12.8.17

DIVIDA DE JOGO - PARTE II


Naquele dia, Eva levantara-se cedo. Quase não conseguira dormir, de nervosa que estava. Tinha pedido dispensa, no emprego, a fim de tratar de alguns assuntos relacionados com a sua recente viuvez, e para ir ao escritório de advocacia. Depois do banho matinal, tomou o pequeno-almoço, meteu a mala e o saco com as roupas do falecido no carro e dirigiu-se à instituição onde ia deixá-las. Depois passou pelo orfanato onde sempre vivera, a fim de se aconselhar com a Irmã Madalena com quem sempre tivera uma relação especial, e que foi para ela aquilo que mais se assemelhava com uma mãe. Mais calma, regressou a casa, e entreteve-se com uma breve limpeza, enquanto fazia o almoço. Mais tarde, depois da refeição, vestiu uma saia preta, que se lhe ajustava ao corpo, delineando-o na perfeição, e um camiseiro branco. Completou o conjunto com umas sandálias de salto alto e uma bolsa em tons de bege.
Não tinha por hábito, a maquilhagem que usava muito raramente em ocasiões especiais, e naquele momento não achou necessária. Demorou a encontrar lugar para estacionar, pelo que entrou na sala de recepção do escritório, apenas dois minutos antes da hora marcada. Na sala, além da recepcionista, encontrava-se um homem, de pé junto à janela, que se voltou  ao ouvi-la entrar.
Eva, identificou-se com a empregada, que pelo telefone interno falou com o advogado, e disse de seguida.
-Podem entrar. O doutor espera-os.
Surpreendida ela lançou um breve olhar para o homem que se dirigia para a porta.
Era alto, vestia umas calças de sarja bege, e uma camisa desportiva branca, cujas mangas tinha arregaçado até ao cotovelo. Não se atreveu a olhar-lhe para o rosto, mas se já estava nervosa, pior ficou naquele momento. Quem seria aquele homem e que tinha a ver com o falecido Alfredo?
Entraram no escritório, onde atrás da secretária se encontrava um homem de aproximadamente cinquenta anos, meio calvo, que depois de os cumprimentar, os mandou sentar. Abriu a pasta, e tirou de dentro dela uma carta, que entregou a Eva, dizendo-lhe que a deveria ler, após a leitura do testamento. Depois deu início à leitura do mesmo. Eva não queria acreditar naquilo que ouvia. Como fora possível que o marido tivesse deixado a sua casa, aquele desconhecido? E que raio de cláusula era aquela de que devia viver com ele, durante seis meses? Que loucura era aquela? Sentiu que uma onda de mal-estar lhe invadia o corpo, que um garrote lhe apertava a garganta impedindo-a de respirar, e teria caído no chão, não fora a pronta intervenção do homem a seu lado.


12 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
quando se recebe uma noticia desta natureza , não é de estranhar que se sinta mal e que vai ser difícil de digerir não temos duvidas !!
JAFR

Olinda Melo disse...


Uma história que promete, cara Elvira.

Este suspense sobre o homem contemplado no testamento
agarra logo o leitor.

Bj

Olinda

✿ chica disse...

Puxa, pobre Eva, um susto desses! Mas acho que como ela observou o homem, suas roupas, ao final até vai gostar de viver com ele,rs... bjs, chica

Os olhares da Gracinha! disse...

Mais um belo conto com momentos variados e bem descritos!!!bj

Edumanes disse...

Esperava ler outra notícia. Diferente daquela que acabei de ler referente ao testamento. Será que o falecido marido dela, sabia que ia morrer, e antes resolveu deixar a casa em testamento a esse homem para ela casar com ele?

Tenha um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Tintinaine disse...

O título diz tudo, dívida de jogo.
O jogador, depois de depenado, apostou o que lhe sobrara, a casa e a mulher!

Andre Mansim disse...

Hummmm sei não... Como se diz aqui no Brasil: "Tem caroço nesse angu..."

Janita disse...

Que raio de imposição mais bizarra! Será que a jovem viúva vai aceitar essas condições ou aluga um T-1 para ela e manda o mandão do marido às urtigas, que mesmo depois de morto lhe quer impor coisas sórdidas, e vai viver a sua vidinha?
Isto de comandar a vida das pessoa deve dar uma certa sensação de poder, não será, amiga Elvira? :) Olhem que esta!!!

Abraço.

Cantinho da Gaiata disse...

Pronto já começou a telenovela.
Estou a gostar.
BJ e bom fim de semana.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Ficar viúva e saber que o marido era gay é pra morrer também.
Não sei como são as leis por aí. O amante vai ter que provar por muito tempo que era amante do seu marido. Amante é uma coisa. Viver maritalmente com outro a grana tem que ser dividida.
Espero que ela tenha sorte.
Beijos
Lua Singular

redonda disse...

Que estranho...

Smareis disse...

Pelo jeito há uma divida que pelo visto a a esposa esta incluída. Triste se for isso.
Beijos Elvira!
Vou voltar mais tarde pra terminar os capítulos.