25.4.11

25 DE ABRIL

Há 37 anos atrás o 25 de Abril e a revolução dos cravos aconteceu na minha vida quando eu era uma jovem cheia de sonhos. Em África onde me encontrava a acompanhar o marido que era militar, eu sonhava com a Liberdade com o fim da guerra e sobretudo com uma vida melhor e mais igualitária para todos. Nasci numa família muito pobre, numa barraca sem água e sem luz, não pude estudar, aos 11 anos fui trabalhar.  Fazia recados, tocava o gado na nora da quinta para a rega, e carregava padiolas de estrume que chegavam em fragatas para adubar as terras. Mais tarde aos 14 anos fui trabalhar para a Seca do bacalhau. Como quase toda a gente que vive assim, o meu maior sonho na altura era viver numa casa de pedra, com água e luz. Quando casei concretizei alguns desses sonhos, e quando aconteceu o 25 de Abril pensei que a vida dos portugueses ia enfim tomar um rumo. Com a Liberdade não íamos mais olhar  o nosso vizinho com desconfiança cada vez que desabafávamos sobre a vida que tínhamos, já que até aí muitos iam presos um ou dois dias depois de certos desabafos. Mas pensei também que com o fim das guerras coloniais, a vida dos jovens portugueses ia melhorar muito.  Iamos enfim ter um País mais justo. Passaram 37 anos, e meus pais que toda a vida trabalharam duramente, só não morreram na miséria num qualquer canto porque enfim os filhos ajudaram e muito.Minha mãe por exemplo, acamada por causa de trombose, completamente dependente para tudo recebia 315€ para um lar de 800€ fora medicamentos e fraldas. Não é difícil adivinhar o fim daqueles que não tenham filhos ou que tendo-os também devido a desemprego ou doença não possam ajudar. Somos um País cada vez mais idoso, e as esperanças do 25 de Abril nos darem uma vida mais digna já se esbateram há muito. Resta-me já pouca vontade de festejar a data. A vida sem Liberdade não faz sentido é verdade. Mas a Liberdade sem pão faz?

5 comentários:

isa disse...

Passei ontem por aqui,mas só hoje deixo uma palavrinha.
A Liberdade sem Pão ñ faz sentido!
Ñ foi isso que sonhámos e por que lutámos!
Beijo.
isa.

São disse...

Ontem não me foi permitido deixar comentário. Assim, regressei para lhe dizer que , apesar dos pesares e de não ser nada disto que eu esperava de Portugal após Abril, prefiro esta situação ao anterior regime.

Resta , como parece inevitável, lutar para alterar a situação: uma das formas é não votar sempre nas mesmas formações partidárias /pessoas.

A responsabilidade, por muito doloroso que seja assumir, é também nossa.


Um abraço com cheiro a cravos frescos.

Luma Rosa disse...

Elvira, também prestei a minha homenagem a data! Não acho que devam desanimar, pois se antes não podiam desabafar, hoje podem! Portugal sempre teve um povo forte e guerreiro e continuará sendo! Beijus,

Isamar disse...

Compreendo o teu desabafo igual ao de muitas pessoas que sonharam um Abril completamente diferente.Tens razão! Eu também lutei e luto por uma sociedade mais justa, mais igualitária e vejo agravar, cada vez mais, o fosso entre ricos e pobres. A abundância de uns e a miséria de outros não pode agradar a ninguém. O futuro dos nossos filhos e netos não é promissor, não é de esperança, mas temos de lutar por eles. Os anos sucessivos de más governações trouxeram-nos agora uma dependência económica acompanhada de muitos sacrifícios para os mesmos, os mais pobres, os trabalhadores. É humilhante, é aviltante, é desmoralizador. Nós queremos Liberdade com paz, pão e trabalho. Que haja quem nos saiba governar! E vamos votar todos no dia 5 de Junho dizendo não à abstenção. Eu sei que tu és daquelas que não fica em casa e nas últimas eleições, por causa do cartão de cidadão, segundo creio, tiveste de passar por algumas peripécias.

Beijinhos

Bem-hajas!

Tite disse...

Amiga,

Anima-te que, penso eu, apesar dos pesares vamos tendo que comer.
Votar em quem não merece também não me parece conveniente e o FMI certamente já traçou o nosso destino independentemente de quem ganhe as eleições.

Resta-nos esperar que os Portugueses partam para a grande batalha da produção que nos fortaleça e nos livre de qualquer dependência.

É demagogia? Pois mas o que vivemos até agora também foi uma vez que vivemos acima das nossas possibilidades e agora temos que pagar com língua de palmo.
Só espero que os Partidos de Esquerda não se demitam das suas responsabilidades e actuem pedagogicamente juntos dos trabalhadores que tão bem comandam quando querem fazer greves, manifestações e outras festas.

Como vês não és só tu que estás desencantada.

Beijossssss