Anete não conseguia concentrar-se no programa televisivo, pelo que desligou o aparelho. Recostou a cabeça no sofá, fechou os olhos, e ficou a pensar em tudo o que lhe tinha acontecido ultimamente, e na volta que a sua vida dera. E pensar que se tivesse continuado a viver em Coimbra, provavelmente nunca em toda a vida ia descobrir a verdade, nem conhecer a irmã. Nem teria conhecido… Salvador.
Pensar nele acelerou o seu
coração. Jamais conhecera um homem como ele. Bom a verdade é que ela não tivera
hipótese de lidar com outro homem que não fossem os seus irmãos, ou o Afonso, que para o
caso era praticamente o mesmo. Essa foi
uma das razões que a trouxera para Lisboa. Fugir da influência dos irmãos. Na cidade, podia dar-se o caso de conhecer um homem interessante,
por quem se apaixonasse e que lhe correspondesse. E nem que andasse procurando
com um radar, podia ter encontrado homem mais interessante que Salvador. Porém
ele não contava. Interessante, bonito, rico, seguro de si, e com uma carreira
de sucesso, era areia demais para a sua camioneta. Nunca se ia interessar por
ela. Quando muito se ela o deixasse, era mais um para lhe infernizar a vida, com
os seus conselhos e proteção. Não fora assim que ele procedera até agora? Claro
que sim. Mesmo o beijo que lhe dera na véspera, e que lhe acelerara o sangue
nas veias, não continha paixão nem desejo. Fora mais um beijo de amigo. Só que o seu coração, não conseguia vê-lo como amigo. Então, só podia tomar uma decisão. Restringir ao máximo,
os encontros com ele, já que evitá-los na totalidade seria impossível, dado o grau
de parentesco com a sua irmã. O telemóvel começou a tocar. Era Ricardo.
- Estou
- Mana como estás? Os pais
acabaram de nos contar. Estamos preocupados contigo.
- Eu estou bem, não se preocupem.
- Não é preciso dizer que não
mudou nada, entre nós, pois não?. Continuas a ser a nossa irmãzinha querida.
- Eu sei, Ricardo. Para mim também
não mudou nada. Ou sim mudou. Agora tenho mais uma irmã e uma nova família, o
que quer dizer que nesta história toda, sou a grande beneficiada. Amo-vos
muito. A todos. E como está a minha cunhada e os meus sobrinhos?
-Estamos bem. Mas o importante agora és
tu. Juras que estás bem? Não nos estás a enganar?
-Juro. Não se preocupem.
- Olha o Luís está aqui, a querer
tirar-me o telefone das mãos. Vou passar-lhe a chamada. Cuida-te Princesa.
- Anete, querida, estamos tão
preocupados contigo. Deves estar arrasada. Penso que é melhor tirar uns dias de
férias para te dar apoio.
- Não – quase gritou
endireitando-se no sofá. Eu estou bem, comecei hoje a trabalhar, sinto-me
ótima.
-Olha querida, os pais estão a
pensar, darem um almoço no domingo, para juntarem as duas famílias. Dizem que tu lhes perdoaste, mas precisam pedir perdão à Ana Clara. Penso que a mãe te vai ligar amanhã.
Cuida-te, Princesa. E se precisares não hesites em me telefonar.
-A sério? A única coisa que
preciso agora é de ir para a cama. Amanhã tenho que me levantar cedo. Amo-vos.
-Amamos-te mais, maninha.
