10.8.17

DIVIDA DE JOGO - PARTE I


Num quarto de casal, uma mulher jovem e muito bonita, tinha espalhado sobre o leito alguns fatos masculinos. Depois abriu a gaveta da cómoda, e retirou várias camisas e T-shirts.
 Abriu uma mala de viagem e preparava-se para arrumar nela as roupas quando a campainha tocou. Foi abrir. Era o carteiro com uma carta registada para assinar. Fechou a porta e revirou o envelope entre as mãos. O remetente era de uma firma de advogados. O que podiam querer com ela?
Curiosa abriu a carta, e leu-a rapidamente. Convocavam-na para uma reunião no dia dezasseis de Maio às quinze horas a fim de assistir à leitura do testamento de Alfredo Magalhães.
Deixou-se cair sobre a cama. Desconhecia que o marido tivesse feito testamento.
Poisou a carta sobre a mesa-de-cabeceira, e voltou à operação anterior, acabando de encher a mala com as roupas do falecido. Fechada a mala, foi buscar um saco para colocar o resto das roupas, e calçado. Mais tarde iria levar tudo para uma instituição de caridade.
Eva era ainda muito jovem. Fizera vinte e três nos no mês anterior. Era alta, magra, de cabelos castanho-claro, e olhos cor de mel. Nariz levemente arrebitado, e boca pequena, de lábios bem desenhados. Se a natureza fora pródiga com ela, dando-lhe um rosto de serena beleza, e um corpo de sonho, a vida, fora tão sovina que nem a mãe lhe deixou conhecer. Desde que se conhecia sempre vivera num orfanato. Lá viveu até que se casou. Aos dezoito anos empregou-se como recepcionista numa clínica dentária, mas continuou sob a proteção das freiras da instituição.
Tinha dezanove anos, quando conheceu Alfredo. Ele era um homem elegante, bem parecido e muito carinhoso, e ela era uma mulher carente. Apaixonou-se de imediato. Casaram um ano depois. Eva sonhara muito com a vida pós casamento, mas a realidade não foi bem a que ela esperava. Aos poucos Alfredo, foi substituindo a paixão pelo cansaço, reduzindo o tempo que passava em casa. Tinha um bom ordenado a que acrescentava boas comissões sempre que efetuava uma venda, mas o dinheiro desaparecia rapidamente. Felizmente que a casa era dele, herdara-a da madrinha. Ainda assim era o ordenado de Eva que sustentava a casa a maior parte dos meses.
Ela não sabia o que se passava, mas suspeitava que o marido tivesse uma amante.


16 comentários:

✿ chica disse...

Puxa, coitada da Eva, deve ter passado maus momentos e ainda muitos outros a esperam,creio...bjs, chica

Nidja Andrade disse...

É muito triste a desconfiança e pior ainda a traição. AbraçO

Pedro Coimbra disse...

Dividas de jogo são um mal terrível.
Como se sabe isso aqui em Macau!!
Bfds

Roaquim Rosa disse...

bom dia
temos aqui matéria para um grande conto que começa já a despertar alguma curiosidade .
JAFR

Tintinaine disse...

Esta começa bem. Uma viúva de vinte e poucos anos dá pano para mangas. Adivinho que o testamento não lhe vai ser favorável, mas ... tudo tem remédio na vida.

Edumanes disse...

Jovem e bonita, não lhe devem faltar pretendentes. E se o testamento for de alguma fortuna deixada pelo falecido marido. Bem melhor pode gozar a vida!

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

AFRODITE disse...

Tão novinha Elvira!..
Que maldade! :)

Beijinhos de contas pagas
(^^)

Janita disse...

Vou aguardar a leitura do testamento, mas se era ela quem sustentava a casa, que raio teria ele para legar? Dívidas...?!

Um abraço e continuação de boas férias, Elvira

paideleo disse...

Testamento surpresa !.
Que lle pasará a Eva ?.

Os olhares da Gracinha! disse...

Estas desconfianças vão dar sarilho!!!bj

Cantinho da Gaiata disse...

Já tinha passado, só não consegui comentar.
Mais uma história que começa com muito suspense.
Testamento sem ela saber?hum vai trazer algo com água no bico.
Bj e bom fim de semana.

Andre Mansim disse...

Ixi... Será que esse cidadão era um malandro, e tinha uma amante mesmo? E será que ele colocou a amante no testamento????
Aiaiaiaiai...

lua singular disse...

Oi Elvira,
A vida não é um mar de rosas. Também perdi meu marido ainda muito jovem.
O dinheiro não foi problema, mas a solidão machucava numa numa metrópole.
Mas enfrentei e venci os obstáculos.
A vida nos prega peças.
Beijos
Lua Singular

Socorro Melo disse...

Oi, Elvira!
Chegando para ler mais uma história.


Beijinhos
Socorro Melo

redonda disse...

Começou muito bem, estou a gostar dela e fiquei curiosa...

Smareis disse...

Boa tarde Elvira, pelo começo a história vai ser muito boa.
Vamos ver o testamento.
Beijos minha amiga!
Um bom dia!