18.8.17

DIVIDA DE JOGO - PARTE VII


Quando, duas horas depois André voltou, a primeira coisa que viu quando ela lhe abriu a porta, foi o rosto congestionado, e os olhos vermelhos e inchados da jovem. Sentiu um baque no peito. Era tão jovem. Parecia uma menina e já tão sofrida. Sorriu, tentando animá-la.
- Trouxe jantar para os dois. Calculei que não te apetecesse cozinhar. E uma vez que ia sair do hotel preferi fazê-lo antes do jantar. Vou pôr a mala no quarto e já venho. Queres pôr a mesa? Na cozinha, se não te importas.
Estendeu-lhe o saco, e seguiu com a mala para o quarto. Eva pôs a mesa. Depois abriu o saco, e tirou dele uma garrafa de vinho tinto, um recipiente com frango assado, outro com batatas fritas, um com salada e uma caixa de gelado, que colocou no congelador. Procedia quase como um autómato, pensando quão estranha era a vida. De manhã, ela nem sonhava com a existência de André. E agora ali estava a pôr a mesa, para um jantar a dois, como se fossem um casal, ou pelo menos amigos íntimos. Curioso é que depois do embate inicial, e sobretudo depois da conversa que tiveram horas antes, ela deixou de recear o que lhe podia acontecer no futuro. Confiava nele? Sim, mas não de peito aberto. Como diria a Irmã Madalena, confiava, desconfiando. Muita água teria que correr debaixo da ponte, até que voltasse a confiar em alguém, em pleno, como confiara no marido.
- Espero que gostes de frango. Teria telefonado para te perguntar, mas não tenho o teu número. Pudemos começar? Estou cheio de fome.
Puxou-lhe a cadeira para ela se sentar, e esse pequeno gesto, fez com os olhos femininos, ficassem rasos de água. Durante alguns minutos comeram em silêncio. Depois ele retomou a palavra.
- A tua família já sabe o que se passou?
- Não tenho família!
-Como assim? Ninguém? Nem sequer um parente afastado?
-Não. Fui abandonada à porta de uma instituição católica que acolhe órfãos. E lá vivi até ao casamento. A Irmã Madalena, é o mais parecido que tenho com uma família.
André despejou um pouco de vinho no seu copo, e tentou fazer o mesmo no dela, que o cobriu com a mão dizendo:
-Não obrigada. Prefiro água.
Olhou-a pensativo. Será que estava grávida? Isso justificaria o ter desmaiado no advogado e o não querer bebidas alcoólicas. Ou seria que temia que ele a embebedasse para depois abusar dela?


10 comentários:

Tintinaine disse...

Estou a gostar!
Acho que isto vai dar uma bela história.

✿ chica disse...

Apesar de eu ainda não simpatizar com esse homem, estou gostando muito do desenrolar da trama...Tu és demais...bjs, chica

Nidja Andrade disse...

Continuação é preciso! Texto convidativo!AbraçO

Edumanes disse...

Lá diz o ditado. Gato escaldado de água fria tem medo. Mais vale prevenir do que remediar. Não vale a pena perguntar quem é que paga a divida. Todos nós já sabemos quem é!

Tenha uma boa tarde de sexta-feira, amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Odete Ferreira disse...

De carente que tem sido a sua vida, não será difícil ela ser cativada com a atitude de deferência do André. Sem o saber, já está a confiar nele.
Bjinho

Cantinho da Gaiata disse...

Está com um pé atrás,mas acho que vai correr tudo bem, não pode ser infeliz duas vezes de seguida.
Beijinho grande amiga.(já sinto saudade do bolinho de café..hum delícia)

Andre Mansim disse...

Esse André parece gente boa... Também, com um nome desses...

redonda disse...

Hum também não me parece bem que ele tenha aceite aquilo e não a liberte daquela estranha obrigação de ter de viver naquela casa seis meses...

redonda disse...

Será que existe alguma relação entre os dois que ela não conhece? Ele poderia ser primo dela...

Smareis disse...

Vamos ver o próximo capitulo.
Beijos!