Missão de Marrere
Pelo caminho o irmão foi-lhe mostrando quão difícil era ser médico num hospital africano, tantas vezes carecido de material básico, bem como medicamentos, para a saúde da população. Faltavam antibióticos, vitaminas e analgésicos. Por vezes ele mesmo, dava um salto à cidade, para comprar do seu bolso, um medicamento essencial para um doente mais grave. Era um trabalho cansativo, doloroso até, pelas histórias que encerrava, mas era ali que ele queria estar e assim que queria viver.
Parecia impossível que a Missão ficasse a tão curta distância da cidade em quilômetros e a tão grande, na forma de vida das pessoas. Na moderna cidade que Daniela percorrera, era difícil procurar alguma coisa e não encontrar, por mais supérflua que fosse. Ali, na Missão, era difícil encontrar o que se precisava, por muito essencial que fosse. Ali até a água era escassa.
Escola Polivalente de S. João Batista - Marrere
Quando à noite regressaram à cidade, depois de ter visto a fila de doentes que ele atendeu, de ter visitado o hospital e ter falado com algumas enfermeiras, também elas voluntárias; depois de ter visitado a Escola Polivalente da Missão de S. João Batista, Marrere, de ter tomado conhecimento dos imensos problemas dela, na área da Saúde e Educação, Daniela compreendeu porque o irmão tinha vendido a parte dele na fábrica da família.
Depois do jantar, conversaram, sobre tudo o que ela tinha visto, e o irmão falou-lhe da iniciativa de apadrinhamento de uma criança. Ela quis saber do que se tratava, e ele explicou-lhe que tinha sido um recurso a que os Irmãos que dirigiam a Missão, deitaram mão para poderem ajudar mais crianças. Consistia em se tornar padrinho de uma criança, pela quantia de cem euros anuais. Com esse dinheiro uma criança teria alimentação e acesso ao ensino. Menos de dez euros mensais, era tudo o que era preciso para transformar a vida de uma criança e dar-lhe a possibilidade de um futuro.
Ficou muito sensibilizada, e ali mesmo decidiu que ia apadrinhar uma criança e falar na iniciativa às suas amigas.
Depois mudando de conversa, quis saber como conhecera David, e porque nunca lhe falara nele.
Daniel respondeu que eram amigos da faculdade, e que nunca falara nele, como não lhe falara de todos os amigos que teve no tempo de estudante.
E não conseguiu saber mais nada.
Vinte dias mais tarde regressava a casa.
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Aviso ao leitor. O serviço de apadrinhamento de crianças, existe mesmo. Na Missão de S. João Batista de Marrere e em outras Missões espalhadas por Moçambique. Se alguém estiver interessado em ajudar, informe-se.

