30.6.15

DE FÉRIAS

A partir de amanhã andarei por aqui. Voltarei no final de Julho. Espero que tenham um mês muito agradável. Boas férias para quem vai de férias e bom trabalho para quem está a trabalhar. Voltarei aos vossos cantinhos logo que regresse.

28.6.15

PEDRO O PRÍNCIPE DOS APÓSTOLOS

Festeja-se hoje o dia de S. Pedro, o último dos Santos populares que animam o mês de Junho. É o padroeiro de quase todas as vilas e cidades piscatórias, o que não é de admirar se pensarmos que Pedro era pescador.
Discípulo de Jesus nascido em Betsaida, Galiléia, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos e tido como fundador da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa. As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André,  ( padroeiro aqui de Santo André) seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39). Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de muda-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: "E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus" (Mt. 16: 18-19). Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão André, e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importante milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controversos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, mas foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar. Após a Ascensão, presidiu a assembleia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades. Fundou as linhas apostólicas de Antióquia e Síria, as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos, que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias. Encontrou-se com São Paulo, ou Paulo de Tarso, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado a Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem do imperador, no mesmo ano de Paulo e pelo mesmo motivo, mas em ocasiões diferentes. Conta-se, também, que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores.
Segundo a Bíblia, Cristo terá dito a Pedro que ele teria as chaves do céu, e por isso sempre aparece representado com as chaves. Diz uma lenda que um dia S. Pedro perdeu as chaves do Céu. Do lado de fora onde se encontrava a receber as almas eleitas. Passou-se um tempo, a fila de almas, era cada vez  maior, e S. Pedro sem conseguir abrir a porta. Então uma velhinha, meteu a mão no bolso da bata e retirando um terço, pegou na Cruz e dando a S. Pedro disse-lhe: "Senhor experimentai com esta chave". S. Pedro meteu o crucifixo na fechadura e a porta abriu-se. Na verdade para os cristãos, a Cruz é a chave que abre todas as portas  


S. PAULO

Paulo, que tinha como nome antes da conversão, Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes Mestres da Lei da época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o Batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.

Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".

Embora ninguém fale nele, S. Paulo é festejado pela Igreja no mesmo dia de S. Pedro, por serem considerados os dois maiores pilares da fundação da Igreja Cristã. Eram grandes amigos, e foram mortos no mesmo ano e na mesma cidade. Do mesmo modo a 25 de Janeiro se comemora S. Paulo e S. Pedro.  A sua celebração a 29 de Junho foi mais uma vez uma manobra da igreja para substituir as festas pagãs dos Romanos em honra de Rómulo e Remo.
Com S. Pedro encerram as festas dos Santos populares que todos os anos nos chegam no mês de Junho

E cá em casa festeja-se hoje o aniversário do filhote, que nasceu na noite de S. Pedro.


23.6.15

S. JOÃO, S. JOÃO. S. JOÃO, DÁ CÁ UM BALÃO...



foto do google

Junho é o mês dos Santos Populares. Um pouco por todo o país festejam-se em animados arraiais, ao som da música e acompanhado de sardinhas assadas regadas a vinho tinto ou cerveja consoante os gostos. As festas começam a 13, na verdade a 12 de Junho com o Santo António, padroeiro de Lisboa. Continua a 23 com o S. João, Padroeiro do Porto e termina a 28 com S. Pedro, que na verdade é o dia de S. Pedro e S. Paulo o que é desconhecido da maioria das pessoas. E que se festeja desde Amora a S. Pedro do Sul, das Lages do Pico à Ribeira Grande.
 Mas voltando a S. João, que se festeja hoje e amanhã,em muitas cidades e vilas deste país. Celebra-se o nascimento de João Baptista, o primo de Jesus. 
Em Lisboa pelo Santo António, feriado municipal, são tradição os casamentos e as marchas. No Porto pelo S. João, também dia de feriado municipal, são tradição os martelinhos, que substituíram o alho-porro de antigamente, e sobretudo o fogo de artifício lançado da ponte D. Luís, que é sempre espectacular.
 Não, não me enganei nas datas. A verdade é que os maiores festejos - excepto os religiosos -    ocorrem   na véspera do dia do Santo. Há uns cinquenta anos atrás não se faziam as festas como agora. As pessoas da aldeia ou do bairro juntavam-se nas ruas. Faziam grandes fogueiras que os rapazes e raparigas saltavam. Pelo S. João, o meu pai, que sempre foi muito habilidoso, fazia grandes balões de papel colorido. Lembro-me que levavam umas tochas embebidas em petróleo, que enquanto ardiam mantinham os balões no ar. Quando se apagavam o balão começava a perder o ar quente que o mantinha lá em cima e acabava por cair atraído pela gravidade. Os mais velhos sentados na rua, contavam histórias, enquanto davam um olhinho pelos mais novos. As crianças corriam atrás dos grandes besouros, que sempre apareciam nesta altura do ano. Conviviam. Todos se conheciam, todos se ajudavam. No dia seguinte cumprimentavam-se, comentavam a noite anterior, e acabavam com um "P'rá semana lá estamos" .Eu tenho saudades desse tempo. Hoje as pessoas juntam-se ás centenas, ás vezes milhares, todas no mesmo espaço e são desconhecidas. Estão juntas e simultaneamente estão sozinhas. Não há convívio. É como se as pessoas, se tivessem transformado em ilhas. Podem estar longe ou mesmo ao lado, mas não se tocam. Vivem em prédios de vários andares e não conhecem às vezes nem o vizinho do lado.



