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17.11.15

FOLHA EM BRANCO - PARTE XXX III


                                     foto do google

Fizeram imensas compras. Uma árvore de Natal, bolas coloridas,  roupas e calçado. Muitas roupas. Mais para ela que para ele. Ela se entusiasmava como uma miúda, ele sorria e gostava de a ver assim, sem aquela sombra de tristeza que sempre tinha nos olhos.
Carregados de sacos, e a caminho se casa, Mariana disse:
-Gostava de te pedir uma coisa.
- Esqueceste alguma coisa?
- Não. Gostava de vir amanhã, com a Maria. Comprar umas coisas para ela. Sabemos que a mãe, não lhe poderá comprar nada.  Que dizes?
Ele gostou de saber que ela se preocupava com a amiga.
-Desde que não me esgotem o saldo bancário,- respondeu sorrindo.
Mais tarde, enquanto jantavam, Mariana perguntou:
- Como vai ser a noite de Natal?
- Costumo passar a noite num hotel. Por falar nisso tenho que fazer a reserva.
- Não pudemos ficar em casa?
- Em casa? Mas como? Não pudemos pedir à Luísa para vir trabalhar nesse dia. E eu não percebo nada de cozinha. Sabes cozinhar?
- Não, - respondeu envergonhada.
- Então?- Interrogou, sem saber o que ela queria.
- A Maria disse que iam passar a noite, com a tia lá em baixo. Parece que é, a única família que têm. Tenho a certeza que se lhe pedirmos, a Luísa faz a nossa ceia. Os doces, podemos comprar, numa pastelaria. Não me apetece ir para um hotel. É muito frio, muito impessoal. Que te parece?
- Se achas melhor assim, parece-me bem. Falamos com a Luísa amanhã e veremos se ela está de acordo.
Depois do jantar, Miguel subiu ao atelier e Mariana foi arrumar as compras.
Sentia-se estranhamente feliz. Aquele dia tinha sido inesquecível.
Não pelas imensas coisas que Miguel lhe comprara, mas porque ele passou a tarde a seu lado, e estivera sempre lá. Sim, porque uma mulher, sabe sempre, quando um homem está consigo, ou quando está apenas a seu lado. E Mariana nunca se tinha reconhecido tão mulher, como quando estava com Miguel.
Desde quando o amava? Não sabia. Talvez desde que abriu os olhos e o viu de pé junto do cavalete, olhando-a inquieto. Ou mais tarde, quando com desvelo cuidou dela. Não sabia. E de resto nem isso  lhe importava. O que era realmente importante, é que estava irremediavelmente apaixonada por um homem, que a olhava como se ela fosse uma miúda, e a tratava como se fosse um pai, atento e carinhoso.