Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta amuada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amuada. Mostrar todas as mensagens

6.10.21

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXVIII


Noite de passagem de ano. Fernando e Helena tinham acabado de adormecer Diogo, e preparavam-se para assistir ao programa televisivo de fim de ano. Não era o melhor programa do mundo, mas por causa do menino, e da própria situação de Fernando, não podiam sair. Ela vestia um bonito vestido de lã branco, ele vestia umas calças de ganga, e uma camisola de gola alta também branca. 
- Queres dançar, doutora? Podíamos desligar a televisão e por um CD.

Em resposta ela agarrou no comando e desligou o aparelho. Ele procurou um CD e colocou-o no leitor. Depois pegou na pequena mesa de sala afastou-a para um canto da  mesma.  
- Assim temos espaço, doutora -disse enlaçando-a

 Dançaram durante algum tempo em silêncio, desfrutando do prazer que sentiam, os corpos juntos como se estivessem colados.
-Danças, muito bem, doutora.
- Porque me tratas sempre por doutora? O meu nome é Helena.
Ela parecia amuada. 

Ele sorriu apertando ainda mais o amplexo.
- Porque gosto. Porque chamar-te doutora, é para mim uma forma de dizer que te amo, sem ninguém mais entender.
- Amas-me? – perguntou ela erguendo o rosto para o fitar, sentindo que a atmosfera se tornara mais pesada, e o coração lhe queria saltar do peito.

- Amo-te mais do que possas imaginar, mais do que eu mesmo sonhei amar algum dia, E amo o teu filho, como se fosse meu, e vou querer-vos na minha vida para sempre, doutora. Quero casar contigo e acompanhar e proteger o Diogo. E fazer amor contigo e ter outros filhos. E espero sinceramente que não te seja de todo indiferente, e que aceites casar com um pianista desmemoriado.

Ela sorriu emocionada. Mal podia falar. Só conseguia pensar, que ele a amava, e que amava também o seu filho. Duas lágrimas rolaram-lhe pela face, e foram morrer na sua boca. E então murmurou:
- É claro que aceito. Tenho um fraquinho por pianistas desmemoriados, não sabias?
-Tinha uma leve desconfiança, - disse sorrindo e inclinando-se para a beijar.

Foi um beijo longo, apaixonado, a língua dele, invadindo-a exigente. Helena, sentiu-se desfrutada com paixão. Sentiu que o desejo percorria o seu corpo, queimava a sua pele, arrastando-a para um abismo de sensações.  Não resistiu, soltou um gemido e disse-lhe com a sua própria língua, que iria até onde ele a quisesse levar.
E então ele deu-lhe a mão e levou-a para o quarto.


Aos amigos que por aqui passam peço desculpa se não consigo visitá-los diariamente, mas tenho que proteger os olhos que não andam muito bem. Prometo voltar sempre que me sinta melhor. Obrigada pela vossa compreensão