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9.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE IX









O registo dos dois meses seguintes, está nas múltiplas cicatrizes, provocadas pelo cigarro aceso, espalhadas pelo peito, nádegas e ventre. Luísa não aguentava mais. Sabia agora o que levara a primeira mulher de Álvaro ao suicídio. Sabia, porque ela estava decidida a fazer o mesmo. Cada dia essa ideia lhe aparecia mais sugestiva, mais libertadora. Mas o marido, não a deixava sair de casa sozinha.
E em casa ela não via como fazê-lo. Só se utilizasse uma faca da cozinha. Mas tinha que ter força para aplicar um golpe certeiro que lhe desse a morte rapidamente. E coragem, que ela não tinha. E se o golpe não fosse mortal, e em vez de a socorrer o homem se entregasse aos seus prazeres libidinosos e sádicos?
A ocasião surgiu num dia em que fora à cidade com o marido. Fingindo-se distraída, ela não apertou o cinto de segurança, e esperou pelo momento certo para saltar do carro em movimento.
A determinada altura, quando se viu numa estrada longe da quinta, abriu a porta e atirou-se para a estrada, esperando que o carro que vinha um pouco  atrás lhe passasse por cima e lhe desse finalmente descanso.
Contaram-lhe depois no hospital, que a velocidade do carro, aliado ao seu impulso, fez com que o seu corpo rolasse até à valeta, enquanto o marido, surpreendido, perdera a direção do carro, saíra da sua faixa, e colidira brutalmente com um camião que vinha em sentido contrário.
Tivera morte imediata. E ela tivera muita sorte, pois além duma luxação no ombro, e fratura do úmero e do rádio, do braço direito e de algumas escoriações provocadas pela fricção do corpo no alcatrão, não tinha sofrido mais nada. Mas o médico queria saber que marcas eram aquelas no seu corpo, algumas ainda recentes e a precisar de serem desinfetadas e pensadas. Luísa limitou-se a chorar, envergonhada de mais para contar ao médico o inferno de onde saíra. Porém o médico, deve ter percebido, porque umas horas depois, Luísa recebeu a visita de uma psicóloga.
Com carinho e paciência, ela conseguiu que Luísa contasse o tormento em que vivera durante os treze meses que durou o seu casamento.
Ainda no hospital, recebeu a visita de Marta, uma jovem de quem fora muito amiga nos tempos de estudante e de quem se tinha afastado depois do casamento, uma vez que o marido a impedia de se relacionar com qualquer pessoa, com medo que ela contasse o que se passava. Marta estava muito assustada pelo que Luísa tinha feito, e esta contou-lhe a razão para aquele ato desesperado. A amiga ofereceu-se para a ajudar em tudo o que fosse preciso. 
Quinze dias depois saía do hospital. Tinham-lhe dado alta hospitalar, com a indicação de que devia ser seguida pela psicóloga, e apresentar-se três semanas depois. para retirar o gesso, e fazer uma radiografia.
Luísa não tinha coragem de voltar para a quinta, entrar naquela casa onde fora tão infeliz. Mas precisava fazê-lo. Lá tinha as suas roupas e documentos, e como única herdeira do marido aquela casa era agora sua.





20 comentários:

✿ chica disse...

Muito bom o enredo e tantos detalhes que enriquecem o conto! bjs, chica

noname disse...

Muito bom e promete.

Boa noite Elvira

Profª Lourdes Duarte disse...

Uma continuação muito interessante. curiosa para o termino. Abraços amiga, fica na paz.

Diana Fonseca disse...

Olá!!! :)

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Beijinhos,
Diana F.

Pedro Coimbra disse...

Infelizmente conheço pessoalmente quem tenha passado por tormentos semelhantes.
O cigarro foi o que despertou a minha memória.
Há gente que nem lixo é.
Bfds

Roaquim Rosa disse...

bom dia
depois de três episódios mais intensos , esperemos que a partir de agora Luiza ganhe novas forças e depois de tantos anos venha a ser feliz como toda a gente merece .
JAFR

Tintinaine disse...

Um passado negro. Está criado o quadro perfeito para um grande romance de amor. A não ser que a autora decida de modo diferente. Aguardemos!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse e aproveito para desejar um bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Larissa Santos disse...

Bom dia. Elvira
Um conto muito triste, mas que, por é preciso sair do tormento para encontrar, de novo, a felicidade. Gostei.

.
Bjos
Boa sexta-Feira

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

António Querido disse...

Vou passando, lendo e acreditando que todos os seus contos terminem alegres e felizes!
Com o meu abraço.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Muito bom o seu conto cara Elvira, prende minha atenção até a última letra, gostando muito.
Um abraço e feliz dia.

São disse...

Infelizmente, muitas mulheres vivem o inferno em vida.

Beijinho e bom fim de semana

Lucia Silva disse...

Graças a Deus, ela se libertou e a sorte estava do lado dela, pois não tirou a própria vida, mas teve o sortilégio do peste morrer e assim ela ficou liberta da mente macabra dele.
Beijos!

Cantinho da Gaiata disse...

Estou com a adrenalina toda, bela descrição dos acontecimentos.
Penso que agora vou acalmar.
Até já

Os olhares da Gracinha! disse...

É que regressar não deve ser nada fácil!bj

aluap Al disse...

Mesmo que tivesse sido feliz naquela casa, não devia ir sozinha.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Acabou-se o pesadelo. Agora é se apossar do que herdou por direito, esquecer o passado, levantar a cabeça e partir para uma nova vida.

Abraços,

Furtado

Andre Mansim disse...

Que legal! Cada capítulo uma história bem elaborada. Parabéns minha amiga!!!

Gaja Maria disse...

Finalmente a vida dela vai mudar