20.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO. PARTE XXII






- E se deixássemos de lado o passado, e desfrutássemos desta magnífica refeição? – Perguntou Nuno
Não lhe agradava a tormenta que adivinhava nos olhos femininos, cujo azul se apresentava quase negro. Desde que falara com o pai que estava a por em causa, tudo o que pensara sobre ela durante anos.
Luísa não respondeu. Limitou-se a pegar no talher e iniciar a refeição.
Uns minutos depois ele quebrou o silêncio.
- Segundo sei, as tuas aulas acabam em breve. O que costumas fazer nas férias? Viajas?
- Não. Passeio pela cidade, visito museus e igrejas. E aproveito para ler. Não tem graça viajar sozinha. Não se tem com quem partilhar emoções.
- Às vezes encontram-se boas companhias em viagens.
-É possível. Mas os meus livros também me levam a viajar e são excelentes companhias.
- Claro que sim. Mas…chega-te? O que quero dizer é que és uma mulher jovem e bonita, estás na plenitude da vida. Não tens desejos de algo mais? Uma família, por exemplo?
- Não.
- Gostaria de te perguntar porquê. Mas penso que não tenho o direito de entrar na tua intimidade.
- E eu gostaria que tu soubesses porquê, sem precisares perguntar.
- O que nos remete de novo para o passado.
- E temos alguma coisa em comum que não seja o passado?
- Acredito que sim. Senão vejamos. Ambos adoramos crianças, ambos escolhemos profissões que nos põem ao serviço delas completando-se. Tu abres-lhes a mente com os teus ensinamentos, eu abro-lhes o corpo para lhes restituir a saúde. Ambos gostamos de ler, e… de caldeirada de marisco – completou sorrindo.
- E de vinho Rosé - disse Luísa, agora menos tensa.
- A propósito de crianças, aquele miúdo que ainda está no hospital, vai perder o ano? Pedi novos exames para segunda-feira, e se estiver tudo como espero, vou dar-lhe alta, mas será que consegue recuperar as aulas perdidas?
- Claro que sim. Tenho feito as lições com ele, todas as tardes no hospital, -respondeu Luísa.
- Devia calcular que não o ias deixar para trás. Se vais todos os dias, sabes que com a fisioterapia está a fazer grandes progressos. Mas depois de ter alta precisa de especial cuidado. Uma queda, ou pancada naquela perna, pode ser muito grave.
- Dentro da escola, não terá qualquer problema. Cuidarei dele o tempo todo. Mas as aulas estão quase a terminar, os pais estão emigrados e ele vive com os avós, que já não são novos e têm problemas de saúde especialmente o avô.
- Então provavelmente o melhor é aguentá-lo mais uma semana no hospital. Não sei se sabes, mas aquele osso teve várias fraturas, estava praticamente todo fragmentado foi necessário recorrer placas metálicas para o reconstruir.
-Sabia que tinha sido grave, mas não imaginei semelhante quadro.
Tinham acabado a refeição, e o empregado aproximou-se para recolher os pratos e entregar-lhes a ementa dos doces.



17 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
vamos agora atravessar a fase da ansiedade , mas penso que será por pouco tempo, já que agora é a vez dele lhe dizer o que se passou com ele nomeadamente sobre o acidente e não só .
ca estamos todos á espera desses novos episódios .
JAFR

Tintinaine disse...

Só faltava a sobremesa, o café e a conta!
Isso que faz aos leitores é sadismo, Elvira!

Roselia Bezerra disse...

Bom dia, querida amiga Elvira!
A história está se desenrolando esclarecendo mistérios e eu estou ansiosa para ver o que se sucederá...
Seja muito feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar uma ótima semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Larissa Santos disse...

Bom dia. Estou a gostar. Curiosa para o final. :)

Bjos
Boa Segunda-Feira
.
Hoje:""Nunca será cansaço quando a espera é desejo""

Diná Fernandes O.Souza disse...

Bom dia Elvira,

Este conto promete um bonito desenrolar. A maestria das tuas narrações são encantadoras. Pena que minha coluna não me permite passar muito tempo o PC , mas gostaria de ler um por um dos seus contos.

Desejo um grandioso dia extensivo à uma abençoada semana.

Abraço!

António Querido disse...

E depois dos doces? Vá lá amiga conte-nos rápido, estou curioso!
O meu abraço.

Lucia Silva disse...

Uauuuu, muito tranquilo o jantar, apesar de vez em quando uma tensãozinha devido ao passado, mas no geral um jantar quase romântico e agora vindo os doces tudo tende a adocicar até a alma rsrsrs.
Beijos e um restante de dia bem feliz!

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia amiga!
A conversa está progredindo, que bom!
Logo se entenderão! Beijinhos.

Edumanes disse...

Nuno e Luísa falaram do passado,
gostam de caldeirada de marisco
sem que tivessem entornado o caldo
desse, seu, tão apetitoso petisco!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço
Eduardo.

Manu disse...

A história está a compor-se e imagino que os dois ainda vão reatar e voltar a ficar juntos.
Fico ansiosa para saber o desfecho.

Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

Está a compor-se...
fiquei angustiada da conversa sobre o passado durante a refeição, acho que se fosse eu a Luísa, não tinha conseguido comer nada de nada.
boa semana
beijinhos
:)

Anete disse...


As coisas estão acontecendo naturalmente. Os dois recuperarão o tempo perdido... A vida dá muitas voltas...

Uma boa semana, Elvira! Bj

Ontem é só Memória disse...

Fiquei aqui ansiosa para saber mais!

Bjxxx
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lis disse...

E de conversa em conversa chega-se lá rsrs
Tomara
Estou gostando Elvira

Cantinho da Gaiata disse...

Lá vou ter que ler mais um capítulo para ver o que acontece, vá lá Elvira chega de rodeios, mais adiante...
Bjs

Rosemildo Sales Furtado disse...

O café e a conta. E depois? Só nos resta aguardar.

Abraços,

Furtado