21.8.17

DIVIDA DE jOGO - PARTE X






Apesar de todas as preocupações só acordou quase às oito da manhã. Tomou banho, vestiu-se, arrumou o quarto, e foi para a cozinha, onde fez um sumo de laranja e umas torradas. Contrariamente ao habitual, não ligou o rádio para não acordar o homem que devia estar a dormir no quarto de hóspedes.
Saiu de casa às nove e meia. Habitualmente ia a pé para o emprego, a clínica não ficava longe de casa, mas como tinha decidido ir ao orfanato ver a Irmã Madalena, na hora do almoço, decidiu levar o carro.
O trabalho na clínica não era fácil de suportar naqueles dias. As pessoas conheciam-na, sabiam do suicídio do marido. Queriam mostrar-lhe que estavam solidárias com a sua dor. Não faziam por mal, mas quando mais falavam, mais a faziam sofrer.
Quando a clinica fechou a porta para o almoço, ela meteu-se no carro e dirigiu-se ao orfanato. Comeria alguma coisa depois se tivesse tempo.
A Irmã Madalena, supervisionava um grupo de crianças, que brincavam no pátio. Abraçou-a com carinho.
-Que bom que vieste, Eva. Tenho estado tão preocupada contigo. Como estás filha?
- Como Deus quer, Irmã. Preciso muito de falar consigo. Não tem ninguém para cuidar dos meninos?
- Claro que sim, filha. Podes ir chamar a Irmã Maria? Deve estar na biblioteca.
Eva encontrou-a, no corredor, antes mesmo de chegar à biblioteca. Transmitiu-lhe o recado e seguiram as duas para o pátio. Depois, a Irmã Madalena levou-a até ao seu gabinete, onde Eva lhe contou tudo o que tinha acontecido depois do último encontro que tiveram no funeral de Alfredo. Por fim estendeu-lhe a carta que o advogado lhe entregara. A Irmã estava espantada. Abriu os braços e a jovem refugiou-se neles.
- Pobre menina. Como deves estar a sofrer! Tu sabes que não me agradou o teu casamento com o Alfredo. Havia qualquer coisa nele que não me agradava. Mas depois tu estavas tão feliz, que pensei que me tinha enganado.
-E fui feliz durante uns meses, Irmã. Depois o comportamento dele alterou-se. Passou a sair quase todas as noites, chegava tarde a casa. Às vezes vinha eufórico, mas a maioria das vezes, vinha aborrecido. Perguntava-lhe se o podia ajudar mas ele não se abria. E o dinheiro desaparecia. Ultimamente era com o meu ordenado que governava a casa.
Pensei que ele tinha uma amante. Quis falar com ele, obrigá-lo a confessar. Deixou-me a falar sozinha e foi atirar-se daquele terraço. Nunca imaginei que fosse jogo, muito menos que fosse capaz de jogar a casa e a própria mulher.

9 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
ao pôr hoje a leitura em dia constatei que a historia como de costume está ao rubro ou seja , sempre com a maior das espectativas para o episodio seguinte. nesta historia não há criança , mas há ainda a possibilidade de Eva estar gravida ..
JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

... como sempre muita emoção e algum mistério !
bj

✿ chica disse...

Que bom ela encontrar com quem desabafar.Precisa,com certeza! bjs, linda semana,chica

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar uma boa semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Edumanes disse...

Que a viva bela pois bem,
mais não aborreça doravante
a divida aflige quem a tem
o jogo continua interessante!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Pedro Coimbra disse...

Não faz ideia do que são capazes os viciados no Jogo!
Como sabemos isso aqui em Macau...
Um abraço

Andre Mansim disse...

Continua interessante, Elvirinha.
Parabéns!

redonda disse...

E agora que conselho lhe irá dar a Irmã Madalena?
Também podia acolhê-la no Convento...

Smareis disse...

Que situação. Veremos como vai ser a conversa com a irmã.
Beijos Elvira. Volto amanhã pra terminar de ler os outros capítulos.