20.5.15

SE EU TIVESSE CORAGEM





Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os homens que vivem algemados
aos dias sem pão, nem futuro.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os operários sem emprego,
engolindo dia a dia
os sonhos afogados no tempo
dum mísero subsídio.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os jovens, sem tempo nem idade
perdidos
nos tortuosos caminhos da droga.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
as minhas fantasias de criança,
a minha ansiedade de adulto,
a minha angústia de idoso,
a minha dor sem dor tão sentida.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
a minha fome de justiça
os sonhos que não sonhei
a vida que não vivi
a cruz que sem fé carreguei.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
contra aqueles que nos dão
falsas ilusões
em forma de 
promessas eleitorais
em vez de pão
habitação
escolas e hospitais.


Ah!... Se eu tivesse coragem...


Maria Elvira Carvalho



Amigos na próxima semana estarei ausente. No dia 22 termino a bateria de exames que ando fazendo.
A consulta de cirurgia, já está marcada para dia 8 de Junho.
Estive bem doente, estou cansada, como diz a canção "sinto-me frágil." Então a próxima semana é para descanso. Sem PC, e  sem TV.  
Ah! Hoje fui com o marido a uma consulta no hospital do Barreiro. E sabem a novidade? O médico veio à sala com o processo na mão, chamou por ele e nós fomos atrás. Pois não é que deu meia dúzia de passos encostou-se à parede e começou a dar a consulta ali mesmo? E depois pediu-nos para aguardar um pouco e quando voltou trazia já o pedido de novos exames a marcação da próxima consulta bem como o encaminhamento para outras duas consultas de especialidade. Fiquei pasmada. Já não há gabinetes para consulta? É que há 5 anos que ele faz estas consultas e nunca tal tinha acontecido.


18.5.15

DOIS EM UM COMO NO SUPER

1º   Parabéns ao Benfica e a todos os benfiquistas pela conquista do campeonato.

2º O Sexta, atingiu hoje o número de 15.000 comentários.  Em 780 publicações o que dá uma média de quase 20 comentários por publicação. Para quem não tem muitos seguidores, e não apresenta textos de autores famosos que possam ser procurados, eu penso que é muito bom. Então eu acho que vós estais de parabéns. Para mim  sois os melhores leitores do mundo. Não vos limitais a ler. Vocês lêem e comentam o que lêem permitindo-me um feed que me ajuda a tentar ser melhor. 
Muito obrigada amigos/as. Para vós desejos de uma óptima semana e 

14.5.15

MARIA PAULA - FINAL

Aquele dia de Julho, amanhecera radioso, cheio de sol, e calor, contrastando com a tristeza, que Maria Paula carrega no seu coração, prenhe de saudades.
Como de costume tomou o pequeno-almoço com a família e depois seguiu para o emprego, acompanhada pelo irmão. Pedro entrava no escritório uma hora mais tarde, mas habituara-se a acompanhar a irmã, e gostava de o fazer. O caminho ficava mais curto, enquanto eles conversavam. Falavam da situação do país, dos seus empregos, dos sonhos que ele tinha de voltar à Universidade. Às vezes, dizia-lhe que era preciso esquecer, que devia arranjar um namorado. Ela limitava-se a sorrir com tristeza. Maria Paula, nunca amara ninguém até conhecer Diogo, e sabia, sentia-o dentro de si, nunca o iria esquecer. Ela era como seus avós. Mulher de um só amor, capaz de por ele viver, ou morrer. E o seu amor era Diogo.
Diogo! Que seria feito dele? Já teria regressado? E lembrar-se-ia dela? Maria Paula, tinha a certeza que sim. Ela, iria ser para sempre, uma lembrança no coração de Diogo, ainda que nunca mais se vissem, ainda que ele voltasse a apaixonar-se e casasse com outra. Ela não se casaria. Decidiu-o no dia em que acabara o namoro, seis meses atrás.
Que seria feito dele? Já teria terminado a comissão? Ela sabia que ele deveria voltar em Julho, mas com a situação a piorar dia após dia em Luanda, quem garantia que as datas seriam cumpridas?
Nunca um dia demorou tanto a passar. Sentia-se tensa, nervosa.
 Parecia-lhe que o ar estava carregado de electricidade, como se estivesse para se abater sobre ela uma tempestade. 
Às seis o irmão telefonou a dizer que tinha surgido um imprevisto, e portanto não a iria buscar.
“Mais essa” - pensou
Às sete despediu-se do patrão, que fechava a caixa, e saiu para a rua. Afastou uma madeixa de cabelo que lhe caia sobre o rosto, respirou fundo e encetou a caminhada rumo a casa.
- Maria Paula!
A jovem parou repentinamente como se um muro invisível a travasse. A voz soara nas suas costas com a força de um tiro, em noite calma. O coração batia freneticamente. O que era aquilo? Um sonho?
- Maria Paula!
Rodou sobre si mesma, e, o seu olhar mergulhou no olhar de Diogo.
Nada do que o jovem tinha ensaiado, precisou ser dito. Quando dois corações batem em uníssono, não são precisos discursos.  Depois ele abriu os braços e ela aninhou-se no seu peito, num abraço sem palavras, cada um ouvindo apenas, o coração do outro.



Fim  



Maria Elvira Carvalho

MARIA PAULA - PARTE XXIV


A primeira coisa que Diogo fez quando chegou à rua foi procurar a tal padaria. 
Encontrou-a sem dificuldade. Aproximou-se até bem perto, e aí parou. O pai de Maria Paula tinha dito que ela saía às sete. Eram precisamente cinco e quarenta e cinco. Não podia aparecer à jovem no seu local de trabalho, não 
só porque ele sabia que Maria Paula não gostava, mas também, porque depois da maneira como tinham terminado o namoro, precisavam de ter uma conversa séria que não seria possível num balcão de padaria. Tinha que 
esperar pela hora de saída da jovem e resolveu fazê-lo ali mesmo num simpático cafezinho com esplanada, quase frontal à padaria, donde veria perfeitamente a jovem, quando saísse do trabalho. Pediu uma cerveja, que o empregado lhe trouxe de seguida, acompanhada com um pires de tremoços.
Enquanto aguardava a marcha lenta dos ponteiros do relógio, mentalmente foi ensaiando o que iria dizer à jovem. No fundo sentia-se um pouco ridículo, pela ansiedade em que se encontrava. Afinal tinha quase 30 anos, acabara de vir de uma guerra, e estava a tremer como um adolescente. Estava nervoso. 
E se Maria Paula o tivesse esquecido?
- “Não sejas parvo. Se isso tivesse acontecido, o pai não te diria para a vires buscar” – pensou, tentando aquietar o coração.  Pouco antes das sete, pagou a conta, e concentrou toda a sua atenção, na porta por onde a jovem sairia.
Emocionou-se quando a viu aparecer. Estava mais magra, mas mantinha o porte altivo, e conservava no andar, a graciosidade das gazelas da sua terra.
Atravessou a rua, e uma vez atrás da jovem chamou:

-Maria Paula!

A jovem parou de repente. Mas durante alguns segundos, 
que a Diogo pareceram uma eternidade, não se voltou. Então ele chamou de novo:

-Maria Paula!


Amigos, graças a Deus estou bastante melhor. Ainda estou um bocado em baixo, mas penso que o pior já passou. A biopsia ao estômago deu negativo, o exame das glândulas do pescoço também. Próxima semana tenho mais três exames médicos, entre eles uma colonoscopia. E quanto à consulta de cirurgia  ainda não sei quando será.
Obrigada pelo vosso carinho e amizade. 




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