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23.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXXVI




Nos dias que se seguiram, a vida entrou num ritmo novo. Aproximava-se as férias escolares por causa da Páscoa, e os aniversários das crianças. Bernardo faria cinco anos a doze de Março e Soraia, a vinte.Ou pelo menos era a data que constava nos documentos dela. Como a Páscoa era a vinte e cinco, as crianças não podiam festejar na escola, com os amiguinhos de turma, pois estariam de férias. Então resolveram fazer a festa na quinta e para isso, Clara, mandou fazer os convites que os meninos levariam para a escola e entregariam aos amigos. Nele se ofereceram para irem buscar e levar as crianças se os pais não pudessem levá-los à quinta. Era uma oportunidade das crianças passarem um dia diferente, até porque talvez a maioria nunca tivesse estado numa quinta.
As crianças deveriam devolver os convites assinados pelos pais, que diriam se os filhos iam ou não à festa, e se os levavam ou esperavam que os fossem buscar. Depois de obtida a resposta, era altura de começar a pensar em como  seria a festa. Nos enfeites da sala, nos doces, e na animação.
Também os filhos de Adelaide foram convidados, a passar as suas férias na quinta, e claro está, nas festas de anos dos dois irmãos.
Ricardo teve a ideia de contratar uma empresa de eventos infantis, que faria as duas festas, com temas escolhidos pelos meninos.
E assim no dia dos seus anos, Bernardo não cabia em si de contente. Ele nunca tinha tido uma festa assim. No ano anterior, Ricardo levara-os a passear, almoçaram num restaurante e depois foram ao cinema. Nada que se comparasse com a festa que ia ter naquele dia, com todos os seus amiguinhos.
A festa começou de manhã. Ricardo e Clara que agora já tinha o seu carro, dividiram-se para transportar as crianças para a quinta. Depois de um passeio por ela, onde puderam ver alguns dos animais e conhecer as diversas árvores de frutas no pomar, brincaram no pequeno parque, até à hora do almoço. 
De tarde a empresa montou uma tenda onde apresentou alguns números de ginástica e palhaços, com os quais as crianças deliraram. E depois do circo veio então o lanche, com o bolo e todas as guloseimas que eles tanto apreciam.
Uma semana mais tarde foi a festa de Soraia, mas em vez de circo as crianças assistiram a um espetáculo de marionetas.
Ainda antes da festa de Soraia, Ricardo terminou as suas férias e teve que se apresentar no quartel. Já tinha metido o requerimento para a sua passagem à disponibilidade na reserva, mas não sabia o tempo que levaria até saber se tinha sido deferido ou não.
Também por aqueles dias saíram as notas de Tiago, que tinha em todas as disciplinas a nota máxima.
Com toda esta azáfama, os dois quase não tinham tempo para pensar em si e no impasse em que estavam as suas vidas. Ricardo não voltara a falar de consumarem o casamento embora não raras vezes ela surpreendesse o seu olhar carregado de desejo preso nela.
E veio a Páscoa e a seguir o recomeço das aulas, e a vida dos habitantes da quinta voltou à normalidade.
A meio de Abril, Ricardo recebeu enfim a esperada notícia. O seu requerimento tinha sido deferido, provocando-lhe sentimentos contraditórios. Por um lado ficava agora livre para se dedicar à sua paixão pela escrita e publicar o seu livro. Por outro era o fim de toda a sua vida anterior, o adeus a companheiros que ao longo de muitos anos partilharam consigo tristezas alegrias e medos.
Era também o fim das suas saídas de casa que durante o dia, o mantinham afastado de Clara, do seu desejo por ela e da rejeição dela. Três dias depois do vinte e cinco de Abril, saiu à ordem a sua baixa e a notícia espalhou-se pelo quartel como relâmpago. E vários oficiais, amigos e companheiros, invadiram-lhe o gabinete para se despedirem. Emocionou-se.