24.8.17

DIVIDA DE JOGO - PARTE XIII


Uma lágrima desceu silenciosa, até desaparecer no canto da sua boca. Ele estendeu a mão e apertou a dela.
- Que é lá isso? Uma mulher de coragem, não chora. Levanta a cabeça, sorri, e vai em frente. És ainda uma menina, Eva. Não pareces mais velha que a minha sobrinha Isabella, e ela só tem dezasseis anos. Tens uma vida pela frente. Queres um conselho? Tira essas alianças do dedo. Esquece que foste casada, e prepara-te para desfrutar o que a vida ainda tem para te dar.
- Falar é fácil. Mas seguir em frente quando tudo à nossa volta ruiu, é muito mais difícil. Como posso não me inquietar, se não sei o que me vai acontecer quando passarem os seis meses e deixar esta casa? Sem o amparo de pai ou mãe, o que me resta? Voltar para o orfanato?
- Daqui por seis meses, “cara mia”? Quem sabe o que pode acontecer até lá. Vive o dia-a-dia, desfruta o presente e esquece as angústias a longo prazo. Em seis meses pode acontecer um terramoto, cair um meteorito, acabar o mundo.  Olha, porque não vamos amanhã até à outra banda, talvez Setúbal, ou Sesimbra, almoçamos por lá, aproveitamos um pouco de praia, ou simplesmente passeamos pela Arrábida? Não trabalhas ao Sábado, pois não?
- Não. Mas queres mesmo sair comigo?
- Porque não havia de querer? Não sou homem de dizer uma coisa quando quero outra. Ou, se preferires, podemos ficar por Sintra, ou Ericeira. Dizem que é muito bonito, e provavelmente será melhor por causa do trânsito na ponte. Não sei, tu decides. Gostava de conhecer um pouco dos arredores de Lisboa. Até agora sempre que estive em Portugal, foi no norte, junto da família da minha mãe.
Sentia-se tentada. Afinal tirando a viagem em lua-de-mel, à Madeira, o que é que ela conhecia do país?
- Está bem. Deixemos a Arrábida e Sesimbra para outra altura. Prefiro ir a Sintra. Há muito tempo, que ando a pensar ir até lá.
Começou a passar a loiça por água e a metê-la na máquina. Ele levantou-se.
- Bom, só falta combinar a hora. Dez horas, é tarde?
- Por mim, qualquer hora é boa.
- Dez horas, então.
E saiu deixando-a só. Meia hora mais tarde saía de casa, despedindo-se com um simples até amanhã, deixando a jovem cada vez mais perplexa. Devia haver ali qualquer coisa que lhe escapava. Aquele homem, era demasiado bom para ser real. E ela já não acreditava no Pai Natal.


9 comentários:

Tintinaine disse...

Estou gostando de ver! Aos bocadinhos o círculo vai-se fechando.

✿ chica disse...

As coisas estão evoluindo entre eles, que bom! bjs, chica

Cantinho da Gaiata disse...

Elvira, nem consegui chegar à noite para ver o episódio seguinte.
Estou com um sorriso de lado a lado, mesmo como eu gosto, obrigado por este andamento, ADOOOOORRROOOO !
Beijinho amigo

Roaquim Rosa disse...

boas
ou estou enganado ou as coisas estão a evoluir muito rápido !!
JAFR

Edumanes disse...

Quando se junta a fome,
com a vontade de comer
na vida Eva tenha sorte
para sempre feliz viver!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Rui disse...

(??)... Tudo nos leva a crer que afinal saiu "a sorte grande" à Eva ! ...
Se tudo continuar a correr assim teremos mesmo um final feliz ! :)

Abraço, Elvira

Andre Mansim disse...

Hahahahahahaha, mas o papai Noel não existe????

redonda disse...

eu nunca acreditei no Pai Natal - a minha mãe teve uma grande decepção quando soube a verdade e não quis que as filhas passassem pelo mesmo :)

Smareis disse...

De pouco a pouco as coisas vão acontecendo...
Bjs!