As mouras do Rio Frio
Amélia Serras e Maria José Marques, ambas de Mação, dizem que ainda existem, próximo da foz do Rio Frio, os restos de uma anta já estudada por arqueólogos do Museu de Arte Pré-histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, anta que, na tradição popular, era conhecida por Casa da Moura, tendo sido essa designação que chamou a atenção dos responsáveis do Museu. E Casa da Moura porquê?
Porque diz a lenda que as mouras de Rio Frio fiavam com perfeição e, quem quisesse que o seu linho fosse fiado e tecido a preceito para depois confecionar lençóis de noivado ou finas toalhas de altar, era só deixar as meadas em cima de uma das pedras da anta.
Nessa mesma noite as mouras recolhiam as meadas e, no dia seguinte, lá estava depositado no mesmo local, o linho já devidamente tecido, pronto a ser costurado.
Como recompensa, a “feliz contemplada” deixava no local uma farta dose de comida, que tinha de ter boa qualidade, não fossem as mouras ficarem contrariadas e deixarem de fazer tão útil trabalho.
E, quando os camponeses, já de noite, voltavam a casa, terminado o seu trabalho diário nas hortas, viam com frequência as mouras ao luar.
FONTE:
- EXPOSIÇÃO “Histórias e Lendas de Mação”, Maria José Marques e Amélia Serras
- MEMÓRIA DAS PONTES, Teresa Aparício, pág. 089.
