Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta cama de casal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cama de casal. Mostrar todas as mensagens

17.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXXII





Helena acordou, já passavam das oito horas. Tinha-se deitado cedo mas dormira mal. Cláudio não lhe saía da cabeça, nem do coração.
Sonhara que os dois estavam a fazer amor. Não era no quarto do hotel em Coimbra, nem naquele em que estava, tão pouco no seu quarto em Lisboa. Era num quarto grande, com uma cama de casal, em ferro, pintada de preto. No quarto havia duas portas e uma janela. Por uma dessas portas ela entrara, a outra não sabia para onde dava. Havia uma janela, cuja persiana não estava fechada. Apenas um fino e transparente cortinado branco, que não impedia o  luar de chegar até à cama, e os envolver no mesmo abraço amoroso. E era tudo tão real, que ela experimentou sensações que nem sequer imaginara que existiam, mas que a deixaram com pena de ter acordado. Mas alguma coisa a acordara, e sobressaltada, e olhou o relógio. Quatro horas da manhã. Depois disso, levara grande parte da noite, inquieta, e sem conseguir voltar a adormecer.
Tomou banho, vestiu-se e desceu. Ia tomar o pequeno-almoço, e esperar pelo seu suposto pai, a fim de irem fazer o exame de paternidade. Apesar de acreditar que Jorge Noronha era o seu pai, não se atrevia a trata-lo assim.  Poderia estar enganada, não queria apegar-se a um sentimento e depois sofrer uma desilusão. Iam fazer o exame, passaria parte do dia com ele, se fosse possível, e no dia seguinte partiria para a sua casa em Lisboa. Deixaria a morada no laboratório para lhe enviarem o resultado. Se como esperava  fosse positivo, o pai procurá-la-ia, quando tivesse contado tudo à esposa. E então ela gostaria de conhecer a sua casa, e a sua família. Não sonhava poder viver com ele. Seria difícil para a madrasta aceitar a sua presença, assim do nada, ao fim de tantos anos. Mas podia visitá-lo, e pelo que conhecera de Jorge Noronha, sabia que podia contar com o seu carinho, o seu apoio. Não queria pensar que o resultado fosse negativo. Jorge acreditava plenamente que era seu pai, por ele nem faria o teste. E ele tinha conhecido bem a sua mulher e o amor doentio que ela lhe devotava e que acabou por separá-los.
Na mala tinha um estojo com uma caneta que comprara dias antes, e onde mandara gravar o nome de Jorge. Era o seu presente de despedida, já que partiria no dia seguinte.
Eram nove horas e quarenta e cinco quando ele chegou.
-Bom-dia. Pronta? – Perguntou cumprimentando-a com um beijo na testa.
-Pronta e nervosa, -respondeu sorrindo.
-Não há motivos para isso. Vai correr tudo bem. Sempre vais amanhã para Lisboa?
Vou. O exame deve ser demorado e estou há quinze dias fora de casa. Foi difícil dar consigo, corri toda a região à sua procura.
- Então vamos passar o dia, juntos. Não voltaremos a poder fazê-lo tão depressa. Mas juro-te que logo que o médico diga que a Carmo não corre perigo, lhe conto e tenho a certeza de que vai querer que venhas viver connosco.  Tens algum namorico por lá?
- Não. Mas não gostaria de viver longe do tio Alberto. Gostamos muito um do outro. Foi o mais parecido com um pai que tive. E depois ele perdeu há pouco tempo o seu único filho. A tia Ana já morreu há dez anos, ele está muito sozinho.
-É muito nobre esse teu sentimento, minha filha. Quando chegar a altura logo se vê. Eu e o teu tio sempre fomos amigos, e apesar de estar aborrecido por ele não me ter falado de ti, não me importava nada de contar com ele junto de nós.
- A mãe, obrigou-o a jurar que não lhe contava.
Ainda me espanto com esse facto. A tua mãe amou-me sem medida e sem medida, me odiou. O Laboratório é aqui. Entramos?





Obrigada pelo vosso carinho. Não estou preocupada com a catarata, o marido foi operado há dois anos, aos dois olhos e sei que é uma cirurgia simples. Estava preocupada com a possibilidade de ser glaucoma, mas graças a Deus não é. Falei com o médico, e já decidi. Serei operada em Novembro.  Tenho tratamentos até ao fim do mês, em Agosto vou de férias, Setembro e Outubro tenho coisas agendadas.