4.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXV



- Como conseguiste? - Perguntou Helena quando saíram do quarto. Não tem pesadelos com muita frequência, mas quando os teve só acalmou quando o levei para a minha cama.
- Segredo masculino, - disse ele sorrindo.- O Diogo é um menino muito inteligente. Joga com a tua ansiedade, para conseguir o que quer. E todas as crianças, gostam de se meter na cama dos pais, quando acordam de noite.
- Parece que percebes muito de crianças. Será que tens filhos?
- Não o creio. Se os tivesse, a mãe deles já teria entrado em contacto com a polícia, não achas?
-Sim claro. Perdi o sono. Vou beber um copo de leite. Também queres?
- Não. Mas também estou sem sono. Tive outro sonho estranho.
Dirigiram-se à cozinha. Ele sentou-se. Ela abriu o frigorífico despejou o leite no copo e colocou-o a aquecer no micro-ondas. 
- Não queres mesmo um copo de leite? Talvez um chá…
Ele moveu a cabeça negativamente e ela sentou-se à sua frente. Deu um gole no leite, e disse:
- Estou a ouvir-te
Ele contou o sonho como o tinha vivido, até ao momento em que o grito de Diogo o acordou.
- Que te parece. Achas que está relacionado comigo?
- Pode ser. Mas também pode ser, um reflexo do teu inconsciente, ao que o inspetor disse. Ou ainda, um daqueles sonhos que não se relacionam com coisa nenhuma e parecem ser brincadeiras do nosso cérebro. Reconheceste alguém?
- Sim. Na verdade reconheci as pessoas importantes da terra, mas não vi quem era o morto. Nem sequer sei se era homem ou mulher.  Havia um homem que me empurrou, e fechou a urna. Parece que ele me queria afastar.
- Isso pode ser interessante. E quem era esse homem? Sabes?
- Não. Só que era pouco mais velho do que eu. E parecia que estava acompanhado da mãe.
- Olha são quatro horas, e a casa está fria. Porque não voltamos para a cama e de manhã pensamos nisso?
 Ele olhou-a intensamente e ela corou ao perceber o desejo nos olhos masculinos, e pensou que a sua ideia de voltarem para a cama podia ser interpretada como um convite.
Levantou-se, e voltou-se para colocar o copo no lava-loiça.
Ele aproximou-se, e pondo-lhe as mãos nos ombros, obrigou-a a voltar-se. Com o olhar fixo no dela, disse:
- Não tenhas medo, doutora. Por muito que te deseje, não vai acontecer nada entre nós, enquanto eu não souber, se sou digno de ti.
Virou-lhe as costas e dirigiu-se ao quarto.



9 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
esta história está mesmo a cativar todos os que a estão a acompanhar .
uma boa história para quem está de férias e não só .
ate amanhã .
JAFR

✿ chica disse...

Estou adorando e tomara ele recupere a memória...As coisas então acontecerão....bjs, chica

Luiza Maciel Nogueira disse...

torço para que as lembranças retornem rs. adorei. beijo

Bell disse...

E o mistério continua.

bjokas =)

Edumanes disse...

Na Sinfonia da Memória,
são muitos os mistérios
para ambos essa história
termine com privilégios!

Tenha um bom dia de praia, em Lagos, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

esteban lob disse...

Atrayente historia, Elvira!
Espero hayas disfrutado en tus vacaciones.
Te envío un beso austral.

Cantinho da Gaiata disse...

O mistério continua e eu aqui ansiosa para saber.
Bj e bom fim de semana.

Rosemildo Sales Furtado disse...

...não vai acontecer nada entre nós, enquanto eu não souber, se sou digno de ti. Depois de uma afirmação desta, nota-se que não se trata de um cafajeste.

Abraços,

Furtado

redonda disse...

Uma pista para se desvendar o mistério...
E que pena ele achar que pode não ser digno dela...