amizade que a unia a mim.
Maria não era uma mulher de grande beleza embora fosse considerada uma mulher bonita. Rondaria o metro e sessenta de altura, de corpo esbelto, rosto oval, olhos verdes rasgados e boca bem desenhada, que mostrava ao sorrir uma longa fileira de dentes alvos. Testa alta, cabelo curto e liso, escuro. O nariz, um pouco comprido, destoava e retirava grande parte da beleza do rosto.
Maria estava casada há quase 20 anos e ela e o marido formavam um dos casais mais apaixonados que eu conhecia. Por isso a sua informação me surpreendeu tanto. Caminhámos em silêncio, eu esperando a confidência, ela perdida nos tortuosos caminhos das duas recordações.
- Não sabe o quanto tenho sofrido. A minha vida desandou e eu fui caindo, caindo até bater no fundo. Agora estou tentando voltar a sentir gosto pela vida. Mas está difícil.
Chegámos a casa, onde o meu marido já me esperava para jantar. Também ele ficou surpreso com a presença da Maria, mas discreto não fez perguntas.
O jantar decorreu numa animação forçada. Maria esforçando-se por mostrar uma alegria que não tinha, e nós fingindo que acreditávamos. O serão decorreu sem qualquer confidência da sua parte, talvez por causa da presença do meu marido, e combinamos encontrar-nos no dia seguinte para ela “lavar a alma” palavras suas ditas baixinho enquanto me abraçava na despedida.
7.11.09
2.11.09
O TERCEIRO FILHO - SEGUNDA FASE - PARTE VIII
Busto de Aristides de Sousa Mendes. Foto DAQUIQuando depois dos Reis, os sogros do Manuel se foram, ficou mais um habitante no barracão. António um dos cunhados mais novos, um rapazote de 14 anos que desejava uma vida melhor do que os campos na terra. Começou a trabalhar na Seca dias depois. No barracão haviam agora 7 habitantes. O casal, os três filhos, o cunhado Luís de 12 anos que tomava conta das três crianças, e António. Mais gente a comer, mas também mais uma pessoa a trabalhar.
Dois dias depois a IBM, lança
A 26 de Janeiro com a libertação do antigo dirigente comunista, Francisco Miguel, o antigo regime encerra o campo de concentração do Tarrafal, que viria a ser reaberto nos anos 60 agora para os defensores dos movimentos de libertação das ex-colónias.
O mês de Fevereiro começa com uma vaga de frio que assola toda a Europa. Portugal não escapa ao frio e a 2 de Fevereiro nevou durante várias horas em todo o país. Lisboa, foi surpreendida por um extenso manto branco, e até o Algarve foi invadido pela neve. Na Seca o pessoal ficou sem trabalho durante vários dias. A água congelou nos canos. No barracão o frio intenso entrava por todas as frestas da madeira, e as mantas de trapo não conseguiam aquecer os habitantes, que de dia se juntavam à roda do fogo e de noite se agrupavam nas camas para se aquecerem uns aos outros.
Em Março nasce
Ainda em Abril, o mundo perde Auguste Lumiére um dos inventores do Cinematógrafo, que contrariamente ao seu irmão Louis tinha entretanto abandonado o cinema para se dedicar à medicina.
Também nesse mês acaba a safra do bacalhau. António arranja trabalho na Vacaria, e Manuel consegue enfim começar a realizar um dos seus maiores sonhos. Abrir um poço, que lhe permitisse ter água não só para a casa mas também para cultivar aquele terreno à volta do barracão. Começou por roçar um silvado, sob o qual acreditava passar um veio de água doce. Muitos se riram dele. Como queria água doce a
Quando o cimento secou, pôs no chão. Tinha 1m de altura e 1,5m de diâmetro. Meteu-se dentro dele e começou a cavar e a encher baldes de terra que a mulher e os cunhados se revezavam para vazar noutro sítio. Manuel ia cavando, e a borda de cimento que formava o poço, ia descendo acompanhando o buraco. Quando a parte de cima ficou ao nível do chão, Manuel parou de cavar e fez novo anel de cimento.
Entretanto montou um tripé com uma roldana, e uma corda para puxar os baldes de terra. Pronto este, Manuel colocou-o em cima do primeiro, ligou-o com cimento, saltou para dentro do poço e recomeçou a cavar. Claro que este trabalho era feito à tarde, depois do dia de trabalho, e sobretudo ao fim de semana. Este processo foi repetido meticulosamente. A
Tão embrenhado estava no seu trabalho que só teve conhecimento do assassinato de Catarina Eufémia, pela GNR quase 8 dias depois.
Em Julho, precisamente no dia em que a Alemanha Ocidental ganhou o campeonato de mundo de futebol, Manuel deu o poço por terminado, e tinha enfim água à porta para beber e para poder semear algumas coisas que lhe permitissem dar à família uma melhor alimentação.
Ainda nesse mês Portugal perde os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli na Índia.
A 24 de Agosto Getúlio Vargas, o presidente do Brasil, suicida-se para não ceder à pressão das forças armadas que exigem a sua demissão.
E enquanto a vida na Seca recomeçava com a chegada dos navios, “ O velho e o mar” de Hemingway é um tremendo sucesso, que lhe dá o Nobel da Literatura.
E o ano termina a estreia do filme “20 Mil Léguas Submarinas nos E. U. que viria a ser um tremendo êxito de bilheteira.








