8.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXIX



Acordou cedo. Virou-se, procurando Fernando, mas a cama estava vazia. Esticou a mão e passou-a pela almofada que ainda mantinha a forma da sua cabeça. Estava fria. Não gostou. Saltou da cama, tomou duche e arranjou-se, pensando se o que se tinha passado na véspera, tinha acontecido mesmo ou ela tinha sonhado. Preparava as torradas quando ele apareceu na cozinha.
Bom dia, - disse sorrindo, enquanto a abraçava
-Deixaste-me sozinha,- queixou-se desviando o rosto para evitar o beijo. Porquê?
-Nada me daria mais prazer do que acordar a teu lado, doutora. Mas, e se o Diogo acordasse e fosse ter contigo ao quarto? Várias vezes o vi fazer isso quando acorda cedo. O que é que a cabecinha dele, ficaria a pensar?
Ele tinha razão. Que raio de mãe era ela que se esquecera do filho?
- Desculpa. Pões-me tão doida que não consigo pensar. É claro que temos de conversar com ele. Mas é melhor fazê-lo quando voltares.
- E porque não hoje? Tens medo, de que não volte?
-Não. Mas sinto-me inquieta. E se te acontece alguma coisa?
- Ouviste o que disse o inspetor. Não vai acontecer nada. E estou muito esperançado, de que à vista da minha casa, das minhas coisas eu recupere a memória.
- E se isso acontece e esqueces este espaço de tempo? Se não te lembras de mim?
- Isso não é possível, doutora. Estás aqui dentro, -disse apontando para o peito.
A eficiente doutora Helena, aquela que sabia sempre o que fazer, e que não tremia quando tinha de empunhar o bisturi, estava longe da mulher apaixonada, carente e insegura, que se sentia mal, só de pensar o que podia acontecer, naquela separação. Naquele momento as fatias de pão saltaram na torradeira, e ela concentrou-se em tirá-las e substitui-las por outras. Então o menino entrou na cozinha e depois de beijar a mãe, foi abraçar o tio, que o sentou nos seus joelhos.
- Bom dia, Campeão. Sabes que hoje começou um novo ano?
- Sei, E tu sabes que este ano já vou para a escola? Já sou crescido.
- Claro que sim, - disse com um sorriso. E como um menino crescido, vais escutar o que o tio Fernando, tem para te dizer sem ficares triste, está bem?
- Vais-te embora? – Perguntou muito sério.
Os dois adultos, entreolharam-se admirados com a perceção da criança.
- Tenho que ir, preciso resolver uns assuntos na minha terra. Mas volto em breve. Gosto muito de ti, Campeão. E da tua mamã. Gostava de ficar a viver convosco para sempre. Levar-te à escola, assistir às tuas atividades, levar-te a passear.
- Vais casar com a mamã?
Mais uma vez, os adultos se entreolharam.
- Gostavas que o fizéssemos?
- Sim. E depois eu já podia dizer aos meus amigos que também tenho um papá!
Emocionados, os dois adultos abraçaram a criança.

11 comentários:

Tintinaine disse...

Mais um problema resolvido. A coisa está a correr bem e tudo se encaminha para um final feliz.

Roaquim Rosa disse...

bom dia
simplesmente belo e emocionante !!
até amanhã.
JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

Um belo momento de uma história de vida!!!
Bj

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar um ótimo dia!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

✿ chica disse...

Estão com tudo acertadinho, aprovação do menino e tudo mais...Vamos ver agora como serão as coisas com Fernando por lá! bjs, chica

Anete disse...

As coisas estão sendo bem esclarecidas e o romance sendo desenvolvido com terna expectativa.
Depois da travessia vem a bonança compensadora.

Com carinho e um abraço

Edumanes disse...

Se os planos que estão na forja não falharem. Avizinha-se bom tempo. Em princípio já brilham alguns raios do sol por entre as nuvens passageiras!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Cantinho da Gaiata disse...

Mais um peso fora das costas.
Estou a gostar.
Bjs

redonda disse...

Agora fiquei a pensar que ele pode recuperar a memória do seu passado e de quem é e esquecer-se dos últimos dias, dela e do filho...

Rosemildo Sales Furtado disse...

O Diogo já merece ter um papai e uns maninhos. Continuo gostando e aguardando.

Abraços,

Furtado

Pedro Coimbra disse...

As crianças conseguem ser desconcertantes.