27.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XVII





 Eram dez horas da manhã de segunda-feira, quando os três partiram para a aldeia na Beira Alta onde iam passar o Natal na casa dos pais de Helena.  Nas vésperas tinham passado o dia no centro comercial, onde ela comprara para ele, várias peças de roupa. No inverno precisa-se muito mais roupa que no verão, especialmente no norte do país onde ele é mais rigoroso. Almoçaram num dos restaurantes do centro e depois levaram a criança ao cinema para assistir à sessão de Minions. Mais tarde passaram no supermercado, e comparam frango assado e batatas fritas para o jantar. O menino adorou o dia, estava encantado, com tudo, especialmente com o “tio”. Helena nunca se tinha apercebido de como ele necessitava de uma figura masculina. Mas não era só Diogo que estava encantado com Fernando. Ela também estava. Tanto que receava estar a apaixonar-se por ele. Sentia um formigueiro no corpo e as pernas tremiam-lhe, cada vez que ele lhe tocava, ainda que fosse apenas para a aliviar do peso do saco das compras. Dava por si, a fantasiar como seria fazer amor com ele. Sentir-se beijada e acariciada por ele. Aquilo não podia estar a acontecer. Raio de sorte a sua. A primeira vez que se apaixonara, fora por um traste, e agora ia apaixonar-se por um homem que não sabia quem era? Não devia ter-se metido naquele imbróglio, mas agora o mal já estava feito.
Felizmente que em casa dos pais, não teriam a intimidade que tiveram naquele fim de semana, e seria bem mais fácil a convivência sem constrangimentos. Tinham chegado a um determinado ponto da estrada, numa longa reta, quando ela parou o carro e voltando-se para ele informou.
- Foi aqui, na berma, naquele lado da estrada.
Ele não disse nada. Limitou-se a olhar, viu as três árvores mais à frente, alguns arbustos, e perguntou:
- Não pensaste que podia ser uma armadilha, que podia alguém estar escondido naqueles arbustos?
- Claro que pensei. Mas também pensei que podia ser alguém em perigo de vida. Sou médica, e felizmente o meu instinto sobrepôs-se ao medo.
Ele pegou-lhe na mão e levou-a aos lábios.
-Obrigado.
Sentiu-se recompensada com a rouquidão da sua voz, e o brilho húmido do seu olhar.



9 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
comentários para quê .
como vai acabar já temos mais ou menos uma ideia , agora as voltas que vai dar, acho que ainda está no segredo dos Deuses .
JAFR

Tintinaine disse...

Quero apresentar uma reclamação.
Devido à diabetes, o meu médico manda-me comer pouquinho de cada vez e eu vou fazendo por cumprir, embora às vezes me custe.
Mas a Elvira é ainda pior que o médico no racionamento, a dose é cada vez mais pequena!!!

✿ chica disse...

Muito lindo e as doses homeopáticas( como falou TINTINAINE, estão muito legais.Adorando e sempre esperando! bjs,chica

Edumanes disse...

O nosso estimado amigo "Tintinaine", reclama que os capítulos da Sinfonia são curtos. Para mim estão bem assim. Eu sugiro, não exijo, então que seja feita uma consulta popular, através de um, legitimo. referendo! Quanto às personagens envolvidas na Sinfonia, e seu futuro. Ainda é cedo para sobre o seu desfecho se perspectivar! Todavia, me parece de que estão seguindo pelo caminho que vai desembocar no cais dos seus desejos!

Tenha um bom dia amiga Elvira, e continuação de inesquecíveis férias! Um abraço,
Eduardo.

António Querido disse...

O nosso presado amigo "Tintinaine" só pensa em comida irra! Reparem só na comparação que ele fez, como se não tivesse idade para fazer dieta!
Eu não aceitava a sua reclamação!
Assim a história contada aos poucos tem melhor sabor.

maria disse...

A relação deles está a progredir, o Fernando, está realmente muito bem representado :D e a Helena está a apaixonar-se mesmo,ou estarei enganada? Beijinho à Autora e Boas Férias!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Por enquanto, beijinho só na mão. Depois, quem sabe? Curioso e gostando.

Abraços,

Furtado

Pedro Coimbra disse...

Um pequeno gesto pode ter um enorme impacto e um enorme significado.
Bfds

redonda disse...

Ele parece boa pessoa...