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31.8.15

A HISTÓRIA DE UM PAR DE BOTAS... DO ESTADO.


Ao lado da Igreja, o antigo colégio jesuíta, mais tarde transformado no quartel de B.C.5, e que hoje é ocupado pela Universidade Nova de Lisboa.
Foto  da net.





Aviso aos amigos: Por muito absurda que pareça esta história, é absolutamente real.


                                                        Primeira Parte

No início de 41, Manuel era um jovem de 23 anos e estava prestes a terminar a tropa, e passar à reserva, no Batalhão de Caçadores 5 em Campolide. Nessa altura porém, uma certa manhã, ao levantar-se, deu por falta das botas. Quando ele viera para a tropa, o Sr. Américo, tinha-lhe dito “Manuel, tem cuidado com as tuas coisas no quartel. Anda por lá, filho de muita mãe e de vez em quando, algumas coisas desaparecem. Se te faltar alguma coisa, não te queixes, tira essa mesma coisa a quem te ficar mais perto. Ele tirará a outro e no fim, tudo estará certo”.
Ele ouviu mas nunca lhe tinha faltado nada e aos poucos foi deixando de se preocupar. Naquele dia porém, não tinha botas para a formatura e como tinha acordara depois dos outros, já não podia tirar as botas de ninguém. A dois dias de sair tropa, Manuel, teve que participar a “perda” das botas. E tinha que pagar umas botas novas ao exército.
Como porém ele não tinha dinheiro para pagar as botas, e havia falta de mancebos nos quartéis, por via do “sangramento” para os Açores e Cabo Verde, foi-lhe proposto que ele poderia pagar a dívida ao estado com mais dois anos de tropa, voluntária. Sem outra alternativa, Manuel aceitou.
Meses depois, em Junho, num dia de licença, o Manuel, saiu e depois de várias voltas pela cidade, pensou que estava farto da vida da tropa, e que não estava para continuar mais tempo no quartel.

Decidido, mas sem dinheiro para o comboio, resolveu seguir a pé para a terra. Não seria uma viagem rápida, mas também não tinha pressa. Lá era certamente o primeiro sítio onde iriam procurá-lo. E foi andando, ficando um dia ou dois nas quintas que lhe apareciam no caminho. O trabalho do campo não tinha segredos para ele, e assim ganhava algum dinheiro, além de encher a barriga. E foi deste modo que nos primeiros dias de Agosto chegou à sua aldeia, Carvalhais, no concelho de S. Pedro do Sul. Se a mãe ficou surpresa, porque pensava que o filho estava no quartel, Manuel não ficou menos surpreso ao saber que ninguém o tinha ido procurar. Ele não sabia, que na confusão reinante do período de guerra que se vivia, ninguém dera pela sua falta. E quando o capataz da seca, chegou à aldeia para o engajamento de pessoal para a próxima safra, Manuel integrou-se no grupo.

27.8.15

SER HONESTO É CRIME?





