18.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE VII




A colega despediu-se, depois de mais umas perguntas ao doente:
- Bom, Helena, tenho que ir. Conversamos amanhã.
- Amanhã estou de banco. Ligo-te, quando puder. Obrigada, por me teres avisado.
Helena puxou a cadeira para junto da cama e sentou-se:
- Fico feliz por ver que está em franca recuperação. Cheguei a temer que fosse demasiado tarde quando o encontrei.
- Já me contaram doutora. Sei que lhe devo a vida, e não tenho palavras para lhe agradecer. Foi muito corajosa.
- Não tem nada para agradecer, mas se o quiser fazer, agradeça-me pondo da sua parte todo o empenho numa rápida recuperação. E não me chame doutora. Guarde esse tratamento para a minha colega, que é a sua médica. Trate-me por Helena. Vou deixá-lo. Precisa descansar. Vou passando quando puder, para ver como vai. Sei que está a passar por uma experiência difícil, Tente não ficar desesperado, tenha a certeza de que a equipa médica que o acompanha, vai fazer tudo para o ajudar.
- É um desespero, não saber quem sou. Esforço-me por me recordar de alguma coisa e nada.
- Bom, - disse ela pondo-se de pé. – Tenho que ir, está quase na hora do jantar. Quer que lhe traga alguma coisa, quando voltar?
- Uma cabeça nova, - disse sorrindo pela primeira vez.
Helena, não pôde deixar de notar, como a expressão no rosto masculino, se suavizara com o sorriso. Estendeu-lhe a mão.
- Se isso fosse possível até eu quereria uma, - disse rindo.
Ele apertou-lhe a mão entre as suas, e disse com a voz enrouquecida.
- Obrigado. Nunca vou esquecer o que fez por mim, doutora
Helena não respondeu. Suavemente soltou a mão e virou costas, perplexa com os seus sentimentos. O que é que estava a acontecer com ela? Não podia estar a interessar-se por um desconhecido. Disse a si mesma que era apenas o interesse profissional dum médico pelo doente, e isso tranquilizou-a um pouco. Olhou o relógio. Tinha demorado mais do que queria, estava quase na hora de saída da empregada. Tinha que se apressar. Ainda tinha que passar pela pizaria, tinha prometido ao filho que levaria uma piza para o jantar. A rua fervilhava de gente aquela hora. As montras decoradas, mostravam que se estava quase no Natal e ela ainda não comprara os presentes. Tinha que o fazer no próximo fim de semana.




Parece que os leitores, estão tão às escuras como o sinistrado. Ninguém aventura um palpite?

18 comentários:

rendadebilros disse...

O segredo, o mistério é a alma deste conto. Beijinhos.

rendadebilros disse...

Ah a garrafa sem mensagem podia ser o início de um conto... Nunca teve mensagem? Já a levaram? Vai escrever-se uma mensagem e enviar a garrafa através das águas do mar? Beijinhos.

Roaquim Rosa disse...

Boas
como cada conto seu tem sempre muito mistério , não vai ser fácil pelo menos para já.
JAFR

Pedro Luso disse...

Olá Elvira.
Gostei muito do sétimo episódio "Sinfonia da Memória", que diz bem do talento da contista. Parabéns.
Um abraço.
Pedro

Edumanes disse...

Continua em louca correria,
com pressa de chegar ao fim
como essa misteriosa Sinfonia
nunca tinha lido coisa assim!

Eu penso mas não arrisco,
para de mim não se rirem depois
prevejo que seja um bom petisco
preparado só para eles os dois!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

redonda disse...

Já arrisquei antes, posso continuar a arriscar agora
portanto, pode ter sido um amigo de infância dela, o seu primeiro amor que está muito diferente e por isso ela não o reconheceu...
pode ser mesmo um desconhecido, mas espero que boa pessoa por quem ela se vai apaixonar...mas o título da história, Sinfonia da memória...parece-me que eles têm de se ter conhecido no passado
ou então, já sei, eles vão começar a ter um romance, a certa altura, ele recupera a memória e esquece-se dela, mas pouco a pouco vai conseguir lembrar-se do que viveu com ela e voltará para ela!

um beijinho e depois volto para ver se já se sabe quem é ele...

✿ chica disse...

Continuo a achar que não foi de graça que o destino os colocou juntos. Mas se ele tá esquecido, ela não o reconhece? Sei lá! Sei que estou adorando! bjs praianos,chica

Bell disse...

Vem romance ai!!

bjokas =)

O meu pensamento viaja disse...

Muito bem. Aguardemos.
Beijo

Minhas Pinturas disse...

Estou contendo minha curiosidade, mas não vou dar palpite, acredito em sua criatividade e inspiração, prefiro aguardar mordendo os dedos kkkkkk.
beijinhos, léah

Anete disse...

Sinceramente, estou meio perdida... Não sei o que a escritora Elvira está "aprontando", verei logo mais... Rsss... Quem será ele?... O pai do filho da Helena?! Mistério!

Bjs

Arroz Di Leite disse...

Sem palpites.
Bjs

Tânia Camargo

Zé Povinho disse...

O acaso, a memória, o interesse, são alguns ingredientes para o desenrolar da trama...
Abraço do Zé

Diana Fonseca disse...

Mais uma história super interessante por aqui, como de costume.

Quanto ao meu texto, era mesmo isso que queria transparecer, depois do momento do meu casamento e da minha volta ao blogue.

Tintinaine disse...

Palpites?
Nada, nem ideia!
Não consigo encontrar qualquer relação com outras histórias. E a referência à Póvoa ainda me deixa mais perdido!

maria disse...

Talvez, um irmão que ela não sabia que existia :D :D

Smareis disse...

Tá difícil dar um palpite. Talvez um amigo de infância, sei lá risos.
Beijos!

Rosemildo Sales Furtado disse...

É, tudo indica que a coisa vai caminhando para um final que eu estava a pensar, conforme meu comentário anterior.

Abraços,

Furtado