Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta esplanadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta esplanadas. Mostrar todas as mensagens

7.12.15

AMANHECER TARDIO - PARTE IX




                            Estátua do rei D. Sebastião
                                          Foto minha


Perto das seis, Isabel saiu de casa com intenção de dar um passeio pela baixa. O dia, que de manhã ameaçara chuva, apresentava agora um céu limpo, onde reinava um sol intenso.
Vestia uma saia calção de algodão azul-marinho e uma blusa branca do mesmo tecido, com um decote na diagonal que deixava a descoberto um dos seus belos ombros. O cabelo castanho apanhado mostrava a forma esguia do pescoço.
 Óculos escuros escondiam-lhe os olhos sem tirar beleza a um rosto onde se destacava a boca pequena e bem desenhada. Desceu a rua Cândido dos Reis em direcção ao centro histórico, passou pela Praça Gil Eanes, onde um turista , se deixava fotografar junto à estátua do rei D. Sebastião, lançou um breve olhar à estátua humana, que do outro lado, aguardava que alguém deitasse no balde uma moeda, para esboçar um breve agradecimento e aliviar ainda que momentaneamente o corpo da incomoda imobilidade.
                                        Foto minha

Seguiu por entre esplanadas até ao mercado municipal, e aí atravessou a Avenida das Descobertas e foi sentar-se num banco sob a sombra de uma frondosa palmeira, na marginal. Encantava-se com aquela enorme marginal que corria ao longo da ribeira de Bensafrim, até ao forte Pau da Bandeira. 
Pela ribeira, que naquele sitio mais parecia um canal, passavam constantemente barcos, dos mais variados tamanhos e origens.
Grandes e luxuosos iates, que pertenciam aos turistas e se dirigiam à marina, barcos de turismo que fazem a ligação Lagos – Sagres - Lagos, traineiras que saiam para a pesca, e os pequenos barcos a motor, sempre cheios de turistas para uma curta viagem até à Ponta da Piedade, cujas grutas marinhas e formações rochosas, são o orgulho da cidade.
Isabel retirou da bolsa um livro e tentou concentrar-se na leitura. O livro falava sobre um Tsunami, que uns cientistas acreditavam ir acontecer e dos esforços empenhados em fazer com que toda a gente acreditasse e se pusesse a salvo, pese embora o facto de que tudo na natureza se mantinha aparentemente calmo. A leitura era interessante, mas a atenção de Isabel aos poucos foi-se afastando,  até que a memória mergulhou de novo no passado.



                                    Ponta da Piedade. Foto minha