A história que vou contar, passou-se numa pequena aldeia, do concelho de S. Pedro do Sul, nos gloriosos e loucos anos 20. Numa pequena casa tipicamente beirã, daquelas de granito que ficavam por cima da “loja” onde (quem os tinha ) guardava os animais, e os mais pobres guardavam apenas os utensílios de trabalho na terra,  a caruma, e a lenha para o fogo, viviam a Maria e o Manuel, mais os seus cinco filhos. A casa era composta por uma ampla entrada, onde num canto havia uma chaminé, e um pequeno forno de lenha onde a Maria cozia o pão. Não havia fogão, a refeição era cozinhada numa panela de ferro, com três pés que assentava directamente em cima da fogueira, que se acendia ao lado do forno, sobre uma placa metálica, assente em cima das pedras, que formavam o chão. Completava a decoração, uma comprida mesa de madeira e dois bancos corridos, que serviam na hora das refeições.
Além desta “sala”, a casa tinha mais dois quartos. Num dormia o casal, com o filho mais novo, no outro, os quatro filhos mais velhos. Nos quartos, mantas de trapo, sobre enxergas de palha de centeio, serviam de cama, na hora de descansar o corpo. Manuel, o marido trabalhava no campo quando havia trabalho, e quando não batia as portas das redondezas à procura de ferro-velho que depois vendia na Feira Velha, uma feira mensal que se fazia em S. Pedro a cerca de 9 km que o Manuel fazia com o seu burrico que ele baptizou com o nome de Tem Dias. Isto porque segundo ele o burro tinha dias em que era obediente à voz do dono e outros em que empancava e não se mexia por mais que recebesse ordem em contrário. Naquele longínquo ano de 1927 Maria estava de novo grávida. Estávamos no início de Setembro, Manuel não tinha trabalho, e nada havia para comer naquela casa. E se o filho mais velho com 9 anos, já estava a "servir" em Lourosa e já não dava cuidados os outros 4 tinham fome.  Maria pensou que tinha que arranjar comida para os filhos. O marido só chegaria à noite e quem sabe se traria ou não alguma coisa para comerem.  Deitou o bebé numa canastra que pôs à cabeça, pegou no outro pequeno ao colo, e seguida dos outros dois foi em busca de comida. Batia à porta das casas mais abastadas e oferecia algum trabalho em troca de comida para as crianças. Não pedia esmola, tinha vergonha. Mas as pessoas tinham pena das crianças e sempre lhe davam alguma coisa. Naquele dia, numa dobra do caminho deparou com uma carteira. Era uma bela carteira de pele com iniciais gravadas a ouro. A tremer Maria abriu a carteira e viu umas quantas notas. Cada vez mais assustada tirou-as da carteira mirou-as e viu que era 1 nota de mil escudos, 2 notas de 500 escudos 1  de 100, 3 de 50, e 5 de 10.
Uma verdadeira fortuna. Ao metê-las de novo na carteira qualquer coisa caíu no chão e Maria viu que era uma fotografia. Reconheceu o homem. Um doutor de uma aldeia vizinha, homem rico e influente com negócios em Lisboa e Porto. Maria pegou na carteira e foi a casa do tal  doutor. Lá chegada, puxou o sino do portão da herdade e uma "criada"  - naquele tempo chamavam-se assim, veio à porta. Maria disse que tinha achado a carteira e vinha entregá-la. A criada pegou na carteira e foi para dentro. Maria ficou à espera que ela voltasse. Quem sabe lhe daria alguma comida para as crianças. Um palácio daqueles devia ter mesa farta. Porém o tempo foi passando e a criada não voltava. Impaciente e cansada com o peso dos filhos e da barriga, a mulher puxou de novo a sineta do portão. E então a "criada" voltou.
-Entregou a carteira ao seu patrão? Perguntou Maria
- Entreguei - respondeu ela
- E o que ele disse?
-Guardou-a e não disse nada.
-  Por favor diga que eu estou aqui, que tenho as crianças com fome, se me pode dar alguma coisa para elas comerem.
-Espere um pouco que eu vou dizer-lhe.
A mulher virou costas e voltou pouco depois com uma corda.  Com lágrimas nos olhos estendeu-a a Maria dizendo.
- Eu fui falar com o Sr. Dr. e ele disse que era para eu lhe trazer esta corda. E quando eu perguntei o que lhe ia dizer, ele mandou que se enforcasse, porque uma pessoa que tem os filhos com fome, encontra uma fortuna e vai entregá-la, não merece viver. Desculpe, dói-me tanto, mas foi o que ele me disse.
Maria engoli-o as lágrimas, pegou os miúdos e virou costas pensando: 
-Que raio de País é este, onde ser honesto merece pena de morte?


