26.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XVI

                                              Cá o temos de novo



- Que se passa, Fernando? Dormiste mal, ou lembraste alguma coisa? – Perguntou, mal ficaram sozinhos.
- Não se pode dizer que dormi mal. Agradeço-te mais uma vez a atenção que tens comigo. Mas tive um sonho esquisito, que não sei se tem alguma coisa a ver comigo, ou se é apenas um daqueles sonhos estúpidos que por vezes povoam os nossos sonos.
- Queres contar?
Ele recordou em voz alta, todos os pormenores do sonho, enfatizando o facto de o pianista não ter rosto.
- Achas que pode ter a ver alguma coisa comigo?´
- Não sei. Gostas de música?
- Muito. Mas isso não quer dizer que a toque, pois não?
- Claro que não. Mas se fosses profissional da música, decerto eras conhecido, e a polícia já saberia que tinhas desaparecido. A não ser que não fosses profissional, mas a ser assim também não irias atuar num tão grande auditório. Não se encaixa. Ouve, seria um daqueles concursos em que os amadores vão mostrar os seus talentos, na busca de se tornarem conhecidos?
- Não. Lembro-me de ter visto anunciado na entrada, um concerto. E uma sala daquelas, completamente cheia, deveria querer dizer que era alguém conhecido.
- Então não pode ter a ver contigo. A polícia saberia. Deve ser um daqueles sonhos sem nexo que todos temos. Apetece-te almoçar fora?
- Preferia fazê-lo aqui. Deves compreender que não me sinto bem, contigo a pagar todas as contas. Mesmo que digas que se trata de um empréstimo e que te pago quando recuperar a memória. É humilhante.
- Para mim não. Mas se te sentes melhor em pagar o almoço, passamos pelo multibanco e levas dinheiro.
Ele baixou o rosto e escondeu-o entre as mãos. O seu desespero era uma realidade, mas ela estava disposta a ajudá-lo. O porquê, era algo em que não queria pensar de momento.
-Não fiques assim. Quando menos esperares, tudo se resolve. Vamos despachar-nos, para ir às compras. Precisamos comprar duas ou três mudas de roupas para ti, amanhã vamos para casa dos meus pais e não vais andar todos os dias com a mesma roupa.
- Mas doutora, o que vão dizer os teus pais? E que vou dizer-lhes eu, quando me fizerem perguntas?
- Logo se verá.  Cada coisa a seu tempo. Não te preocupes com isso agora.


9 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
a autora quer nos ver a sofrer mesmo !!!
até amanhã á mesma hora .
JAFR

Arroz Di Leite disse...

Passando para lhe desejar um dia abençoado e lindo.
Bjs,

Tânia Camargo

Tintinaine disse...

Pelo menos aqui não há incêndios, como em todas as notícias que li até agora.

✿ chica disse...

Ela está decidida a ajuda-lo e ele cada vez mais confuso com os sentimentos...Ótimo de ler! bjs, chica

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma ajuda que nem sempre é aceite por quem menos tem!!! Bj

Edumanes disse...

Não te preocupes com isso agora,
cada coisa no seu devido lugar
quando recuperares a tua memória
do que aconteceu te irás lembrar?

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

redonda disse...

Ela devia era levá-lo ao pé de um piano para vermos se ele sabe ou não tocar piano!

Pedro Coimbra disse...

Começo a acompanhar agora após gozo de férias.
Um abraço

Rosemildo Sales Furtado disse...

Acredito que uma boa opção seria levá-lo a um bom teatro.

Abraços,

Furtado.