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7.7.18

ALCÁCER DO SAL - UMA CIDADE COM MUITA HISTÓRIA

Na margem direita do rio Sado, a cidade estende-se sobre uma pequena colina, que se debruça no rio.
Alcácer do Sal, faz parte das cidades mais antigas da Europa. Provas arqueológicas afirmam-no. Era um porto importante no tempo dos fenícios, que aqui comercializavam e exportavam principalmente o sal, peixe salgado e cavalos. Para isso contribuiu o facto de nessa época o rio ser navegável até aqui. A cidade reflecte-se no rio, como se estivesse sempre a mirar-se nele. Lá em cima, o Castelo, que inicialmente o foi, ( hoje só conserva as muralhas e as torres,) depois foi um convento, e agora é a Pousada  D. Afonso II, sob a qual jaz a história da cidade através dos séculos. Querem ver?









Peças da idade do Bronze e moedas de várias épocas


A pousada oferece 35 quartos, tantos como teria o extinto convento, tendo sido reconstruída respeitando a antiga traça conventual, com os seus claustros e capela. Mas para além disso, a cave da pousada possui um verdadeiro tesouro histórico, como mostram as fotos anteriores

                                    O exterior da pousada,


De diferentes pontos do Castelo, o olhar encanta-se na paisagem, ora citadina, ora campestre, com os enormes campos de arroz (quando lá estive, era a época de preparar  os campos.)
Dentro das muralhas a Igreja de Santa Maria do Castelo, da qual mostrei acima o portal lateral de arco perfeito, prova da sua origem romana. Por falar em romanos, sabem que eles batizaram a cidade com o nome de Salacia? Por causa da influência do Sal. O nome de Alcácer, vem como todos os outros começados por Al, dos árabes, que também aqui se fixaram por causa do sal. Aqui na 1ª foto, temos o altar principal. Foi a primeira vez que vi numa igreja o altar principal sem sacrário. Lindo este púlpito.
Em cima, a capela do sacrário e em baixo a capela lateral que se adivinha na foto anterior por trás do púlpito.

Mas a cidade não oferece apenas o Castelo. Passeando pelas suas ruas encontramos outros motivos de interesse, como a Igreja de Santo António, a Igreja de Santiago, a Ermida do Senhor dos Mártires, ou o Museu de Arqueologia. No outro lado do rio, existe um belo parque para passear, do qual destaco um passeio de calçada portuguesa, com desenho das antigas embarcações do rio.



  Em Alcácer, não existem praias, mas a poucos kms temos as da Comporta, da Torre, do Carvalhal, da Raposa ou da Galé.

A esta hora, já devem estar cheios de fome. Vamos ver do que se compõe a gastronomia por aqui? Então temos como pratos típicos da região, ensopado de enguias, migas de pão, ou de batata, borrego assado no forno, coelho frito à S. Cristóvão, sopa e massa de peixe, arroz de choco e açorda.
Na doçaria as pinhoadas são rainhas, mas os rebuçados de ovos, a tarte de pinhão, as queijadas de requeijão, e o bolo real são também muito apreciados.
E depois, Alcácer do Sal, pertence às terras do Sado, de onde provêm vinhos de excelência.

E então? Vamos a Alcácer do Sal?



1.3.18

PAINÉIS DE ALMADA NEGREIRAS

 Um dos sítios por onde andei hoje. A Gare marítima da Rocha do Conde de Óbidos, um local cheio de história, por onde terão passado nos anos 60/70 a grande maioria dos mancebos portugueses. Por isso a grande maioria dos meus leitores portugueses, já os conhecem, mas eu não os conhecia.
 O edifício da Gare Marítima, foi inaugurada em 1943. Terá sido construída, por dois motivos. Primeiro porque realmente fazia falta em Lisboa uma gare, já que os navios de passageiros não tinham um sítio decente onde desembarcar os seus passageiros. Segundo porque a Europa estava em guerra e Portugal que teoricamente era neutro, mas que todos os países sabiam que fornecia à Alemanha materiais volfrâmio, açúcar e tabaco, e por isso, Salazar precisava fazer algo que exaltasse o espírito português. Daí a construção desta sala de boas vindas, projectada e construída por portugueses, com mármores portugueses.
Para dar maior realce, ao edifício foram encomendados painéis de pintura a Almada Negreiros. Estes painéis pintados eram uma inovação já que até aí eram sempre feitos em azulejos.
Almada Negreiros terá então pensado em lendas que exaltavam o espírito português e para isso começou por um tríptico, que conta a lenda da nau catrineta, associada aos descobrimentos. Neste primeiro temos uma nau, com os marinheiros à mesa e os pratos vazios. Como sabem, eles deitaram sortes para ver quem matariam, a fim de terem de comer. E logo a sorte foi cair no capitão que pede a um marujo, que suba ao mastro, para ver se via terra, numa tentativa de escapar da morte.
Entretanto o gageiro terá sido possuído pelo demónio, e pede alvíssaras ao capitão. Este oferece-lhe sucessivamente, a mais formosa das suas três filhas, muito dinheiro, o seu cavalo branco e a nau catrineta, mas tudo ele recusa, dizendo que quer a alma do capitão. O capitão renega-o dizendo que a sua alma é só de Deus, e que antes dá o corpo ao mar.
Nesta pintura se pode ver a nau, as três meninas e o cavalo.
 Vencido o demónio pela fé do capitão, eis que chegam a terra. Esta pintura mostra a chegada a terra. Reparem que apesar desta lenda ser relativa aos descobrimentos, o pintor usou para "vestir"as pessoas, roupas da época. Anos 40.
 Este painel representa o milagre da Senhora da Nazaré. Penso que todos conhecem a lenda, mas reparem na pintura. D. Fuas Roupinho está vestido com um traje de cavaleiro tauromáquico. Os pescadores e as mulheres têm igualmente roupas da época, apesar da lenda ser do século XII
 Neste painel intitulado, "A terra onde nasci" vemos Lisboa. Todos sabemos que Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe, mas apesar de ter viajado muito, ele adotou Lisboa como a cidade do seu nascimento. Neste painel vemos que Lisboa nesta época era quase rural.Temos aqui uma igreja com um marujo e uma "sopeira" ele vestido da cor do mar, ela da cor da terra, um grupo de gente que pelas suas roupas serão burgueses fazendo um piquenique, um pequeno casario e as colinas nuas de edifícios. Conseguem imaginar Lisboa assim?
 E agora temos outro tríptico com o titulo "quem nunca viu Lisboa, não viu coisa boa"
E neste primeiro temos as carvoeiras, Que Maria José Valério tão bem cantou,   desembarcando o carvão das fragatas no Tejo.
 E porque Lisboa sem o Tejo não teria o encanto que tem, neste painel o rio é exaltado, dando nome a um dos barcos.
Por último nesta pintura , se enlaçam a cidade e o rio, Lisboa representada pelo Castelo de S. Jorge e a igreja da Sé, o rio pelos barcos e os pescadores que separam  as cavalas dos salmonetes.



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