21.8.15

TENHAM JUÍZO, SENHORES


                                 foto de Giuseppe Lami



Ouvimos, nas notícias, a toda a hora
Na Grécia, ora há, ora não há acordo.
Na China desvaloriza-se a moeda,
E as bolsas caem em todo o mundo.
Em Angola, a crise do petróleo
Faz tremer a economia
Falam da guerra civil na Síria,
E das atrocidades jihadistas.
A par dos milhares de imigrantes
Que fogem para a Europa
Na busca de um futuro melhor
Tantas vezes sepultado, no fundo do mar.
Falam dos índices de mercado,
E das milionárias transferências
No mundo do futebol.
No Brasil, preparam-se os jogos olímpicos
Entre manifestações contra o governo.


Dizem que Jesus, mandou mensagens,
Aos rivais da Luz
Antes da final da Super Taça.
E que o Benfica vai processá-lo
Por quebra de contrato.
Falam que o desemprego desceu
E que o povo está agora a viver melhor.
Prova disso, os nascimentos aumentam.
E até fizeram uma lei, para proteger os idosos
(Que só entra em vigor depois das eleições)
Eles sabem, que um, em cada cinco eleitores
Está na faixa dos idosos.
E nós sabemos o que eles querem.



Mas contra todas as estatísticas
Nós continuamos sem trabalho.
As nossas crianças continuam com fome
A procurar as cantinas da escola
Para a única refeição do dia
Mesmo em tempo de férias.
Na rua, a fila, dos desabrigados da sorte
Engrossa todos os dias.
Faltam-nos escolas, e muitas das que temos
Precisam de urgente recuperação.
A saúde, é só para quem tem dinheiro.
Longe dos filhos emigrados
Os idosos morrem sozinhos
A barriga cheia de fome e solidão
Depois de uma vida inteira de trabalho
Para terem direito
A uma reforma de miséria.




E nos dizem todos os dias, que o país está melhor?
E que nos próximos 4 anos vai ser “muito melhor”?
Que precisamos acreditar e votar neles?
A nós que sofremos na carne, a realidade diária?



 Ora tenham juízo, senhores!




16.8.15

16 DE AGOSTO - VAMOS FESTEJAR


Começamos assim neste mesmo dia nos longínquos anos 60, uma vida a dois. Uma vida que nem sempre foi de sorrisos, mas onde as lágrimas foram partilhadas com a mesma compreensão e cumplicidade dos momentos de alegria.
Momentos de rara felicidade, e momentos menos bons, tudo foi sempre vivido com muito amor.
A vida não é fácil para ninguém. Para nós também não foi. Mas olhando para trás, são mais as coisas boas para recordar, do que as menos boas para lamentar. E se tivermos que escolher uma palavra para definir todos estes anos, ela será sem dúvida Felicidade.
E para partilhar com os amigos esta data feliz



VAMOS FESTEJAR. ESTÃO TODOS CONVIDADOS

27.7.15

ESTOU DE VOLTA

Depois de 27 dias de férias, não direi esquecida da civilização, porque há alguns anos não via Lagos,tão cheia de gente, no mês de Julho como este ano. Propositadamente, não li jornais, nem vi TV. Foi praia e passeios.De um deles à famosa Ponta da Piedade, aqui vos deixo algumas fotos. Por favor, cliquem nas fotos para amplia-las. Espero que gostem


 A Ponta da Piedade vista de cima da falésia. Este ano não fui de barco às grutas onde já fui várias vezes.
 Como sempre havia muitos turistas. Não admira, "o local é tão bonito que até faz doer os olhos". Foi assim que o classificaram o ano passado, numa conceituada revista estrangeira.
Arrisca-se a vida por um melhor ângulo na fotografia. Esta menina subiu a falésia de gatas, pelo estreito carreiro para tirar uma foto.
 Uma olhadela no sentido da praia D. Ana e lá bem ao fundo a serra de Monchique.
 A descida da escadaria para chegar ao mar
 Lá em baixo, o movimento dos pequenos barcos, que mostram as grutas é constante.