18.6.15

PAULO

Reedição


Lá fora, a noite dorme em silêncio.
A madrugada aproveita e vem, pé ante pé para tomar o seu lugar. No céu, sem nuvens, as estrelas observam curiosas. Algures, em qualquer recanto deste nosso universo, alguém abre lentamente uma janela. É um homem. Um homem jovem na idade, mas carregando no peito uma angústia que não sabe explicar. Aliás Paulo sabe explicar pouco do que se passa com ele. Sentir sim. Ele sente cada hora, cada minuto amassado na rotina duma vida que não deseja. Paulo é um homem novo, mas não raras as vezes se sente tão frustrado, que se julga um velho. É um homem culto. Estudou. E completou os seus estudos, na leitura de grandes escritores. Lê muito. E escreve. Escreve belos e amargos textos nos quais deixa impregnado o que lhe vai na alma. Apaixonado e sonhador, Paulo enamorou-se do próprio Amor. Na janela, ele olha sem ver a rua absorto nos seus pensamentos. Na cama Graça, a mulher dorme. Paulo olha para ela, com um misto de amor e pena:
- Coitada, deve estar muito cansada – murmura entre dentes.
Graça é uma boa mulher. Que Paulo ama muito. Tem sido uma boa companheira, e deu-lhe dois filhos. Dois filhos por quem ele daria a própria vida. Graças a eles consegue suportar aquela vida insípida, que por vezes ameaça sufocá-lo.
Mas Graça está longe de ser o amor que Paulo tantas vezes idealizara. Ele sonha com uma mulher apaixonada, que tenha os mesmos sonhos, os mesmos anseios, os mesmos desejos. Graça é uma mulher simples, bonita, boa dona de casa, boa mãe, até mesmo boa amante. Mas com ela, ele não pode discutir aquele livro que o entusiasmou, não pode recitar aquele poema do Torga que ele sente como se fora ele a escrever, não pode contar-lhe das vezes, que deixa o seu corpo no emprego, e evade o espírito para outras paragens. Paulo não sabe se existe no mundo uma mulher como ele sonha. Mas tem uma certeza. Ele gostava que essa mulher fosse a esposa. Volta-se e olha-a.
Mais bonita do que nunca, no abandono do sono, os longos cabelos soltos espalhados na almofada.
Encheu o peito de ar, suspirou, e fechou a janela. Dirigiu-se para a cama. Graça, acordou, olhou-o surpresa. Logo sorriu e esticando os braços enlaçou o marido e puxou-o para si. E enquanto se perdia nos braços da mulher, Paulo fez o que tantas vezes fazia no emprego. Deixou que o seu espírito se soltasse e voasse para longe. Para um lugar só dele, um lugar que apenas existe nos seus sonhos de homem insatisfeito.

Elvira Carvalho


Este conto foi publicado em Janeiro de 2011. Como porém a maioria dos meus leitores de hoje, não o eram nessa altura, e como 
a inspiração não anda lá essas coisas, espero que me desculpem.
Estou mesmo a precisar de férias. E pensar que ainda me faltam fazer mais dois exames médicos. Felizmente que foram marcados para Setembro. Como dizia minha avó, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.
Bom fim de semana
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