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5.2.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XXIX



Organizar documentos, marcar dia e hora no Registo Predial, para a alteração da propriedade, preparar o documento de doação que ia dividir a propriedade, além do julgamento que tinha marcado para quinta-feira, o primeiro que Pedro tinha de enfrentar, mas que a levaria a acompanhá-lo pois o colega estava ainda muito "verde", e o advogado oponente era raposa velha,e defendia um homem que pretendia tirar os filhos à sua cliente, alegando que ela não era competente para tratar deles, quando o que pretendia, era não ter que lhe dar  parte do património do casal, sem se preocupar com o bem estar das crianças.  É verdade que a sua cliente andara menos bem, sofrera um descontrolo hormonal, após o parto do segundo filho, e caira num estado pré depressivo, conforme declaração médica. Mas o problema já fora detetado, a sua cliente fora medicada, e com o correto tratamento, em breve estaria completamente curada. Não se justificava tal causa, para  tirar-lhe os filhos. Por tudo isto, Amélia não voltara a ver Paulo desde segunda-feira, quando ele se deslocou ao escritório com os documentos da herdade, e as instruções para a doação. Verdade que falavam todas as noites ao telefone, mas ainda que ele insistisse em se encontrarem à noite ela alegava sempre estar cansada e ter que estudar aquela defesa, pelo que acabara por lhe pedir paciência até sexta-feira, o dia seguinte ao julgamento, que ela teria livre, para assistir à festa de encerramento do segundo período na escola do filho. Aquele tempo “morto”, não era o que Paulo desejava na relação, que mal principiara.  O que ele queria era poder estar com ela, apertá-la nos seus braços e dar livre curso à paixão que sentia. Porém ele conhecia um pouco da alma feminina. Sabia que Amélia sentia por ele um certo carinho, talvez por ver como ele tratava Martim, e sabia também que despertara nela o desejo físico por ele. Mas queria mais do que isso. Queria que ela o amasse de tal modo que esquecesse o falecido, a traição, todo o passado. Bom, todo o passado não seria possível, graças a Martim. Mas Martim era um caso à parte. Ele amava aquele miúdo.  Certo que ele sempre gostara de crianças. Talvez que a sua alma sensível de artista, fosse um pouco poética. Mas a verdade, é que ele sempre pensara que as crianças, são as flores com que a vida, quis alegrar a humanidade. Numa competição com a natureza, que criou as flores para alegrar os nossos olhos, a vida criou as crianças para nos alegrar o coração. Daí o seu amor por elas, que não raras vezes, eram a sua fonte de inspiração. Mas com Martim, esse amor surgiu mais forte. mais avassalador. Talvez porque o menino lhe fazia lembrar, dele próprio naquela idade. Não, Martim nunca seria um problema entre eles. Ele seria sempre o seu filho mais velho, tão amado como os outros que eventualmente viesse a ter. Sentia-o assim no coração.
Paulo sabia que se pressionasse Amélia, o medo que a afastou de uma vida normal depois da traição do marido, e que começava a desaparecer do seu coração, podia voltar. Para controlar a sua ansiedade, dedicava parte dos serões a pintar. No cavalete por acabar, podia ver-se uma mulher loira
acompanhada de um garoto moreno, numa estrada deserta, junto de um automóvel parado.
Na mesa, um bloco com vários esboços, onde não era difícil reconhecer Martim, em cima de uma moto, sentado junto do rio, correndo com Rex, brincando com os filhos de Alfredo. Vendo-os, percebia-se que Martim exercia sobre Paulo, um verdadeiro fascínio.



Para quem tem andado comigo por Alcobaça  AQUI está a última parte do Mosteiro