24.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE XXVII


Telefonou pouco antes das quatro da tarde, quando estava a acabar o turno. Ela atendeu ao segundo toque.
- Sim.
- Olá, como estás?
- Esperando…
- Estou a ligar por isso, Vou sair agora. Estás na escola?
- Ouves a campainha? As aulas estão a terminar agora.
- E vais para casa?
- Vou.
- Vou lá ter contigo. Pode ser?
- Penso que fui muito clara naquele dia, Nuno. 
- Está bem. Até já. Beijo.
Desligou sem esperar resposta.
Luísa ficou uns segundos a olhar para o telemóvel. Depois apressou-se a guardar o material que estivera a usar. Pegou na mala e levantou-se para sair, no momento em que a auxiliar entrava na sala para a limpeza da mesma.
Na saída saudou a outra auxiliar que ao portão impedia as crianças de saírem sem antes identificar o familiar que as viera buscar e entrou no carro.
Estava nervosa. Tinha noção de que algo na sua vida ia mudar muito em breve, fosse qual fosse a decisão que Nuno tivesse tomado. Dentro de dias, faria trinta e cinco anos. Alguns diriam que estava na plenitude da vida. Porém não era assim que ela se sentia.
A verdade, é que a vida teimara em ser para ela, como as bruxas más dos contos de infância. Tempos atrás, pensando que Nuno tivesse casado e fosse feliz, ela só pensava nas suas aulas, nas suas crianças, e era feliz. Mas o reencontro com o homem que sempre amou, o saber que ele não tinha qualquer compromisso de ordem amorosa, despoletou o vulcão adormecido no seu peito. As aulas, as crianças, as reuniões com as colegas, já nada lhe bastava. Ela precisava de algo mais que a completasse. Algo que ela pensou ter morrido, com a má experiência do passado, mas que renascia agora mais forte que nunca.
O que ele lhe contara no último encontro, chocara-a. Como não? Saber que uma pessoa, perde um membro por causa de uma mina, que os senhores da guerra deixaram esquecida como objeto inofensivo choca sempre. Mas isso não alterou em nada o que sentia por ele. Ou talvez sim, pois a admiração que sempre sentiu por ele era agora bem maior.
Mas e ele? Conseguiria algum dia livrar-se daquele sentimento de inferioridade, que a mina lhe deixou no lugar da perna?
Tantas interrogativas passavam pela sua cabeça, enquanto conduzia a caminho de casa. Precisavam fazer amor. Luísa sentia que era a única coisa que podia por tudo nos seus devidos lugares, para o bem ou para o mal. Só nesse momento intimo, ela saberia se o amor que sentia por Nuno, era maior do que o medo das lembranças que o acto em si, despoletaria. Acreditava que acontecesse o mesmo com ele.
Finalmente chegou ao estacionamento do seu prédio. Nuno já tinha chegado. Saiu do carro mal ela estacionou o veículo. Deu a volta ao carro, e abriu-lhe a porta.
- Olá, – disse saudando-a com um leve roçar dos lábios, pelos seus. - Tive tantas saudades tuas. Vim buscar-te. 

- Olá. Está um trânsito  infernal. Onde vamos? - Perguntou abrindo a porta de casa. Sem esperar resposta, acrescentou.
- Espera-me na sala. Vou tomar um duche e mudar de roupa. Não me demoro.



19 comentários:

noname disse...

Já cá tomara o episódio seguinte :-)

Boa noite Elvira

Cantinho da Gaiata disse...

Elvira, minha querida amiga, isto não se faz, vou ficar em stress sem saber o que vem a seguir, please.
O coração não aguenta tanta anciedade.
Beijinho ou melhor mil beijinhos, um episódio extra.

Diana Fonseca disse...

São os momentos intensos que nos dão as respostas que tanto precisamos. Gosto.

Beijinhos, A Vida De Diana.

Olinda Melo disse...


Olá, Elvira

E o conto vai seguindo o seu curso cada vez mais interessante.
Espero que estes dois encontrem o seu caminho.

Bj

Olinda

Lucia Silva disse...

E como está interessante! Cada vez melhor e o próximo promete, haja coração!!!
Beijos carinhosos!

Pedro Coimbra disse...

Love is in the air!!
Bfds

✿ chica disse...

É HOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOJE,rs...Tomara!!! beijos,chica

Gil António disse...

Chegar a casa, tomar um duche, mudar de roupa, ter alguém esperando na sala... faz imaginar que.... ( ai ai a minha mente, lool)
.
{ tema: "" Mãe, a mulher, ventre sagrado, que dá à luz, vida "" }
.
Deixando saudações poéticas.
.

Roaquim Rosa disse...

bom dia
estamos todos á espera de uma noite sugestiva , o que parece mais provável dado o pensamento que vai na cabeça dos dois .
esperemos só pela intensidade !!!
JAFR

Tintinaine disse...

Pelo que vi nos comentários anteriores não vale a pena eu acrescentar nada. Está tudo à espera que eles caiam na cama. Vamos lá a isso e ver como corre.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Isto vai aquecer.
Um bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

António Querido disse...

Só espero que o vulcão não faça explodir o quarto!-:))

Aquele abraço.

Edumanes disse...

Será que é hoje o dia de tudo ou nada. Pelo que acabei de ler, Luísa está desejosa de fazer amor para ter a certeza do que o seu coração ainda sente por Nuno?

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Jaime Portela disse...

Um belo conto, como sempre bem narrado.
Bom fim de semana, amiga Elvira.
Beijo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Vai correr bem ... haja perseverança e diálogo!!!bj

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Hum!
Correndo para ler o outro capítulo.
Muito curiosa,beijinhos.

rendadebilros disse...

Ai este suspense... A magia antiga vai voltar? Aguardemos. Beijinhos. Bom fim-de-semana!

Rosemildo Sales Furtado disse...

O paraíso os espera. Rsrs.

Abraços,

Furtado

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