14.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE XV





A tarde desse dia passou-a no hospital com os seus alunos mas também com a outra professora, e os alunos dela.
Soube que a colega teria alta no dia seguinte, se até lá continuasse a não haver sinais do traumatismo craniano. Algumas das crianças, com ferimentos menos graves, que tinham ficado internadas por precaução estavam a ter alta nessa tarde, e em princípio ficariam só aquelas que foram submetidas a cirurgia. Seis ao todo, sendo cinco meninos da sua turma e uma menina da turma da colega.
No fim-de-semana, Luísa passou as tardes no hospital, principalmente junto de uma das crianças que tinha os pais emigrados, e vivia com os avós. Ela sabia das saudades que o pequeno tinha dos pais. Os avós adoravam-no, mas já eram idosos,  o avô tinha problemas de saúde e a avó não podia estar muito tempo no hospital, pelo que Luísa tomou a seu cargo a criança, como se fora um familiar.
Adorava crianças. Fora isso que a levara a escolher a profissão que tinha, pois depois da sua experiência matrimonial, não acreditava possível voltar a confiar num homem ao ponto de pensar em casar e em ter as suas próprias crianças. Há uns quatro anos ainda pensara em recorrer a um banco de esperma. Mas depois pensou que uma criança precisava de pai e mãe para se sentir completa. Ela fora criada apenas pelo pai, e sabia bem o que isso era. Então decidiu que não traria um filho ao mundo para viver a vida só pela metade.
Tinha um carinho especial pelos seus alunos. E talvez por isso, as crianças gostavam dela e se esforçavam para cumprir os objetivos impostos par cada ano.
Na segunda-feira, retomou as aulas, com as crianças ainda inquietas pelo susto que tinham passado e pela falta dos colegas ainda internados. Como Beatriz, a colega acidentada, ainda estava de baixa, apesar de já ter tido alta hospitalar, e como havia apenas duas turmas do terceiro ano, Luísa teve que ficar nesse dia com todas as crianças, o que lhe tornou o dia muito desgastante. Ainda assim, quando às dezasseis horas terminaram as aulas, foi direta para o hospital.
Não tinha voltado a encontrar o doutor Nuno Albuquerque, embora soubesse pelos miúdos que os ia ver todos os dias. Inicialmente tinha receio de voltar a encontrá-lo. Porém depois percebeu que ele estava ou nas urgências ou no bloco operatório, ou nas consultas externas. Só ia à enfermaria para a visita diária, e isso era sempre de manhã, fora de horas de visita.
Não percebia o que se passava com ela. Se por um lado receava encontrá-lo por outro desejava-o. Gostaria de poder falar com ele, saber como vivia, se tinha casado, se tinha filhos. Afinal, ele fora a pessoa que ela mais amara na vida, mesmo que ele pensasse o contrário. Sentir-se-ia melhor, se soubesse que não lhe guardara rancor, e era feliz.



O casalinho já está quase fino. Parece que teremos sido apanhados por uma virose que anda por aí. Não é hábito especialmente eu, sofrer destas coisas, mas talvez tenha influenciado o facto de termos feito na véspera a vacina. As defesas devem ter aberto alguma brecha. Mas tudo está bem quando acaba bem, não é mesmo? Obrigada a todos.




16 comentários:

✿ chica disse...

Na torcida pelo reencontro com esse doutor que está chateado e arisco...Ambos terão muito a dizer!

Que bom estão bem! Isso nos alegra! bjs, chica

Tintinaine disse...

O doutor Nuno é bom rapaz e vai ajudar a curar a paciente. Além do mais o amor cura tudo.

Larissa Santos disse...

Bom dia Elvira,. Adorei o conto. Realmente não devemos guardar rancor. Nunca se sabe quando as coisas dão a volta ao contrário. Adorei

Desejo-lhe as melhoras- Sim talvez tivesse sido das vacinas. Tudo de bom.

Bjos
Boa Terça-Feira.
Hoje o tema é meu lá no "Brincando"

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar esta interessante história.
Uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

António Querido disse...

A reacção à vacina, só aparece uma semana depois!

Com o meu abraço.

noname disse...

iiiiiiééééééé´
Haja saúde :-)

Beijinho

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida amiga Elvira!
Amei o final da parte do conto de hoje... a gente fica mesmo feliz quando não guarda rancor e ningúem tem para consoco mágoa alguma. Lindo isso!
Melhoras cada dia mais e mais.
Seja muito feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

https://espiritual-marazul.blogspot.com.br/

Roaquim Rosa disse...

boas
a autora sabe bem quando e como os dois se vão encontrar .
vamos saboreando estes capítulos e esperar que tudo de bom aconteça
JAFR

Janita disse...

Mais dia menos dia o encontro entre o médico e a professora vai dar-se. Espero que haja um diálogo satisfatório para ambas as partes.

Quanto ao casalinho da vida real, fico contente que estejam bem.

Um abraço.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Estive neste momento a colocar a leitura em dia e gostei bastante do que li.
Admiro-a pela sua capacidade de escrever deixando-nos em 'suspense'! Muita inspiração.
Graças a Deus que já estão melhores. Essa virose talvez se devesse à vacina.
Beijinhos e uma noite tranquila.
Ailime

Berço do Mundo disse...

Bem sei que é uma história, Elvira, mas tocou-me profundamente essa crianças de pais emigrados. O meu marido está em Angola mas, garanto, que se o filho fosse internado no hospital, apanharia o primeiro voo...
As melhoras para a Elvira também. As viroses são tramadas.
Beijinho, boa semana
Ruthia d'O Berço do Mundo

lis disse...

Oi Elvira
Bom demais voltar ao seus contos . Consegui tranquilamente ler os capítulos anteriores
e também estou na torcida para os antigos namorados se acertarem e realizar aquele amor do passado.E ela viver um grande amor que a compense do anterior.
E pena que acidentes como o que descreveu acontece com mais frequencia que gostaríamos.
Torcendo pra sua recuperação total e do marido.
com abraço

Pedro Coimbra disse...

Prepara-se um reencontro casual que vai conduzir a conversas, a desfazer mal entendidos.
E ao amor.

Os olhares da Gracinha! disse...

Duas belíssimas profissões as do casalinho e por falar em casal...ainda bem que estão bem!bj

Cantinho da Gaiata disse...

Vacina ? a mãe não vai apanhar mais, foi por causa disso que o ano passado ficou doente, nem quero ouvir falar nisso.Ainda bem que já se encontram quase finos.
Passando para mais um capitulo, maravilhoso, a minha parte está quase a chegar não é amiga Elvira ?
Beijinho grande ao casal.

Lucia Silva disse...

Um reencontro fará bem aos dois, com certeza. Torcendo por isso!
Beijos carinhosos!