Os turistas não param de descer para admirarem para poderem visitar as grutas
 A visita sempre começa junto à escadaria. Os barqueiros apelidaram este lugar de "sala de estar"


                             AQUI
 Aqui deste local é bem visível parte da grande escadaria que só para junto à água.
 Aqui o farol da Ponta da Piedade, visto do lado da falésia.
 Numa ilusão de óptica parece que o mar está praticamente ao nível da terra
 Mas reparem agora no tamanho do barco. Pois é, a altura é enorme.
Da Ponta da Piedade, se nos virarmos para a esquerda vemos toda a beleza da falésia no sentido de Lagos, chegando a nossa vista até à serra de Monchique. Se nos virarmos para a direita temos a praia de Porto Mós, e mais ao fundo, grande parte da orla na direcção de Sagres.

30.6.15

DE FÉRIAS

A partir de amanhã andarei por aqui. Voltarei no final de Julho. Espero que tenham um mês muito agradável. Boas férias para quem vai de férias e bom trabalho para quem está a trabalhar. Voltarei aos vossos cantinhos logo que regresse.

28.6.15

PEDRO O PRÍNCIPE DOS APÓSTOLOS

Festeja-se hoje o dia de S. Pedro, o último dos Santos populares que animam o mês de Junho. É o padroeiro de quase todas as vilas e cidades piscatórias, o que não é de admirar se pensarmos que Pedro era pescador.
Discípulo de Jesus nascido em Betsaida, Galiléia, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos e tido como fundador da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa. As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André,  ( padroeiro aqui de Santo André) seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39). Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de muda-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: "E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus" (Mt. 16: 18-19). Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão André, e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importante milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controversos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, mas foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar. Após a Ascensão, presidiu a assembleia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades. Fundou as linhas apostólicas de Antióquia e Síria, as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos, que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias. Encontrou-se com São Paulo, ou Paulo de Tarso, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado a Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem do imperador, no mesmo ano de Paulo e pelo mesmo motivo, mas em ocasiões diferentes. Conta-se, também, que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores.
Segundo a Bíblia, Cristo terá dito a Pedro que ele teria as chaves do céu, e por isso sempre aparece representado com as chaves. Diz uma lenda que um dia S. Pedro perdeu as chaves do Céu. Do lado de fora onde se encontrava a receber as almas eleitas. Passou-se um tempo, a fila de almas, era cada vez  maior, e S. Pedro sem conseguir abrir a porta. Então uma velhinha, meteu a mão no bolso da bata e retirando um terço, pegou na Cruz e dando a S. Pedro disse-lhe: "Senhor experimentai com esta chave". S. Pedro meteu o crucifixo na fechadura e a porta abriu-se. Na verdade para os cristãos, a Cruz é a chave que abre todas as portas  


S. PAULO

Paulo, que tinha como nome antes da conversão, Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes Mestres da Lei da época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o Batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.

Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".

Embora ninguém fale nele, S. Paulo é festejado pela Igreja no mesmo dia de S. Pedro, por serem considerados os dois maiores pilares da fundação da Igreja Cristã. Eram grandes amigos, e foram mortos no mesmo ano e na mesma cidade. Do mesmo modo a 25 de Janeiro se comemora S. Paulo e S. Pedro.  A sua celebração a 29 de Junho foi mais uma vez uma manobra da igreja para substituir as festas pagãs dos Romanos em honra de Rómulo e Remo.
Com S. Pedro encerram as festas dos Santos populares que todos os anos nos chegam no mês de Junho

E cá em casa festeja-se hoje o aniversário do filhote, que nasceu na noite de S. Pedro.


