6.11.17

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE IV




Apesar da enorme tensão que sentia, Luísa tinha-se esforçado por aparentar naturalidade. Agora no táxi a caminho de casa, dava livre curso ao nervosismo que a acometera, quando o olhara no elevador. Reconhecera-o imediatamente, e mentalmente pediu a toda a corte celeste que ele não a tivesse reconhecido. Infelizmente isso não acontecera.
Ela sabia que estava hoje bem diferente daquela menina que há dezasseis anos atrás, experimentara nos seus braços todas as delícias do amor.
Olhava sem ver as ruas percorridas pelo táxi, presa às memórias do passado. Tão absorta que se sobressaltou com a paragem do veículo. Pagou e dirigiu-se casa.  
Com mão trémula, abriu a porta. Pendurou a mala no cabide existente no vestíbulo. Dirigiu-se à casa de banho, e abriu a água para encher a banheira. Raramente se dava ao luxo de um banho de imersão. Considerava que era um desperdício de água. Gostava mais do duche, mas aquele dia tinha sido muito atribulado, sofrera emoções intensas durante e após o acidente, temera que alguma das crianças com ferimentos mais graves, não resistisse. Depois no hospital tivera que dar apoio aos pais dos alunos que iam chegando em clima de grande aflição. E para terminar o dia encontrava Nuno Albuquerque, que ela julgava em qualquer parte do mundo, menos ali na cidade.
Estava mais velho, claro, tinham-se passado dezasseis anos. Quando se separaram, ele tinha vinte e cinco anos, hoje estaria com quarenta e um embora aparentasse mais. Parecia mais forte, o seu olhar era mais duro, mas nem os fios prateados que lhe adornavam as têmporas, nem as pequenas rugas à volta dos olhos, lhe diminuíam o encanto. Antes pelo contrário. 
Conheceram-se há dezassete anos, numa festa de aniversário de uma colega de escola. Nuno, fora convidado pelo irmão da aniversariante, de quem era amigo e colega. Ambos eram médicos e trabalhavam no mesmo hospital. 
Luísa tinha chegado há poucos minutos, quando se sentiu atraída pelo olhar dele. Foi como se dois pólos se atraíssem. Conversaram, riram, dançaram. Toda a noite ficaram juntos. Ele era tão diferente dos seus colegas de escola, que ao seu lado, todos os outros lhe pareciam demasiado infantis. Nuno era um idealista. Ele não pensava fazer carreira naquele hospital. Queria ir para África, para países cujo nome, ela quase desconhecia, dar assistência aqueles que nada tinham. Ela admirara-o por isso. E amara-o ainda mais.
A partir desse dia, e durante meses, encontraram-se quase diariamente. Com ele trocou o primeiro beijo, com ele descobriu as emoções do amor, e os prazeres do sexo .
Porém um dia, o pai descobriu e tudo mudou.

24 comentários:

Tintinaine disse...

Vem aí história boa! Vamos a isso que a clientela já está ansiosa.
Boa semana, Elvira.

✿ chica disse...

Emoções muitas hão de rolar por aqui!! Bjs e ótima semana!chica

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Mariazita disse...

Na impossibilidade de vir aqui diariamente... :((( quando venho tento inteirar-me do que se vai passando.
Mais um capítulo muito interessante. Admiro a sua capacidade de escrita, amiga.

Votos de uma boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Larissa Santos disse...

Um texto/conto que adorei ler. Parabéns

Bjos
Boa Segunda-feira

rendadebilros disse...

O pormenor, o suspense, as emoções... tudo tão bem (d)escrito! Beijinhos. E bem haja pelas visitas.

noname disse...

Olá lá... isto vai aquecer :-))

Bom dia Elvira

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Uau, agora vai complicar, muito curiosa, beijinhos e até amanhã.

Roaquim Rosa disse...

Boas
uma historia que bem pode ser real
JAFR

Duarte disse...

Isto promete mesmo! Que capacidade a tua para criar estas situações...
Continuamos com a leitura da Maria Paula. Os feriados e a pontes atrasaram um pouco, mas lá vamos indo.
Um grande abraço de todos, e um bem forte meu.

Anete disse...


Capítulo emocionante. Um reencontro que renderá conquistas e reviravoltas emocionais...
Uma boa semana para ti... Abçs

Roselia Bezerra disse...

Boa tarde, querida amiga Elvira !
Estou acompanhando com grande interesse no que virá .
Conto muito bem escrito e com reticências no ar para chamar a atenção do leitor.
Seja FELIZ e abencoada !
No. De paz e me

Teresa Isabel Silva disse...

Está a ficar viciante!

Bjxxx
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José Lopes disse...

Fui colocar a leitura em dia e passei mais uma trama que começa bem...
Cumps

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Estive a ler a nova história desde o início e já vi que promete.
Magnífica a sua inspiração.
Beijinhos e boa semana.
Ailime

rosa-branca disse...

Olá amiga, estive a pôr a leitura em dia e esta história promete. Adorei. Delicioso como a amiga nos habituou. Confesso que tinha saudades da sua escrita. Fico à espera do seguimento. Aos poucos vou tentando voltar. Beijos com carinho

Cantinho da Gaiata disse...

Promete a história, já estou a ficar curiosa, vou ter que esperar
Beijinho amiga Elvira.

maria disse...

Mais uma história que promete...

Os olhares da Gracinha! disse...

Momentos que não se esquecem ... bj

lua singular disse...

A força do amor amarra corações com os mesmos ideais
Estou gostando
Saí de um enterro agora
A morte não escolhe ninguém.
Beijos
Lua Singular

Rosemildo Sales Furtado disse...

Gostando e aguardando os acontecimentos.

Abraços,

Furtado

Lucia Silva disse...

Acompanhando com bastante interesse! Esse reencontro promete!!!
Abraços!

Andre Mansim disse...

Muitas emoções de antes e acho que outras de hoje aparecerão no conto, que está fluindo muito bem!!!

aluap Al disse...

Só hoje me foi possível vir aqui, pois 5.ª F peguei uma constipação que me atirou para a cama. Já estou melhor e conto hoje ler todos os post´s que perdi, já diz o povo que "vale mas tarde que nunca".
Um bom domingo.