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Fizeram imensas compras. Uma árvore de Natal, bolas coloridas, roupas e calçado. Muitas roupas. Mais para ela que para ele. Ela se entusiasmava como uma miúda, ele sorria e gostava de a ver assim, sem aquela sombra de tristeza que sempre tinha nos olhos.
Carregados
de sacos, e a caminho se casa, Mariana disse:
-Gostava
de te pedir uma coisa.
-
Esqueceste alguma coisa?
-
Não. Gostava de vir amanhã, com a Maria. Comprar umas coisas para ela. Sabemos
que a mãe, não lhe poderá comprar nada. Que dizes?
Ele
gostou de saber que ela se preocupava com a amiga.
-Desde
que não me esgotem o saldo bancário,- respondeu sorrindo.
Mais
tarde, enquanto jantavam, Mariana perguntou:
- Como vai ser a noite de Natal?
- Como vai ser a noite de Natal?
-
Costumo passar a noite num hotel. Por falar nisso tenho que fazer a reserva.
-
Não pudemos ficar em casa?
-
Em casa? Mas como? Não pudemos pedir à Luísa para vir trabalhar nesse dia. E eu
não percebo nada de cozinha. Sabes cozinhar?
- Não, - respondeu envergonhada.
-
Então?- Interrogou, sem saber o que ela queria.
-
A Maria disse que iam passar a noite, com a tia lá em baixo. Parece que é, a
única família que têm. Tenho a certeza que se lhe pedirmos, a Luísa faz a nossa
ceia. Os doces, podemos comprar, numa pastelaria. Não me apetece ir para um
hotel. É muito frio, muito impessoal. Que te parece?
-
Se achas melhor assim, parece-me bem. Falamos com a Luísa amanhã e veremos se
ela está de acordo.
Depois
do jantar, Miguel subiu ao atelier e Mariana foi arrumar as compras.
Sentia-se
estranhamente feliz. Aquele dia tinha sido inesquecível.
Não
pelas imensas coisas que Miguel lhe comprara, mas porque ele passou a tarde a
seu lado, e estivera sempre lá. Sim, porque uma mulher, sabe sempre, quando um
homem está consigo, ou quando está apenas a seu lado. E Mariana nunca se tinha
reconhecido tão mulher, como quando estava com Miguel.
Desde
quando o amava? Não sabia. Talvez desde que abriu os olhos e o viu de pé junto
do cavalete, olhando-a inquieto. Ou mais tarde, quando com desvelo cuidou dela.
Não sabia. E de resto nem isso lhe importava. O que era realmente importante, é que estava irremediavelmente
apaixonada por um homem, que a olhava como se ela fosse uma miúda, e a tratava
como se fosse um pai, atento e carinhoso.
