29.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XIX






Ele sentou-se na cama e ela sentou-se a seu lado.
-Viste a fotografia. Sou eu, não sou doutora? Não estou doido, pois não? – Perguntou com voz rouca, as mãos a tremer.
- Claro que és tu. Há alguma coisa de muito estranho em tudo isto. Penso que devíamos telefonar imediatamente para o inspetor. Espera, vou buscar o telemóvel, eu tenho o número dele.
- Mas hoje? Decerto não vai atender!
Ela foi à cozinha, pegou um copo de água e o telemóvel e voltou ao quarto.
- Toma, bebe um pouco. Vai fazer-te bem.
Ligou o número e aguardou um pouco.
- Está desligado. Era de prever. Vou mandar mensagem. Vê-la-á quando o ligar.
“Inspetor- foi dizendo em voz alta, o que escrevia.- Lembra-se do sinistrado que socorri no início do mês, sem documentos, nem memória? Acabamos de descobrir que desapareceu na América. Por favor contate-nos com urgência. E se puder veja o telejornal de hoje. Helena”
-Já está. Sentes-te melhor? A notícia não te fez recordar nada?
- Não. Contínuo vazio, de tudo o que me aconteceu até acordar no hospital.
-E no entanto quando quis inventar-te um nome, disseste imediatamente Fernando. E sonhaste com um concerto, e um pianista sem rosto. Agora sabemos que esse pianista, és tu. Tenta acalmar-te, desfruta da noite, logo ou amanhã, procuramos na internet, pelo teu nome. Pode ser que haja alguma coisa.
Pôs-se de pé e deu-lhe a mão. Ele levantou-se. Ficaram os dois muito perto um do outro, tão perto que teria sido muito fácil ceder ao impulso de a abraçar e beijar, e talvez fosse o que ela desejava, mas a verdade é que ele estava por demais concentrado na sua situação, para se aperceber disso. Ela encaminhou-se para a sala, e ele limitou-se a segui-la.
-Está melhor? - Perguntou o dono da casa, quando reentraram na sala.
-Sim já melhorou, obrigado. Mas não me levem a mal, não me apetece comer. Talvez mais logo.
- Queres que te dê um beijinho para ficares bom? A mamã costuma dar-me e a dor passa, - disse o menino aproximando-se dele, e provocando um sorriso nos adultos.

14 comentários:

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

bom dia
para quem não percebe nada de musica clássica, as sinfonias de Beethoven são muito complexas, para mim isto continua a ser uma sinfonia das mais complicadas !!!
bom fim de semana.
JAFR

Olinda Melo disse...


Um capítulo que me mostra o quão belo deve ser este conto.
Procurarei vir tomar nota do seu desenvolvimento.

Muito obrigada, Elvira.

Bj

Olinda

Tintinaine disse...

Com que então pianista de renome!
Só me falta descobrir quem se foi registar no hotel, em Los Angeles, enquanto ele estava no hospital.
Isto está perto do fim, adivinho que não vou ter que esperar muito para conhecer o desenlace final.

António Querido disse...

Muito bem continuamos, a AMIGA ELVIRA escrevendo desse lado e nós lendo deste, depois das curvas e contra-curvas, chegaremos a uma feliz reta final!
Boas férias.

✿ chica disse...

Cada vez mais presa nessa história esperando mais e mais.Está maravilhosa! bjs, chica

Edumanes disse...

Não sendo eu, nenhum, adivinhão,
mas, tenho liberdade para pensar
de que entre eles existe paixão
da realidade não há que duvidar!

Continuação de boas férias amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Pois seguindo a história. Imaginando
o fim.

Desejo que se encontre bem.

Bjs.

Irene Alves

lua singular disse...

Oi Elvira
Quando melhorar virei ler seus contos.
Pessoas doentes morrem antes do tempo
Mas o tempo chega para todos
Beijos
Lua Singular

Odete Ferreira disse...

Mas que imbróglio!!!
Estou muito curiosa!
Bjinho

Os olhares da Gracinha! disse...

Um bom momento de leitura! Bj

redonda disse...

Agora precisamos é de descobrir porque razão é que ele perdeu a memória...

Berço do Mundo disse...

Como é doce a infância onde tudo se cura com um beijo.

Rosemildo Sales Furtado disse...

O negócio está meio enrolado, e a curiosidade aumentando. Aguardemos os acontecimentos.

Abraços,

Furtado