23.6.15

S. JOÃO, S. JOÃO. S. JOÃO, DÁ CÁ UM BALÃO...



foto do google

Junho é o mês dos Santos Populares. Um pouco por todo o país festejam-se em animados arraiais, ao som da música e acompanhado de sardinhas assadas regadas a vinho tinto ou cerveja consoante os gostos. As festas começam a 13, na verdade a 12 de Junho com o Santo António, padroeiro de Lisboa. Continua a 23 com o S. João, Padroeiro do Porto e termina a 28 com S. Pedro, que na verdade é o dia de S. Pedro e S. Paulo o que é desconhecido da maioria das pessoas. E que se festeja desde Amora a S. Pedro do Sul, das Lages do Pico à Ribeira Grande.
 Mas voltando a S. João, que se festeja hoje e amanhã,em muitas cidades e vilas deste país. Celebra-se o nascimento de João Baptista, o primo de Jesus. 
Em Lisboa pelo Santo António, feriado municipal, são tradição os casamentos e as marchas. No Porto pelo S. João, também dia de feriado municipal, são tradição os martelinhos, que substituíram o alho-porro de antigamente, e sobretudo o fogo de artifício lançado da ponte D. Luís, que é sempre espectacular.
 Não, não me enganei nas datas. A verdade é que os maiores festejos - excepto os religiosos -    ocorrem   na véspera do dia do Santo. Há uns cinquenta anos atrás não se faziam as festas como agora. As pessoas da aldeia ou do bairro juntavam-se nas ruas. Faziam grandes fogueiras que os rapazes e raparigas saltavam. Pelo S. João, o meu pai, que sempre foi muito habilidoso, fazia grandes balões de papel colorido. Lembro-me que levavam umas tochas embebidas em petróleo, que enquanto ardiam mantinham os balões no ar. Quando se apagavam o balão começava a perder o ar quente que o mantinha lá em cima e acabava por cair atraído pela gravidade. Os mais velhos sentados na rua, contavam histórias, enquanto davam um olhinho pelos mais novos. As crianças corriam atrás dos grandes besouros, que sempre apareciam nesta altura do ano. Conviviam. Todos se conheciam, todos se ajudavam. No dia seguinte cumprimentavam-se, comentavam a noite anterior, e acabavam com um "P'rá semana lá estamos" .Eu tenho saudades desse tempo. Hoje as pessoas juntam-se ás centenas, ás vezes milhares, todas no mesmo espaço e são desconhecidas. Estão juntas e simultaneamente estão sozinhas. Não há convívio. É como se as pessoas, se tivessem transformado em ilhas. Podem estar longe ou mesmo ao lado, mas não se tocam. Vivem em prédios de vários andares e não conhecem às vezes nem o vizinho do lado.



12.6.15

QUANDO O QUE PARECE, NÃO É



Para os/as amigos/as que têm perguntado. Já fui à consulta de cirurgia, o médico depois de ver os exames disse que a indicação era para operar, mas dados os meus problemas de respiração, asma e apneia, a cirurgia é complicada, pelo que terei que fazer mais exames de nível respiratório, e tenho que fazer uma consulta com o pneumologista que me acompanha, para que ele veja os meus exames e diga se posso operar normalmente ou se terei que ter ventilação durante e no pós operatório. Terei que fazer tudo isso e voltar a 17 de Novembro para marcar a cirurgia, mas eu fiquei com pouca ou nenhuma vontade de a fazer.
Bom fim de semana

10.6.15

10 DE JUNHO - DIA DE PORTUGAL


Celebra-se hoje o dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas. Para os católicos é também o dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal. Que deve andar muito cansado com o trabalho que lhe dão banqueiros e políticos que tentam a todo o custo afundar o País. E como se não bastasse ainda inventaram um tal AO, que mais parece um desacordo, tal a confusão que tem criado. Coitado. Não é nada fácil ser Anjo da Guarda de um País assim. 
Mas dizia eu que se celebra hoje o dia de Portugal. Com o desemprego que grassa no País, com as más condições na saúde e na educação, com grande parte da população a ter que emigrar e procurar noutros horizontes o futuro que Portugal lhes nega, com políticos corruptos, e ministros que hoje fazem discursos inflamados, e amanhã negam o que hoje disseram, com crianças que se levantam e deitam com fome, com idosos que morrem na solidão e miséria, eu pergunto-me:
 Há razões para celebrar?

Ah! Meu Portugal, tão amado e tão mal governado.