7.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE V






A mãe de Luísa, fora uma mulher frágil, que não resistira a uma pneumonia, e morrera quando ela tinha dez anos. O pai, um homem rude, de princípios rígidos acabou de criar sozinho a filha, dando-lhe tudo o que ela precisava excepto amor. 
Infelizmente para Luísa, o pai era também um homem ambicioso, que tinha reparado há muito, na maneira como Álvaro, o seu vizinho olhava para a sua filha. Ele ficara viúvo uns anos antes, quando a sua esposa se suicidara. Não tinha filhos, e era muito rico. Na sua cabeça, ele já tinha casado a filha com o vizinho, quando descobriu que ela andava "enrabichada" pelo jovem médico.
Nuno até podia ser médico, mas não era rico. Ou pelo menos, não o era em terras, que era a única riqueza que ele entendia. Entre Nuno e Álvaro a escolha dele era óbvia.
Proibiu terminantemente a jovem de se encontrar com o médico e ameaçou-a de a mandar para a casa dos avós paternos que moravam numa remota  aldeia minhota, onde ela nunca fora e com quem não tinha tido o mínimo contato. 
Prestes a fazer dezoito anos, Luísa era muito jovem e teve medo de que o pai cumprisse a ameaça. Chorou baba e ranho, mas acabou o namoro com Nuno. Ele não lhe perdoou. E quatro meses depois partia para África. Durante dezasseis anos, apenas uma vez ela o vira, numa reportagem sobre as condições de vida no Bangladesh.
Entretanto o pai combinara o casamento dela com o vizinho, com quem se casara pouco depois de completar os dezoito anos.
Fechou a torneira da água. Abriu o armário e retirou um frasco com sais de banho que espalhou na água. Despiu a blusa e as calças de ganga. Libertou-se das minúsculas peças de lingerie, e lançou uma rápida olhada ao espelho antes de entrar na banheira. Os seus olhos azuis escureceram e o seu rosto contraiu-se num esgar amargo, ao ver as múltiplas cicatrizes que o seu corpo bem proporcionado, apresentava.
Mergulhou na água quente, e cerrou os olhos, tentando em vão esquecer aquilo que acabava de observar. Cada uma daquelas cicatrizes, representavam muitas horas de choro, e sofrimento. Cada uma, abrira uma ferida enorme no seu espírito. Essa era uma das razões porque ela não se queria ver refletida num espelho. E a razão que a mantinha afastada dos homens, desde que enviuvara há quase catorze anos. 
Com raiva, pegou na esponja e começou a esfregar a pele com violência. Como se assim fizesse desaparecer dela todas as cicatrizes. Mas não adiantava. Ainda que por algum milagre as fizesse desaparecer da sua pele, jamais conseguiria apagá-las da sua memória.


21 comentários:

noname disse...

Estou a ficar com a curiosidade aguçada :-) isto promete.

Bons sonhos Elvira

Pedro Coimbra disse...

Avizinha-se um relato de violência doméstica.
Um mal ainda longe de ser erradicado.

Cantinho da Gaiata disse...

Cá estou eu curiosa para saber mais um pouco da história.
Novidades, que gostei de ler.
Bjs e um bom dia.

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

bom dia.
para mim este episodio foi muito esclarecedor aquilo que vai ser a historia em si, mas vamos esperar dia a dia o desenrolar de mais uma boa novela !!!
JAFR

✿ chica disse...

Tristes fatos já vividos por ela... Agora muiiiiita coisa veremos por aqui! Adorando te ler! bjs, chica

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Fiquei curioso em saber mais.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Larissa Santos disse...

Bom dia
Muito bom este texto. Há "cicatrizes" que, por muito tempo que passe não se apagam. Venha o próximo.


Bjos
Boa Terça-Feira

Tintinaine disse...

Uma história cabeluda, pelo que estou a ver. Estou cada vez mais interessado! Venha o próximo capítulo.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Que menina triste, a Luiza!
Quanta dor e mágoa.
Muito boa a história cara amiga Elvira, beijinhos.

Janita disse...

Apesar de nem sempre comentar, cá continuo a seguir a história.
Afinal, foi acidente de autocarro e não atentado, como inicialmente pensei.
Entre o médico e a professora poderá haver algo mais, no futuro?
Pois, veremos.
Que a inspiração nunca seja demais...

Abraço!

Os olhares da Gracinha! disse...

"Cicatrizes" que o tempo deve suavizar!!!bj

António Querido disse...

Gostei como sempre! Até ao próximo AMIGA.

DEIXO O MEU ABRAÇO.

Gil António disse...

Quando se dá tudo ... menos o amor, acaba-se por não se dar nada. Gostei muito de ler a narrativa.
.
Deixo cumprimentos

Rui disse...

Muito interessante e bem "introduzida" a estória !
Tudo se conjuga para uma ligação séria entre os dois !
Cicatrizes de violência domestica do marido (falecido) ?... De algum acidente ?...
Aguardemos !
De um modo ou de outro esse facto condiciona sempre qualquer um e principalmente uma mulher ! :(

Manu disse...

Uma história que prende e me deixou em suspense.
Quero acreditar num bom desfecho.

Gaja Maria disse...

Curiosa com o desenrolar da história :)

Rosemildo Sales Furtado disse...

Diante de tanto sofrimento, ela deve ter agradecido a DEUS por ter ficado viúva. Rsrs.

Abraços,

Furtado

lua singular disse...

Nossa eu tive um pai adotivo que me amava, faazia todos os meus gostos e casei com quem eu quis.
Eu se fosse ela sumia com o médico nem que fosse para ser doméstica.
Beijos
Lua Singular

Lucia Silva disse...

A cada capitulo a história vai se vislumbrando romântico e com inúmeras emoções.
Bjos!

Andre Mansim disse...

O conto está muito interessante.
Vamos continuando...