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20.11.20

CILADAS DA VIDA - PARTE LXI

 


- Porque embora eu espere viver muitos anos, para desfrutar da família que vamos criar, ninguém sabe o dia de amanhã, “para morrer, basta estar vivo” como costumava dizer a falecida dona Hortense, mãe da Olga. E eu quero que se me acontecer alguma coisa, tu e os meninos estejam legalmente protegidos pelo casamento, e sobretudo que eles não sejam considerados bastardos. Também quero que me prometas, que se me acontecer alguma coisa, lhe dirás sempre que  eles foram concebidos com muito amor, e não saibam nunca a maneira fria e mecânica, como foram gerados. Prometes-me isso?

-Prometo.

E aceitas que o casamento seja o mais rápido possível?

-Visto por esse ângulo sim, muito embora  me custe a entender que penses nisso. Afinal de contas és um homem jovem e saudável.

-Aos vinte anos era mais jovem e também me julgava saudável e sabes o que aconteceu. Claro que eu espero viver ainda muitos anos, mas sempre ouvi dizer que mais vale prevenir do que remediar. Mas, deixemos de lado pensamentos tristes e diz-me. Como sonhaste o teu casamento?

- Nunca sonhei que me casaria a não ser na adolescência, e nessa altura,  penso que como todas as jovens, sonhava com um casamento de princesa. Depois cresci e a vida se encarregou de me mostrar que os príncipes só existiam nas histórias infantis. Na vida real, os homens estavam mais para sapos, do que para príncipes. Desculpa…

-Não tens que pedir desculpa, não me sinto nem uma coisa, nem outra. Quero que saibas, que devido à minha situação profissional, sou um homem que está habituado a tomar todas as decisões. A ser sempre eu a decidir, o que se faz e o que não se faz.  Sei que aquilo que eu quero e penso, não tem de ser forçosamente aquilo que tu pensas e queres. Então promete-me, que sempre que isso acontecer mo dirás. Para que cheguemos a bom porto, sem  que tenhas que te anular, em função do que eu penso ou desejo. Esclarecido este ponto, vou dizer-te o que pensei em relação ao nosso casamento. Com a certeza de que mudarei, aquilo que não te agrade. 

Pensei que dado o teu estado, podemos realizar uma cerimónia íntima, aqui mesmo, lá fora no átrio, que é um espaço bonito. Poderás escolher o vestido e tudo o mais que precisares pela Internet, e a Olga ou a Inês poderão tratar do assunto. Ou, o que eu penso ser bem mais prático, eu telefono para uma loja da especialidade e eles mandam alguém com vários modelos para escolheres e experimentares, até porque dada essa barriguinha,  decerto terão que fazer alguns ajustes no modelo que escolheres. 

Convidaríamos os padrinhos e alguns familiares deles;  como por exemplo, Helena, a noiva do meu irmão, e Sandra a tua enfermeira, ou as três se preferires. Do teu lado creio que também não são muitas pessoas.

- A Inês e família, incluindo os pais dela, pois já te falei, do quanto os pais dela, têm sido importantes para mim.

- Claro que sim. Depois da cerimónia, teríamos aqui uma pequena comemoração.  Após o nascimento dos bebés, poderemos então realizar o teu casamento de sonho,  uma cerimónia na Igreja, e uma festa num hotel, para alguns dos meus melhores clientes e colaboradores. E até fazer uma festa no refeitório para todos os outros empregados.

 A lua-de-mel, é que é mais complicado, acredito que nem eu, nem tu, vamos querer viajar e deixar três bebés ao cuidado de amas; e uma lua de mel com três bebés e três amas, no mínimo seria muito estranho.  De modo que penso que a lua de mel terá que ser protelada por um ano ou dois, até que os meninos estejam mais crescidos e depois quem sabe, podemos deixá-los com a Olga e as amas. Estás de acordo?

- Sim - disse ela, recostando-se e procurando mudar a posição do corpo.

- Meu Deus estás cansada. Vem, - disse estendendo-lhe a mão para a ajudar a levantar - se. Tens que te deitar um pouco, esqueci que as emoções também cansam. Mais logo ao jantar acabamos a conversa.

Abriu a porta e logo Sandra saiu da sala e se preparou para acompanhar Teresa ao quarto.