Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta progresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta progresso. Mostrar todas as mensagens

26.6.20

ISABEL - PARTE XXXIII



foto do google

No dia seguinte Isabel aproveitou uma pausa para convidar Amélia a beber um café. Estava ansiosa por contar à amiga o encontro do dia anterior e não queria fazê-lo na frente de Luísa.
Quando acabou Amélia disse:
-Mas que progresso Isabel. Nem dá para acreditar. Mas... como sabia ele o teu nome? Donde é que te conhecia?
- Ah! Desculpa, esqueci de te contar. Pouco antes de ir à Alemanha encontrei-o aqui mesmo no quarteirão. Melhor dizendo esbarrámos um no outro e apresenta-mo-nos. Com o convite do Hans e a viagem não cheguei a contar-te. O que é que achas?
- O que eu acho é que estás perdidinha por ele. Já é tempo de enterrares o passado e seres feliz. Fico tão contente por ti.
- E se ele não se interessa por mim?
- Ó mulher não sejas tonta. Então se não estivesse interessado tinha forçado o jantar de ontem?
- Sim, mas eu não quero ser uma aventura na vida de ninguém.
- Isso, Isabel, só depende de ti. Até pode ser que seja essa a intenção dele. Cabe-te a ti, fazê-lo mudar de ideias. Não percebo a tua insegurança. És uma mulher muito bonita, inteligente, culta, com uma excelente carreira profissional. O que é que um homem pode querer mais?
Esta conversa animou Isabel, e no resto do dia, o trabalho progrediu e não se falou mais no assunto.
Nessa mesma noite às nove e meia Luís telefonou. Perguntou onde estava, como estava, como tinha sido o seu dia, enfim nada de especial. 
No dia seguinte à mesma hora voltou a ligar, mas desta vez disse-lhe que tinha saudades dela. E foi ligando todos os dias, e a cada dia os telefonemas eram mais íntimos.
Na quinta-feira convidou-a para almoçar com ele no próximo Domingo. Nunca falavam de amor. No entanto os dois sabiam que ele estava presente em cada frase, em cada sussurro. Mas a palavra mágica, aquela que todos os amantes sonham ouvir, que se sussurra no ouvido de um, e é mais adivinhada que ouvida pelo outro, essa, nenhum dos dois ainda a pronunciara.
 Mal anoitecia, Isabel aguardava com ansiedade o telefonema.
Entretanto Luís, procurou os pais, e desabafou com eles. Falou-lhes de Isabel, de como se tinham conhecido, da inquietação que ela lhe causava, e das vezes que se surpreendia a pensar nela.
Quando acabou o pai disse:
- Se fosse no meu tempo, eu diria que encontraste a tua meia laranja.
E a mãe acrescentou:
-Até que enfim, filho. Receava morrer sem ter a dita de te ver apaixonado. Essa rapariga deve ser uma santa, para fazer o milagre de te reconciliar com a vida e o amor. Gostaríamos muito de conhecê-la.
 E Luís, prometeu que a levaria a almoçar com eles, no próximo Domingo.  

23.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE LX


Pessoal estendendo bacalhau com os carrinhos de mão. Em baixo os carros grande que vieram substituir os carrinhos de mão. Com os quais apenas 4 pessoas estendiam uma mesa inteira,
Eram transportados por tractor, até ao início das mesas, e só dentro do espaço delas, eram empurrados pelas pessoas que estendiam ou recolhiam o bacalhau. Cliquem nas fotos para ampliar

Poucos dias depois da partida do genro, rebentam três bombas em instalações militares  em Lisboa.
O mundo está em ebulição.  Por todo o lado há uma enorme sede de Paz, Democracia e Justiça.
E foi essa mesma sede, que no Chile, levou Salvador Allende  ao poder, nesse mês de Março.
Manuel não acredita em nada que venha do governo. Ele continua a escutar outras notícias, mas cala-se.  Já viu desaparecerem alguns conhecidos seus. Tem um filho, um genro, e um sobrinho militares. Tem receio que uma imprudência da sua parte, os possa afectar. E assim quando se sente mais revoltado, pega na enxada e vai para o terreno. E a cada cavadela, despeja a revolta que sente.
Depois, a mulher anda outra vez toda chorosa, com a partida da filha mais velha. 
Na Seca a safra chega ao fim. Triste, o pessoal despede-se sem saber se regressará em Outubro. Fala-se que o patrão vai comprar duas modernas máquinas de lavar bacalhau. Diz-se que cada máquina terá duas mulheres, e que essas quatro mulheres lavarão em oito horas o mesmo bacalhau que cinquenta lavavam pelo processo tradicional nas tinas. Também se diz que ele vai comprar um pequeno tractor e carros grandes para serem atrelados ao tractor. Cada carro colherá uma mesa inteira de bacalhau. Tanto como dez mulheres com os pequenos carros de mão. Se for verdade, eles sabem que das actuais quatrocentas pessoas, nem metade serão chamadas à safra seguinte. É o progresso a impor-se.
Manuel não tem o seu emprego em risco. E a mulher também não, já que será, sempre precisa, uma porteira na Seca.
Mas custa-lhe pelos amigos. Ainda que o trabalho fosse mal pago, era uma forma de ganharem algum dinheiro em metade do ano, pois a maioria deles não têm nada de seu e nas aldeias onde vivem, o trabalho é praticamente nulo.