31.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXI








 Mal Helena pôs o carro a rodar, Fernando perguntou ansioso.
-Era o inspetor, não era?
- Sim. Já viu a notícia. Quer que vás lá com urgência, tirar as impressões digitais, para confirmar no arquivo centrar se correspondem às do pianista. Só depois disso avançam com a investigação, pois dizem que há pessoas muito parecidas, e tu não podes confirmar nada devido à amnésia. Vamos lá, logo a seguir ao almoço. Já telefonei à Marta, pedindo-lhe para ficar com o Diogo, enquanto vamos à esquadra. A Marta é minha empregada, desde que vim para Lisboa. Está de férias, mas prontificou-se a ficar com ele. É uma boa mulher e adora o Diogo.
Falava baixo de modo a que o menino não os ouvisse.
- Não tiveste mais nenhum sonho?
- Não. Cada dia que passa estou mais desesperado. Será que sou realmente o tal pianista? E se for? Mudará essa certeza alguma coisa na minha cabeça?
- Não fiques assim, - disse atenta à estrada. Às vezes, basta relaxar um pouco para que as coisas comecem a surgir.
Ergueu a voz e falou para o filho.
- Diogo a mamã está quase a entrar na autoestrada. Tens vontade de fazer xixi?
-Não mamã.
- Vê lá, filho, depois são muitos quilómetros sem poder parar.
-Já disse que não, mamã.
Pouco depois entravam na A1 em direção a Lisboa, e três horas depois estavam em casa, depois de uma breve paragem em Aveiras.
A empregada já os esperava. Mais, tinha feito uma sopa de creme de abóbora, e um Bacalhau à Lagareiro, para o almoço. “Para desenjoarem do cabrito assado”- disse a sorrir. Comprara também alguma fruta para a sobremesa.
Marta era uma cinquentona, cuja simpatia parecia ser proporcional ao seu avantajado corpo. Adorava a patroa e o seu menino, de quem cuidava, como se de um neto se tratasse. Foi igualmente simpática com o desconhecido, não demonstrando qualquer curiosidade a seu respeito. De resto, era evidente o carinho do “seu” menino pelo desconhecido, e isso era suficiente para ela.
Depois do almoço, Marta foi deitar o menino, e eles seguiram para a esquadra.



10 comentários:

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
temos mesmo de esperar mais uma meia dúzia de episódios para satisfazer a nossa curiosidade .
ate amanhã
JAFR

✿ chica disse...

Vamos acompanhando,gostando, esperando...bjs, chica

Anete disse...

Olá, Elvira. Estive fora comemorando niver de casamento e retorno p acompanhar o romance da "Sinfonia da Memória".
Capítulos de muito suspense e emoções li agora. O Bacalhau à Lagareiro deve ser delicioso...

Beijinhos e APROVEITE MUITO MAIS os dias de férias...

Os olhares da Gracinha! disse...

E a descrição do conto continua fantástica!bj

Edumanes disse...

Enquanto eles vão à esquadra. Se eu aqui o tivesse, comia esse bacalhau à lagareiro, com essas batatas a murro e essas azeitonas pretas. De lado por instantes punha as cantigas, e mandava passear as tretas. Agora vou ficar à espera do próximo capítulo. Para saber se o inspector, algo mais sobre o pianista descobriu?

Tenha uma boa tarde e continuação de boas férias amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Duarte disse...

Detenho-me por fim. Estava a ver se isto chegava a um desenlace por mim establecido mas comprovo que vou ter que esperar.
Vamos ter muita leitura tuas pelo que vejo. Sempre te comparo com a escritora espanhola Corin Tellado: que capacidade criativa!
Um grande abraço desde terras valencianas

Odete Ferreira disse...

Com muita vontade de saber mais! Nesta história, há um lado do romance policial que atrai como íman!
Bjinho :)

Pedro Coimbra disse...

O que é que daqui vai sair?
Vamos esperar para ver.

redonda disse...

hum, ele podia ir até um piano, experimentar tocar alguma coisa para ver se a memória voltava...

Rosemildo Sales Furtado disse...

Acompanhando, gostando e mais curioso ainda.

Abraços,

Furtado